Para quem quiser matar as saudades, vista da enseada, nesta manhã de suave azul.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Hoje é dia de São Pedro
E como é tradicional, haverá a procissão dos barcos. Este aí, parado em frente ao Porto das Canoas, é o Polo Aquático, todo enfeitado.
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Santo André (Bahia)
Vida de pescador (2)

Mas como eu dizia antes, quando o marcador de combustível do barco encostou no zero e a praia de tão distante nem se via, os pescadores afogados naquela maré de azar pediram socorro pelo rádio – Save Our Souls . A cavalaria veio veloz: chegou em forma de fragata para tirá-los daquela canoa-furada. Uma linda, majestosa nau, ancorou nas cercanias do àquela-altura-humilde-Bacana : da barriga da baleia surgiu uma lancha apressada (uma espécie de cavalo de Tróia) contendo 5 Jonas armados com fuzis e me-tra-lha-do-ras de verdade, do tipo ratátátá.
Dois homens abordaram o Bacana; os demais ficaram dentro da lancha circundando o barco, sempre em posição de batalha naval. Vagarosamente, as autoridades marinheiras fiscalizaram tudo: a papelada, a parte mais íntima do barco – onde fica o motor e as engrenagens – e o material de salvatagem. Deram por falta da buzina – buzinar é preciso –, ao que Cláudio contrapôs tem o sino. Aceitaram o sino; afinal, consta do regulamento e funciona no manual.
Porque tanta ostentação de força? Metralhadora?
Eles não sabem com quem vão se deparar: inocentes pescadores ou piratas do mar.
A galera desta onda era formada pelo dono do barco, o comandante Calmon – um homem pacato e de bons ventos – o Elielton, pescador de mão cheia e arrastador de camarão; Emanuel de Ana Gaivota, primeira vez no alto mar (fraquinho de tanto vomitar); Zaqueu, um jovem nativo e Seu Neneco, o marido de Gilma.
Pediram para ver os pescados, àquela altura, todos marcados para distinguir quem pegou dourado e quem pegou guaiúba: é como se fosse a ferradura do dono: cortam o lado esquerdo ou direito do rabo, ou rasgam o nariz, ou furam o olho. Peixe sofre até depois de morto. O oficial ao mirante decidiu assim: Cláudio ficaria como fiel depositário dos peixes – agora pertencentes ao IBAMA devido à falta de licença para pescar e não adiantou explicar que há meses fora pedida só não estava na mão dele por causa da burocracia.
Houve a notificação: uma multa chamada de pane seca, não se sabe quanto vai custar.
Com o óleo diesel doado, voltaram para casa, processo que levou muitas horas marítimas. Cada um pegou seu quinhão pesqueiro menos o Cláudio que resolveu doar para os mais carentes do povoado, pensando em pagar a multa e ver o assunto encerrado.
Agora, já no final desta postagem, o telefone tocou e pela voz do homem daqui de casa percebi que o do outro lado da linha é do IBAMA. Vem mais água por aí.
O dia deu em chuvoso

"O dia deu em chuvoso.
A manhã, contudo, esteve bastante azul.
O dia deu em chuvoso.
Desde manhã eu estava um pouco triste.
Antecipação! Tristeza? Coisa nenhuma?
Não sei: já ao acordar estava triste.
O dia deu em chuvoso. (...)"
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Meu querido (lá da Itália): tudo vai acabar bem!
Honduras
do site do Idelber

"Foi um golpe latino-americano clássico, daqueles dos quais já tínhamos nos esquecido. Na madrugada de ontem, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya Rosales, foi sequestrado a ponta de fuzis, arrancado de casa por dezenas de militares, colocado num avião e levado à Costa Rica.
Zelaya é um bicho raro na onda esquerdista latino-americana: filho de latifundiário, eleito pelo Partido Liberal, venceu as eleições em 2005 na esteira de sua oposição à pena de morte, defendida por seu adversário.
Trasladado à Costa Rica sem que o governo do país fosse sequer notificado, Zelaya embarcou em seguida para uma reunião extraordinária da Alba em Manágua, com Hugo Chávez (Venezuela), Daniel Ortega (Nicarágua) e Rafael Correa (Equador), além do Chanceler cubano, Bruno Rodríguez. Em entrevista à CNN Chile, a esposa de Zelaya, Xiomara Castro, descreve o cárcere privado no qual se encontra, em algum lugar do interior do país. Os filhos do casal encontram-se em embaixadas. A Chanceler hondurenha, Patricia Rodas, esteve desaparecida durante todo o domingo. À noite, chegou a confirmação de que ela embarcava rumo ao México.
A reação da comunidade internacional deixou as forças golpistas em situação de isolamento. O Itamaraty se manifestou. A Organização dos Estados Americanos divulgou uma carta condenando o golpe e exigindo a reinstalação de Zelaya em suas funções. Mesmo o embaixador dos Estados Unidos, Hugo Llorens declarou inequivocamente que os EUA só reconhecem Zelaya como o presidente legítimo de Honduras.
No momento em que escrevo, milhares de hondurenhos cercam o palácio presidencial em Tegucigalpa. Ouviram-se disparos. Está convocada para esta segunda-feira uma greve geral em apoio a Zelaya. O ponto de vista dos golpistas está articulado em praticamente todos os grandes meios de comunicação de massas de Honduras. O mais explícito talvez seja El Heraldo, que chegou a inventar a incrível mentira de que Zelaya planejava dissolver o Congresso. Na televisão, ontem à noite, exibiam-se desenhos animados. "
A reação da comunidade internacional deixou as forças golpistas em situação de isolamento. O Itamaraty se manifestou. A Organização dos Estados Americanos divulgou uma carta condenando o golpe e exigindo a reinstalação de Zelaya em suas funções. Mesmo o embaixador dos Estados Unidos, Hugo Llorens declarou inequivocamente que os EUA só reconhecem Zelaya como o presidente legítimo de Honduras.
No momento em que escrevo, milhares de hondurenhos cercam o palácio presidencial em Tegucigalpa. Ouviram-se disparos. Está convocada para esta segunda-feira uma greve geral em apoio a Zelaya. O ponto de vista dos golpistas está articulado em praticamente todos os grandes meios de comunicação de massas de Honduras. O mais explícito talvez seja El Heraldo, que chegou a inventar a incrível mentira de que Zelaya planejava dissolver o Congresso. Na televisão, ontem à noite, exibiam-se desenhos animados. "
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domingo, 28 de junho de 2009
A frase da semana

"A questão central é que, hoje, Lula e Sarney são unha e carne, faces da mesma moeda. Por incrível que pareça, eles não se distinguem, o que é estranho pelas histórias tão distintas. A crise ética no Brasil chegou a tal ponto que não há mais distinção entre o Lula e o Sarney.”
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Marco Antonio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos, em entrevista à Folha de S. Paulo
Marco Antonio Villa, professor de história da Universidade Federal de São Carlos, em entrevista à Folha de S. Paulo
O thriller da viagem

Acordei com o som macio da chuva tamborilando nas ramarias das árvores e a fugidia imagem de Morgan Freeman que escapava, sorrateiro, de um sonho matinal cujo significado é um enigma pessoal
“adeus madrugada
que um segredo aceso
sobrou lindo ainda
soprando giz” (*)
Depois das abluções matinais (decorei esta expressão dos romances portugueses), abro a mala e começo a empilhar os objetos imprescindíveis para a viagem que se avizinha: as senhas impressas para retirar os ingressos da FLIP que comprei pela internet, as chaves do apartamento e o celular de São Paulo, a caixa de sapatos repleta de drogas legalizadas, a escova de dentes e os óculos.
O resto é silêncio: roupa, sapato, brinco.
Liguei o laptop pensando em postar a nênia(** )que o amigo Piero escreveu para Michael Jackson no http://www.apaneutheon.blogspot.com/ e de quebra ainda trouxe de lá uma escrita de Caetano Veloso.
"passo à lua, mais leve,
lá onde o nunca cresce,
lá onde a mistura já cai:
estranho odor da infância,
esse, ainda permanente,
de luvas e luzes, da pele
e dor – tida – acossada
e respirando, dança."
------------------
O anjo e o demônio da indústria cultural
Por Caetano Veloso
A notícia da morte de Michael Jackson foi um grande abalo. Cheguei ao Teatro do Sesi de Porto Alegre e ao ser informado pensei imediatamente em meus filhos Zeca e Tom. Logo Daniel Jobim me veio à mente. Ele é conhecedor e devoto de Michael desde a infância. Moreno, meu filho mais velho, que é amigo de Daniel, também dedicou afeto intenso à figura desse gênio do nosso tempo. Mas são meus filhos menores que hoje se sentem mais atraídos por seu estilo.Como todo mundo, acompanhei Michael desde que ele era pequeno. Como todo mundo, fiquei siderado pelo cantor e dançarino de "Off the Wall" e "Thriller". Como todo mundo, fiquei entre fascinado, enojado e apreensivo diante das transformações físicas por que ele passou. O que quer que tenha havido entre ele e aqueles meninos cujos pais o processaram, acho-o moralmente superior a esses pais.Michael é o anjo e o demônio da indústria cultural. A serpente do seu paraíso e seu mártir purificador. Os talentos artísticos extraordinários frequentemente coincidem com vidas torturadas e enigmáticas. Michael era um desses talentos imensos. Dançando "Billie Jean" na festa da Motown ele foi sim tão grande quanto Fred Astaire: comentava o Travolta de Saturday Night Fever e o Bob Fosse do Pequeno Príncipe (este, uma influência fortíssima e evidente, que nunca vi mencionada). Vou entrar agora no palco pensando em Tom, Zeca, Moreno e Daniel - e, com um nó na garganta, no sentido da nossa atividade. Ele a representava em sua totalidade, fulgurantemente, tragicamente, divinamente.
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(*) versos de Pedro Rocha, poeta carioca
(**) canto fúnebre
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Minha irmã chega hoje
A casa dela é bem próxima à nossa, aqui nessa rua que de tanto ser batizada continua sem nome algum. Não faz mal, não tem serviço de correios mesmo.
Ela chegou aqui primeiro, veio porque uma amiga de Olhos d'água (um vilarejo no Planalto Central que hospeda alternativos), recomendou e lhe ofereceu hospedagem.
Nós já havíamos deixado Brasília para morar perto de Itacaré.
Ela foi lá, viu a situação e insistiu para que nós nos mudássemos para Santo André.
Foi para melhor, a mudança.
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familia
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Carta para uma amiga
Cara amiga:
Depois que correu os olhos pelas fotos do blog você quis ter notícias mais miudinhas do povo e do povoado. Será saudade? Passei ontem no seu Facebook para uma mensagem de 140 toques – dei uma espiada ao redor logo vi o menininho de olhar esperto. É o sobrinho francês? Ah! Aproveitando a conversa sobre a internet, se na sua caixa postal surgir convite no meu nome vindo do Tweeter simplesmente delete. Eu acessei porque todo o mundo virtual estava falando nisso. Em outra ocasião navegante entrei para olhar com vagar e fui seduzida até o ato da inscrição – entreguei a carteira de identidade, dei senha, meu email, tudo de uso corrente. Quando a permissão apareceu na tela passei um bilhete para minha afilhada de Brasília para testar e ela me respondeu. Foi só. Depois de alguns dias o programa do Tweeter disparou mensagem automática para todos os meus contatos.
São muito independentes, esses softwares.
Na última terça-feira houve uma grande festa de aniversário para o Seu João Capador – você teria gostado tanto! Foi bem perto do local onde você festejou seus próprios cumpleanos no pós-verão deste ano. As pessoas organizaram um festival de atrações com atrevidas piruetas dos meninos e rapazes da capoeira, com a algazarra do pé duro, com o livro que o Leonardo (nosso professor de yoga e padeiro) escreveu contando a estória das ervas do Seu João – que obviamente se chama assim porque nasceu no dia da quadrilha -- pelo bolo tipo de noiva rodeado de meninos e arabescos torcidos de azul doce nas bordas. Mas a cereja do bolo era ver os moradores do lugar, veio tanta gente, os das roças e os de outros lugares, o novo e o envergado e ainda foi possível conversar de música porque colocaram discos alegres de Luís Gonzaga, o Carlos Gardel do forró.
Sabe que ultimamente tem rolado uma transação de terra? A ponta do Mafuá foi vendida – aquela parte do terreno que é mais larga – para uma pessoa que trabalha com cinema, uma produtora – será que finalmente seremos franquia de Cinecittà? Porque aqui preferimos os filmes italianos aos americanos ainda não descobri. Anotei o nome do diretor coreano que você mencionou se me deparo com ele está decidido: vejo. Hoje vamos passar um filme chamado do Outro Lado onde se conhece um pai viúvo, uma prostituta, o filho do viúvo e a filha da puta. Ganhou o prêmio de melhor roteiro no festival de Cannes em 2007. A temática é esta de um mundo sem fronteiras, afinal, qual é a nacionalidade de um rapaz nascido de pais imigrantes turcos na Alemanha que se torna professor de literatura alemã?
Na quarta-feira houve outro evento delicioso: foi apresentado via Cine Cajueiro o primeiro telejornal produzido por adolescentes que participam da radioweb do IASA. O grupo se apresentou completo: cinegrafista, roteirista, repórteres, editor – eles conseguiram! Mal podia crer nos meus olhos: provavelmente vários desses rapazes e moças ainda não têm computador em casa.
(no meio da carta toca o telefone: era a voz do Cláudio -- numa ligação entrecortada compreendo que acabou o combustível zero zero nem uma gota e eles no meio do mar quatro homens, um motor calado e um barco à deriva ai de mim SOS o rádio! falaram no rádio e quem escutou foi um barco da Marinha brasileira um encouraçado, quiçá um Potekim).
Parou ao lado do saveiro: os nautas, estupefatos. Disse-me ele: acho que se as sereias de rabo e peitos tivessem aparecido ali o susto seria menor (e por certo, melhor). Abriram um alçapão, imagino, não deu para perguntar os detalhes, só sei que veio uma lancha cheia de soldados pra cima deles e fiscalizaram tudo, a Marinha e o IBAMA. Cláudio tem carteira oficial de pescador mas como não tinha o outro certificado, a licença para pescar, levaram todos os peixes pescados -- em troca o combustível para chegar na praia.
E agora acho que vou terminar esta cartinha porque fiquei sem concentração. Quando você puder, me escreve.
Na última terça-feira houve uma grande festa de aniversário para o Seu João Capador – você teria gostado tanto! Foi bem perto do local onde você festejou seus próprios cumpleanos no pós-verão deste ano. As pessoas organizaram um festival de atrações com atrevidas piruetas dos meninos e rapazes da capoeira, com a algazarra do pé duro, com o livro que o Leonardo (nosso professor de yoga e padeiro) escreveu contando a estória das ervas do Seu João – que obviamente se chama assim porque nasceu no dia da quadrilha -- pelo bolo tipo de noiva rodeado de meninos e arabescos torcidos de azul doce nas bordas. Mas a cereja do bolo era ver os moradores do lugar, veio tanta gente, os das roças e os de outros lugares, o novo e o envergado e ainda foi possível conversar de música porque colocaram discos alegres de Luís Gonzaga, o Carlos Gardel do forró.
Sabe que ultimamente tem rolado uma transação de terra? A ponta do Mafuá foi vendida – aquela parte do terreno que é mais larga – para uma pessoa que trabalha com cinema, uma produtora – será que finalmente seremos franquia de Cinecittà? Porque aqui preferimos os filmes italianos aos americanos ainda não descobri. Anotei o nome do diretor coreano que você mencionou se me deparo com ele está decidido: vejo. Hoje vamos passar um filme chamado do Outro Lado onde se conhece um pai viúvo, uma prostituta, o filho do viúvo e a filha da puta. Ganhou o prêmio de melhor roteiro no festival de Cannes em 2007. A temática é esta de um mundo sem fronteiras, afinal, qual é a nacionalidade de um rapaz nascido de pais imigrantes turcos na Alemanha que se torna professor de literatura alemã?
Na quarta-feira houve outro evento delicioso: foi apresentado via Cine Cajueiro o primeiro telejornal produzido por adolescentes que participam da radioweb do IASA. O grupo se apresentou completo: cinegrafista, roteirista, repórteres, editor – eles conseguiram! Mal podia crer nos meus olhos: provavelmente vários desses rapazes e moças ainda não têm computador em casa.
(no meio da carta toca o telefone: era a voz do Cláudio -- numa ligação entrecortada compreendo que acabou o combustível zero zero nem uma gota e eles no meio do mar quatro homens, um motor calado e um barco à deriva ai de mim SOS o rádio! falaram no rádio e quem escutou foi um barco da Marinha brasileira um encouraçado, quiçá um Potekim).
Parou ao lado do saveiro: os nautas, estupefatos. Disse-me ele: acho que se as sereias de rabo e peitos tivessem aparecido ali o susto seria menor (e por certo, melhor). Abriram um alçapão, imagino, não deu para perguntar os detalhes, só sei que veio uma lancha cheia de soldados pra cima deles e fiscalizaram tudo, a Marinha e o IBAMA. Cláudio tem carteira oficial de pescador mas como não tinha o outro certificado, a licença para pescar, levaram todos os peixes pescados -- em troca o combustível para chegar na praia.
E agora acho que vou terminar esta cartinha porque fiquei sem concentração. Quando você puder, me escreve.
exposição de pelados
"
Árabe com flores", de Herbert List, (1935) quando a fotografia já passara a explorar novos ângulos
Marilyn Monroe, clicada pela câmera do fotógrafo Bert Sterns (1962)

Árabe com flores", de Herbert List, (1935) quando a fotografia já passara a explorar novos ângulos
Marilyn Monroe, clicada pela câmera do fotógrafo Bert Sterns (1962)
A exposição "Nude Visions - 150 anos de imagens de corpos na fotografia", em cartaz em um museu de Munique, no Sul da Alemanha, conta a história do nu artístico na fotografia através das décadas.
Com cerca de 250 trabalhos, a mostra do Münchener Stadtmusem procura investigar os limites entre arte, sensualidade e pornografia.
Aberta até dia 13 de setembro, a exposição é organizada cronologicamente, trazendo um panorama que vai de 1855 até 2005.
As peças mais antigas são datadas do início da história da fotografia, na metade do século 19. Essas obras, entretanto, não tinham um fim artístico - eram produzidas para servir de apoio ao estudo de pintores, desenhistas e escultores.
Somente no começo do século 20 é que o gênero ganha vida própria, se transformando em obra de arte, com diversas correntes.
Com cerca de 250 trabalhos, a mostra do Münchener Stadtmusem procura investigar os limites entre arte, sensualidade e pornografia.
Aberta até dia 13 de setembro, a exposição é organizada cronologicamente, trazendo um panorama que vai de 1855 até 2005.
As peças mais antigas são datadas do início da história da fotografia, na metade do século 19. Essas obras, entretanto, não tinham um fim artístico - eram produzidas para servir de apoio ao estudo de pintores, desenhistas e escultores.
Somente no começo do século 20 é que o gênero ganha vida própria, se transformando em obra de arte, com diversas correntes.
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BBC - Brasil
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Fotografia
o outro invisível

excerto de "A elegância do ouriço"
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"Aí vai, portanto, meu pensamento profundo do dia: é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. Isso pode parecer trivial, mas acho, mesmo assim, que é profundo. Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. Se nos déssemos conta, se tomássemos consciência do fato de que sempre olharmos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos".
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tela do pintor suíço, Ferdinand Hodler (1853-1918)
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Literatura
Vocês conhecem este homem?

esta foto de pescador estava guardada no meu "banco de imagens", mas já não sei de onde veio...
parece aquele médico que tem casa aqui, o dr. Siqueira, será?
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Moradores de Santo André
culinária francesa

Trecho de "A elegância do ouriço", de Muriel Barbery, com mais de 850 exemplares vendidos na França. A estória se passa num prédio de apartamentos de luxo em Paris. Os personagens principais são uma zeladora de meia-idade, culta e desconfiada, uma adolescente pensativa e cheia de birra, um senhor japonês misterioso... Um delicioso romance filosófico!
No excerto abaixo, a voz da adolescente
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"No sábado passado fomos a um restaurante assim, muito chique, o Napoléon’s Bar. Era um programa familiar, para festejar o aniversário de Colombe. Que escolheu os pratos com a mesma graça costumeira: uns trecos pretensiosos com umas castanhas, um cordeiro com ervas de nome impronunciável, um zabaione ao Grand Marnier (o cúmulo do horror). O zabaione é o emblema da cozinha francesa: um troço que pretende ser leve e sufoca o primeiro cristo que aparece. Não comi nada de entrada e depois comi sessenta e três euros de filés de vermelho ao curry (com cubos crocantes de abobrinhas e cenouras debaixo do peixe) e depois, por trinta e quatro euros, o que encontrei de menos ruim no cardápio: um fondant de chocolate amargo. Vou llhes dizer: por esse preço eu preferira uma assinatura anual no McDonald’s. Pelo menos é sem pretensão no mau gosto. E nem falo da decoração do restaurante e da mesa. Quando os franceses querem se diferenciar da tradição “império” das tapeçarias bordô e douradas à vontade, caem no estilo hospital. A gente senta em cadeiras Le Corbusier (“de Corbu”, diz mamãe), come em louça branca de formas geométricas muito burocracia soviética e enxuga as mãos no toalete com toalhas tão finas que não absorvem nada.
A simplicidade não é isso. Nos mangás, os personagens parecem comer outras coisas. Tudo de um jeito simples, requintado, comedido, delicioso. Come-se com quem olha um belo quadro ou como quem canta num coral. Não é demais nem de menos: comedido, no bom sentido da palavra. Talvez eu me engane redondamente, mas a cozinha francesa parece velha e pretensiosa, ao passo que a cozinha japonesa parece... pois é, nem jovem, nem velha. Eterna e divina."
"No sábado passado fomos a um restaurante assim, muito chique, o Napoléon’s Bar. Era um programa familiar, para festejar o aniversário de Colombe. Que escolheu os pratos com a mesma graça costumeira: uns trecos pretensiosos com umas castanhas, um cordeiro com ervas de nome impronunciável, um zabaione ao Grand Marnier (o cúmulo do horror). O zabaione é o emblema da cozinha francesa: um troço que pretende ser leve e sufoca o primeiro cristo que aparece. Não comi nada de entrada e depois comi sessenta e três euros de filés de vermelho ao curry (com cubos crocantes de abobrinhas e cenouras debaixo do peixe) e depois, por trinta e quatro euros, o que encontrei de menos ruim no cardápio: um fondant de chocolate amargo. Vou llhes dizer: por esse preço eu preferira uma assinatura anual no McDonald’s. Pelo menos é sem pretensão no mau gosto. E nem falo da decoração do restaurante e da mesa. Quando os franceses querem se diferenciar da tradição “império” das tapeçarias bordô e douradas à vontade, caem no estilo hospital. A gente senta em cadeiras Le Corbusier (“de Corbu”, diz mamãe), come em louça branca de formas geométricas muito burocracia soviética e enxuga as mãos no toalete com toalhas tão finas que não absorvem nada.
A simplicidade não é isso. Nos mangás, os personagens parecem comer outras coisas. Tudo de um jeito simples, requintado, comedido, delicioso. Come-se com quem olha um belo quadro ou como quem canta num coral. Não é demais nem de menos: comedido, no bom sentido da palavra. Talvez eu me engane redondamente, mas a cozinha francesa parece velha e pretensiosa, ao passo que a cozinha japonesa parece... pois é, nem jovem, nem velha. Eterna e divina."
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Meu marido foi pro mar

Fiquei a ver navios...-------------------
Lá se foi o Cláudio, ontem de manhã, para mais uma jornada pelo mar. Vão longe, eles e os amigos; conta que à noite é uma escuridão total, só o brilho das estrelas.
É um passeio extenuante, o barco no seu incessante movimento oscilatório, as mil e uma vezes que se joga a linha com anzol, o trato dos peixes, o sono interrompido (quando há).
Suerte, pescadores!
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obra de Adriana Varejão
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Paraty, parole nella foresta
Minha filha me enviou o link para a página do jornal italiano La Repubblica"Nella piccola città brasiliana dallo stile coloniale intatto, non lontana da Rio de Janeiro, una festa letteraria con scrittori da tutto il mondo "
di Alberto Riva
di Alberto Riva
FLIP: nós vamos!
de 1 a 5 de julho - Paraty, RJ
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quinta-feira, 25 de junho de 2009
O dia em que Michael Jackson morreu
Quando meus amigos saíram depois de horas de conversa boa, fui desligar o computador. Antes de apertar a tecla deu para ler a notícia da morte deste mito. Globo online
Tom Leão
"Quando uma notícia como a morte de Michael Jackson chega, a gente nunca está muito preparada para ela, porque, para os mortais, os deuses da música nunca morrem. Portanto, Jacko não morreu. Ele apenas acabou de seguir para o Olimpo e agora viverá para sempre como uma lenda, como um Elvis negro, que jamais será esquecido.
E numa escala maior do que Elvis, Jackson influenciou muito mais gerações e estilos musicais e comportamentais ao redor do planeta. Porque ele não era apenas um. Ele foi muitos. Foi o garotinho simpático e bom de voz e dança que nos encantou no Jackson 5, foi o jovem exuberante da fase "Off the wall" (e a forma para nomes atuais como Justin Timberlake), o cara maduro que se tornou o campeão de vendas de todos os tempos com o álbum "Thriller", e, infelizmente, foi também o freak que acabou com a própria carreira em busca da juventude eterna. Dessa forma, atingiu muito mais o imaginário das pessoas.
Pena que a imagem que ficou dele para as novas gerações foi a de um ser bizarro, metido em escândalos. E ninguém sofreu tantas transformação aos olhos do público do que Jackson.
Mas, esqueçamos as imagens e fiquemos só com o som. Seu gritinho na virada de "Don't stop'til you get enough" é tão marcante quanto os gemidos de James Brown. Seus passos e a sua marca registrada, o moonwalking, para sempre serão imitados por legiões de clones (que agora duplicarão); e, no fim, apagaremos as imagens ruins, e para sempre lembraremos de suas melhores canções, de suas grandes performances.
Ele foi, de certa forma, incompreendido, e os problemas de seu passado - e a falta de infância e adolescência - cobraram um preço alto. Mas foi isso, de certa forma, que ajudou a moldar em que ele se transformou, para o bem e para o mal. Mas agora, ele está livre disso tudo. Para sempre. "
"Quando uma notícia como a morte de Michael Jackson chega, a gente nunca está muito preparada para ela, porque, para os mortais, os deuses da música nunca morrem. Portanto, Jacko não morreu. Ele apenas acabou de seguir para o Olimpo e agora viverá para sempre como uma lenda, como um Elvis negro, que jamais será esquecido.
E numa escala maior do que Elvis, Jackson influenciou muito mais gerações e estilos musicais e comportamentais ao redor do planeta. Porque ele não era apenas um. Ele foi muitos. Foi o garotinho simpático e bom de voz e dança que nos encantou no Jackson 5, foi o jovem exuberante da fase "Off the wall" (e a forma para nomes atuais como Justin Timberlake), o cara maduro que se tornou o campeão de vendas de todos os tempos com o álbum "Thriller", e, infelizmente, foi também o freak que acabou com a própria carreira em busca da juventude eterna. Dessa forma, atingiu muito mais o imaginário das pessoas.
Pena que a imagem que ficou dele para as novas gerações foi a de um ser bizarro, metido em escândalos. E ninguém sofreu tantas transformação aos olhos do público do que Jackson.
Mas, esqueçamos as imagens e fiquemos só com o som. Seu gritinho na virada de "Don't stop'til you get enough" é tão marcante quanto os gemidos de James Brown. Seus passos e a sua marca registrada, o moonwalking, para sempre serão imitados por legiões de clones (que agora duplicarão); e, no fim, apagaremos as imagens ruins, e para sempre lembraremos de suas melhores canções, de suas grandes performances.
Ele foi, de certa forma, incompreendido, e os problemas de seu passado - e a falta de infância e adolescência - cobraram um preço alto. Mas foi isso, de certa forma, que ajudou a moldar em que ele se transformou, para o bem e para o mal. Mas agora, ele está livre disso tudo. Para sempre. "
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A Brasília da mídia

Brasília por quê?
Sarney é do Maranhão. Ultimamente tem sido eleito pelo Amapá.
veja o blog
http://www.forasarney.com.br/ e mande
o seu FORA SARNEY personalizado.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A outra Brasília

Recebi o texto abaixo de uma amiga de Brasília. Sei bem do que se trata pois até hoje sou vítima deste preconceito -- basta que eu diga que morei décadas na capital federal: as pessoas me olham feio, seguram suas carteiras, acusam...
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"A construção de Brasília foi um fato épico, uma grande aventura humana no coração do Brasil - dizem que nasceu de uma profecia, que virou sonho, que virou cidade. Mas Brasília parece já ter nascido sob uma maldição que a condena a pagar o pecado original de ter substituído o Rio de Janeiro como capital do País. Afinal, como pode o Brasil tirar a sua sede do litoral civilizado, da cidade maravilhosa e construir uma capital no interior, no mato selvagem?
Esse pecado original tenta forjar a desconstrução de Brasília. Trata-se de um processo midiático que se concentra em revelar a podridão da sede do poder e ao mesmo tempo ignorar aquilo que em Brasília é singularmente bom, humano e civilizado. Na imprensa, quase toda concentrada em duas cidades (Rio e Sampa, meio que "rivais" de Brasília), é clara a voracidade que se tem em escancarar o lado podre em contraste com a extrema má-vontade em noticiar fatos positivos do lugar. Um exemplo: em janeiro de 2008, a mídia brasileira informou que Paris começara a proibir o fumo em locais fechados. Ora, minha gente, aqui em Brasília, a capital do seu país, há muito tempo é proibido fumar nesses locais! Impressiona como a própria imprensa brasileira ignora isso, debaixo de seu nariz! Os jornalistas das sucursais da 'grande imprensa' sabem muito bem disso, mas ninguém no Brasil sabe , pois eles não informam. Já em maio de 2004, o então ministro fumante Ciro Gomes recebeu uma notificação por fumar em órgão público. O fato só virou notícia por outras motivações - a de mostrar a reação do ministro de 'pavio curto', ocultando a informação de que, em Brasília essa lei é cumprida (nenhum veículo informou isso, nenhum, nenhum).
É muito fácil, automático, talvez até um "charme" criticar Brasília, essa Geni em quem todo mundo atira pedras. Em qualquer lugar deste país ouve-se dizer que "Brasília é solidão, frieza, corrupção e custo de vida alto". Os brasileiros, até mesmo aqueles que não conhecem Brasília, possuem uma imagem já pré-concebida, negativa e estigmatizada sobre a cidade. O País inteiro ficou sabendo que, em Brasília, o filho de um então ministro, dirigindo sem habilitação e com a cumplicidade do pai, atropelou e matou um pedestre, como se isso só acontecesse em Brasília e como se pai e filho fossem brasilienses - e não eram.
Por outro lado, ninguém neste país sabe que em Brasília os motoristas respeitam religiosamente a faixa de pedestres - e olha que são 2,5 milhões de habitantes, 1 milhão de veículos e 5.000 faixas (talvez seja o lugar que tenha o maior número de faixa de pedestres em todo o Brasil). O Brasil não sabe que buzinar aqui é um atentado social. Nas entradas da cidade há placas com o aviso: "Senhores visitantes, aqui nós não costumamos buzinar". Aí, eu pergunto: em que cidade deste país, em que cidade com mais de dois milhões de habitantes e 1 milhão de veículos você encontra uma placa como essa? Onde? Claro que há uns e outros que buzinam, mas são poucos. Qualquer morador de Brasília estranha o buzinaço de outras cidades grandes. A cultura daqui é de buzinar só em caso de necessidade. Será que o País sabe que Brasília é uma floresta urbana de 120 metros quadrados de área verde por habitante? Esse número é dez vezes o parâmetro da Organização Mundial de Saúde. Será que o país sabe que Brasília possui 50 milhões de metros quadrados de grama e quatro milhões de árvores, quase duas árvores para cada habitante? Não sabe, claro que não sabe. E você, sabia?
O brasileiro, que não lembra em quem votou na última eleição, também se esquece que 99% dos deputados e senadores representam os estados, ou seja, foram mandados para cá pelos estados. O Distrito Federal só elege oito dos 513 deputados e três dos 81 senadores. Por que ninguém fala isso? O Brasil precisa, de uma vez por todas, atentar para o seguinte: os políticos (99%) não são moradores de Brasília, não vivem, não votam, não moram aqui; eles chegam na segunda e voltam na quinta-feira. Os brasileiros enchem a boca para falar dos "políticos de Brasília", esquecendo que praticamente todos os deputados, senadores e presidentes chegam a Brasília eleitos por eles mesmos.
Singular e plural, Brasília é a síntese do país - para o bem e para o mal.
Brasília, meu amigo, é o Brasil. Brasília são os muitos e incríveis Brasis. "
Esse pecado original tenta forjar a desconstrução de Brasília. Trata-se de um processo midiático que se concentra em revelar a podridão da sede do poder e ao mesmo tempo ignorar aquilo que em Brasília é singularmente bom, humano e civilizado. Na imprensa, quase toda concentrada em duas cidades (Rio e Sampa, meio que "rivais" de Brasília), é clara a voracidade que se tem em escancarar o lado podre em contraste com a extrema má-vontade em noticiar fatos positivos do lugar. Um exemplo: em janeiro de 2008, a mídia brasileira informou que Paris começara a proibir o fumo em locais fechados. Ora, minha gente, aqui em Brasília, a capital do seu país, há muito tempo é proibido fumar nesses locais! Impressiona como a própria imprensa brasileira ignora isso, debaixo de seu nariz! Os jornalistas das sucursais da 'grande imprensa' sabem muito bem disso, mas ninguém no Brasil sabe , pois eles não informam. Já em maio de 2004, o então ministro fumante Ciro Gomes recebeu uma notificação por fumar em órgão público. O fato só virou notícia por outras motivações - a de mostrar a reação do ministro de 'pavio curto', ocultando a informação de que, em Brasília essa lei é cumprida (nenhum veículo informou isso, nenhum, nenhum).
É muito fácil, automático, talvez até um "charme" criticar Brasília, essa Geni em quem todo mundo atira pedras. Em qualquer lugar deste país ouve-se dizer que "Brasília é solidão, frieza, corrupção e custo de vida alto". Os brasileiros, até mesmo aqueles que não conhecem Brasília, possuem uma imagem já pré-concebida, negativa e estigmatizada sobre a cidade. O País inteiro ficou sabendo que, em Brasília, o filho de um então ministro, dirigindo sem habilitação e com a cumplicidade do pai, atropelou e matou um pedestre, como se isso só acontecesse em Brasília e como se pai e filho fossem brasilienses - e não eram.
Por outro lado, ninguém neste país sabe que em Brasília os motoristas respeitam religiosamente a faixa de pedestres - e olha que são 2,5 milhões de habitantes, 1 milhão de veículos e 5.000 faixas (talvez seja o lugar que tenha o maior número de faixa de pedestres em todo o Brasil). O Brasil não sabe que buzinar aqui é um atentado social. Nas entradas da cidade há placas com o aviso: "Senhores visitantes, aqui nós não costumamos buzinar". Aí, eu pergunto: em que cidade deste país, em que cidade com mais de dois milhões de habitantes e 1 milhão de veículos você encontra uma placa como essa? Onde? Claro que há uns e outros que buzinam, mas são poucos. Qualquer morador de Brasília estranha o buzinaço de outras cidades grandes. A cultura daqui é de buzinar só em caso de necessidade. Será que o País sabe que Brasília é uma floresta urbana de 120 metros quadrados de área verde por habitante? Esse número é dez vezes o parâmetro da Organização Mundial de Saúde. Será que o país sabe que Brasília possui 50 milhões de metros quadrados de grama e quatro milhões de árvores, quase duas árvores para cada habitante? Não sabe, claro que não sabe. E você, sabia?
O brasileiro, que não lembra em quem votou na última eleição, também se esquece que 99% dos deputados e senadores representam os estados, ou seja, foram mandados para cá pelos estados. O Distrito Federal só elege oito dos 513 deputados e três dos 81 senadores. Por que ninguém fala isso? O Brasil precisa, de uma vez por todas, atentar para o seguinte: os políticos (99%) não são moradores de Brasília, não vivem, não votam, não moram aqui; eles chegam na segunda e voltam na quinta-feira. Os brasileiros enchem a boca para falar dos "políticos de Brasília", esquecendo que praticamente todos os deputados, senadores e presidentes chegam a Brasília eleitos por eles mesmos.
Singular e plural, Brasília é a síntese do país - para o bem e para o mal.
Brasília, meu amigo, é o Brasil. Brasília são os muitos e incríveis Brasis. "
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* Marcelo Torres, jornalista, baiano radicado em Brasília
* Marcelo Torres, jornalista, baiano radicado em Brasília
* a foto é do Espaço Cultural Renato Russo, para lembrar que Brasília toca rock e tem cultura.
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cidades
Carteira de identidade

O desabafo do jornalista baiano e o aniversário do Seu Capador ontem me fizeram pensar novamente sobre identidade e sentimento de pertencer. O tema é velho, mas está mais na moda do que nunca. Convivo com uma antiga inquietude que se acentuou com a saída de Brasília há três anos e o exercício de adaptação às novas cidades onde agora respiro: o minúsculo povoado de Santo André e a megalópolis paulistana. Tenho o pressentimento que não estou sozinha nesse desconforto, sinto que é algo generalizado, uma pandemia, como a gripe ou a violência.
Não existe agora lugar que possa chamar de meu; parece que há um estranhamento me esperando em cada esquina da vida. Mas como pequenos milagres existem e são até cotidianos, encontros ocorrem onde quer que eu ponha os pés.
Não existe agora lugar que possa chamar de meu; parece que há um estranhamento me esperando em cada esquina da vida. Mas como pequenos milagres existem e são até cotidianos, encontros ocorrem onde quer que eu ponha os pés.
Como pensar nos meus filhos, genro, netos, irmãos: o vínculo do sangue.
Como no convívio com meu companheiro – a estrada mais aberta e ensolarada, de tanta sombra que fomos afastando com o passar dos anos.
Como no almoço com os amigos, ontem, no Guaiú: a construção de uma nova rede social: obra em progresso.
Como o som da campainha e a visão no portão do grupo de adolescentes aprendizes de rádioweb, de jornalista, de filmar e gravar. Hoje à noite, antes da exibição do filme regular do Cine Cajueiro, o palco – que é a rua – e a tela amarrada na cerca serão deles.
E como no aniversário do Seu Capador que ontem fez 87 anos, dançou boi duro e forró, cantou música do folclore e desfilou sua espantosa energia entre nós. É a segunda vez que vejo o povoado parar para comemorar o aniversário de uma pessoa velha (o outro foi o da italiana Dudu). Na rua, as bandeirinhas, as palhas dos coqueiros, a música, a comida e a dança.
Me deu vontade de colocar minha carteira de identidade pregada na roupa, como um crachá.
Como no convívio com meu companheiro – a estrada mais aberta e ensolarada, de tanta sombra que fomos afastando com o passar dos anos.
Como no almoço com os amigos, ontem, no Guaiú: a construção de uma nova rede social: obra em progresso.
Como o som da campainha e a visão no portão do grupo de adolescentes aprendizes de rádioweb, de jornalista, de filmar e gravar. Hoje à noite, antes da exibição do filme regular do Cine Cajueiro, o palco – que é a rua – e a tela amarrada na cerca serão deles.
E como no aniversário do Seu Capador que ontem fez 87 anos, dançou boi duro e forró, cantou música do folclore e desfilou sua espantosa energia entre nós. É a segunda vez que vejo o povoado parar para comemorar o aniversário de uma pessoa velha (o outro foi o da italiana Dudu). Na rua, as bandeirinhas, as palhas dos coqueiros, a música, a comida e a dança.
Me deu vontade de colocar minha carteira de identidade pregada na roupa, como um crachá.
Abaporu
A obra mais conhecida da pintora brasileira Tarsila do Amaral (1928).
influenciando as novas gerações
"pinkie e os pés" (2009)
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familia
terça-feira, 23 de junho de 2009
Mulherada de Santo André
Uma família bonita e sorridente:
Míriam, Marina, Moniquinha e Gaia, a filhinha da Marina que por enquanto ainda está na barriga da mamãe
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Moradores de Santo André
Mulherada de Santo André
Domingo passado a Vera convidou-nos a visitar seu ateliê para conhecermos sua nova produção de bolsas e acessórios femininos.
A mesa principal estava totalmente coberta de mimos: bolsas, bandanas,roupa íntima, bonés.
Uma graça!
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Moradores de Santo André
O mito de Rosebud


Quem já não enjoou de ver o filme Cidadão Kane (1941) incluído na lista dos melhores filmes de todos os tempos?
Citizen Kane foi o primeiro filme do diretor Orson Welles que, nada bobo, contratou os melhores profissionais de sua época -- gente como Bernard Hermann, um ótimo arranjador de trilhas sonoras ou o fotógrafo Gregg Tolland que trabalhou com o plano de fundo como nunca havia antes feito.
Charles Foster Kane, o Cidadão Kane, é um personagem baseado na vida do magnata William Randolph Hearst, o poderoso dono de um império jornalístico. Consta que ele ficou furioso após a exibição do filme devido à palavra misteriosa que Kane pronuncia antes de morrer: rosebud (que em português significa "botão de rosa") era o nome carinhoso que Hearwt usava para denominar a parte íntima de sua mulher.
Hearst destruiu cópias do longa e o difamou em seus jornais resultando em má bilheteria.
A sequência de abertura é lendária: a câmera se aproxima pouco a pouco da mansão onde Hearst morava (Xanadu), aparece o sinal "proibida a entrada", a luz do castelo se apaga e a palavra Rosebud é sussurada de modo surreal, seguida pelo close da mão que solta uma bola de neve para se espatifar no chão e culmina com a morte de Kane. É um começo invertido, o personagem principal morre no começo do filme e sua vida é contada por meio de flash backs, um recurso que nunca havia sido empregado no cinema até então.
O mais interessante é que os flasbacks são inseridos de acordo com a visão de diversos personagens – são vários pontos de vista, o que enriquece o filme de maneira ímpar.
Mas afinal o que é Rosebud?
Mas afinal o que é Rosebud?
Numa resposta fácil, é o trenó de Kane, o símbolo de sua infância antes de se separar de sua mãe para assumir o império que lhe estava destinado. A palavra representa o único tempo feliz na vida de uma pessoa que teve tudo e ao mesmo tempo não teve nada pois não soube transformar sua riqueza material em enriquecimento espiritual.
Rosebud é a busca do tempo perdido a que todos estamos submetidos, a eterna e antiga insatisfação da humanidade.
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cabeçalho do blog de Pedro Henrique
foto de Orson Welles
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cinema
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Novas linhas aéreas para Porto Seguro

"A malha aérea de Porto Seguro ganhará dois novos voos regulares a partir do final do mês de junho. Resultado do trabalho de articulação da Secretaria de Turismo de Porto Seguro e parceiros, os novos voos irão garantir um aumento diário de aproximadamente 30% da capacidade aérea local. O primeiro voo, da empresa Trip, iniciará suas operações no dia 29 de junho, e fará a rota Rio de Janeiro – Porto Seguro – Rio de Janeiro, com previsão de chegada na cidade às 13h e saída às 16h. A conquista foi obtida pela Bahiatursa em parceria com a Secretaria de Turismo de Porto Seguro. “Nosso objetivo é facilitar o acesso dos turistas ao segundo maior destino turístico da Bahia”, disse a presidente da Bahiatursa, Emília Salvador. O segundo voo, operado pela Gol, começará dia 1º de julho, fazendo a rota Brasília – Confins (Minas Gerais) – Porto Seguro.O anúncio foi feito durante reunião do secretário de Turismo de Porto Seguro, Paulo César Magalhães, com a Gol e dez operadores de turismo mineiros. De acordo com Paulo César, as negociações com a Gol foram iniciadas há um mês, após uma visita aos operadores de turismo mineiros. “Durante as reuniões, a principal dificuldade operacional apontada por eles foi a deficiência na malha aérea. Imediatamente iniciamos as articulações com as empresas aéreas para conseguir novos voos”, disse o secretário. Após o anúncio da nova conquista com a Gol, Paulo César seguiu para São Paulo, onde se reuniu com o gerente de Plano de Voos da empresa Tam, Marcos Castanheiro.“Durante o encontro, conversamos sobre as possibilidades de melhoria, inclusive referente ao voo da Tap (parceira da Tam) que vem de Portugal para Salvador em um horário que não permite ao passageiro pegar uma conexão no mesmo dia para Porto Seguro, dificultando o acesso e fazendo o turista mudar seu plano de viagem, excluindo nossa cidade do roteiro”, afirmou. A Tam ficou de avaliar a situação e estudar propostas que possam ser viáveis tanto para a empresa quanto para o destino. "
Fonte: Assessoria de Imprensa – Secretaria de Turismo de Porto Seguro
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viagens
domingo, 21 de junho de 2009
Cultura ou vestidos?

Mafalda nasceu na Argentina no começo da década de 60. Desde cedo a carismática garotinha demonstrou ser politizada, sempre brigando com o mundo da injustiça, guerra e intolerância.
Seu pai é Joaquin Salvador Lavado, conhecido no mundo todo como Quino, um homem cheio de humor e sarcasmo como mostram as tirinhas dedicadas as desigualdade entre as classes, aos conflitos políticos, ou as relações tensas entre as potências mundiais.
A última tirinha da Mafalda foi escrita em 1975, por decisão do próprio Quino.
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quadrinhos
Simetria

"Havia um homem que se sentia atraído por contrabaixos
porque lhe faziam lembrar mulheres nuas com peitos
envernizados.Têm o tipo de ancas, dizia, que levam os homens
à loucura.
Obviamente que não se importava que, por razões de
simetria, as mulheres lhe fizessem lembrar contrabaixos nus.
Delas dizia, também têm o tipo de ancas que levam
os homens
à loucura.
Uma vez pediu a uma mulher para ser o instrumento da sua música.
Ela respondeu, está a brincar, por quem me toma, algum
contrabaixo?…"
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poema de Russel Edson,(1935), considerado o mais importante autor americano de poesia em prosa.
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poesia
A casa da vizinha argentina
hibiscus: a cara da Bahia
Ao lado das mangueiras centenárias da rua.
Quando a campainha tocou olhei na janela vi que era a Nida. Vinha transmitir uma solicitação da nossa vizinha que mora em São Paulo onde trabalha com gastronomia -- será que você poderia bater umas fotos das flores da casa de Ana e mandar para ela?
Adorei a missão: seguem as flores para seu domingo paulistano.
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flora e flores,
Moradores de Santo André
Adriana Varejão

Adriana Varejão (Rio de Janeiro RJ 1964). Pintora. Freqüenta cursos livres na Escola de Artes Visuais do Parque Lage - EAV/Parque Lage, no Rio de Janeiro, entre 1981 e 1985. Faz sua primeira exposição individual em 1988, na Galeria Thomas Cohn, no Rio de Janeiro. Em sua produção, evoca repertório de imagens associadas à história do período colonial brasileiro, como azulejos e mapas. Em obras que se situam entre a pintura e o relevo, emprega freqüentemente cortes e suturas em telas e outros suportes que permitem entrever materiais internos que imitam o aspecto de carne. A artista evoca também o barroco, associando pintura, escultura e arquitetura em seus trabalhos.

fonte: Itaú Cultural
Bolas pretas para Adriana

"Talvez a artista contemporânea brasileira de maior prestígio no mundo, a carioca Adriana Varejão teve seu nome recusado para sócia do Country Club do Rio de Janeiro. Como dizia o colunista Ibrahim Sued, ali se reúnem alguns dos falidos mais esnobes do País. "
coluna de Ricardo Boechat
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comportamento
A elegância do ouriço

"O que é uma aristocrata? É uma mulher a quem a vulgaridade não atinge, embora esteja cercada por esta."
Muriel Barbery, no livro do título
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Literatura
Infância abandonada
("Crianças mal cuidadas são feitas para parecerem invisíveis")
editorial da Isto É
"A Unicef acaba de apresentar estatísticas sobre a situação da infância no Brasil que reforçam um quadro alarmante de falta de atenção ao menor. A pesquisa PNUD, do IBGE, mostra que quase 240 mil jovens com menos de 18 anos são hoje chefes de família. São adolescentes com atribuições como sustentar uma casa ou mesmo criar filhos." (...)
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criança meu amor
Atitute

"Doem dinheiro. Os senhores irão gostar"
Bill Gates, da Microsoft, ao ser indagado sobre alternativas de investimento financeiro
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comportamento
sexta-feira, 19 de junho de 2009
De volta pra casa
Tomara que dê frutos!
O Centro de Cultura e Convivência de Santo André e o Iasa também participaram (olhem a Lola lá).
A viagem foi traquila numa rota bonita, sinuosa, verdejante e levantada por serras. Vimos, de longe (nós e Cabral), o Monte Pascoal.
À noite fomos dar uma voltinha na cidade, bem curtinha, uma cerveja ou duas na praça porque (tem algum itamarajuense aí? ) a cidade é feinha demais, coitada! Além de desengonçada, toca uma barulheira infernal, também conhecida como música brega -- havia caixas de som irradiando ruídos até nos postes públicos.
A foto é de um pé de fruta-pão que havia no hotel; o nevoeiro foi uma surpresa, ao acordar.
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O jogo de xadrez
Achei este lindo post no blog de uma pessoa chamada (?) Princípe Mishkin
, de Coimbra, Portugal
"Cuentan que hace mucho mucho tiempo, quando ainda não existiam egípcios e tutankhamuns, os africanos fabricaram um xadrez mágico que ofereceram, por qualquer motivo que o tempo obscureceu, aos povos do norte da França. Esse xadrez continha o segredo para a imortalidade: em oito jogadas dever-se-ia atingir o xeque-mate. O jogo, porém, não era imediato e a partida levava a vida toda (mas a recompensa era toda a vida). Cada um dos quadrados do tabuleiro significa um dos sessenta e quatro elementos naturais da tabela periódica (na altura desconhecia-se a lista completa dos setenta e dois) e, desse modo, cada jogada era, na realidade, um pedaço da receita para o fabrico do elixir sagrado. As peças eram do tamanho de uma criança de três anos. O xadrez esteve nas mãos de Alexandre Magno, que o jogou ao contrário, para, como Aquiles, ter vida breve, mas ganhar fama eterna. Carlos Magno possuiu-o e, para não esquecer a receita do jogo certo, desenhou uma catedral rendilhada de pistas que só os iniciados saberiam ler, como Robespierre e Casanova. Hoje só sobra um cavaleiro branco enorme, guardado no museu de Moscovo. O governo americano (o Bureau for Paranormal Research, quiçá) ordenou escavações em busca do resto, mas sem sucesso. A estória, decorada por muitos mais pormenores, encontou-ma George hoje (...)"
, de Coimbra, Portugal"Cuentan que hace mucho mucho tiempo, quando ainda não existiam egípcios e tutankhamuns, os africanos fabricaram um xadrez mágico que ofereceram, por qualquer motivo que o tempo obscureceu, aos povos do norte da França. Esse xadrez continha o segredo para a imortalidade: em oito jogadas dever-se-ia atingir o xeque-mate. O jogo, porém, não era imediato e a partida levava a vida toda (mas a recompensa era toda a vida). Cada um dos quadrados do tabuleiro significa um dos sessenta e quatro elementos naturais da tabela periódica (na altura desconhecia-se a lista completa dos setenta e dois) e, desse modo, cada jogada era, na realidade, um pedaço da receita para o fabrico do elixir sagrado. As peças eram do tamanho de uma criança de três anos. O xadrez esteve nas mãos de Alexandre Magno, que o jogou ao contrário, para, como Aquiles, ter vida breve, mas ganhar fama eterna. Carlos Magno possuiu-o e, para não esquecer a receita do jogo certo, desenhou uma catedral rendilhada de pistas que só os iniciados saberiam ler, como Robespierre e Casanova. Hoje só sobra um cavaleiro branco enorme, guardado no museu de Moscovo. O governo americano (o Bureau for Paranormal Research, quiçá) ordenou escavações em busca do resto, mas sem sucesso. A estória, decorada por muitos mais pormenores, encontou-ma George hoje (...)"
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tela de John Singer Sargent
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arte
www.sexo.ponto.com
Notícia do jornal "O Globo"---------------
Pesquisa sobre comportamento sexual divulgada ontem pelo Ministério da Saúde revela que os brasileiros estão fazendo mais sexo fora do casamento e com parceiros que conheceram pela internet. E o cuidado com a prevenção da Aids e outras doenças diminuiu. De acordo com o estudo, 7,3% das pessoas tiveram relações, no último ano, com alguém que encontraram na rede mundial de computadores.
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O terceiro mandato do Lula

Deu na "Folha de São Paulo"
"O deputado José Genoino (PT-SP), relator da proposta de emenda constitucional que permite um terceiro mandado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recomendou o arquivamento do texto. O deputado argumentou que a proposta é inconstitucional, principalmente por tentar mudar as regras para beneficiar os atuais ocupantes de cargos."
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Hoje é o dia do Chico


Hoje Chico Buarque comemora 65 anos. O cantor foi e continua sendo a expressão maior das raízes brasileiras, um homem internacional e profundamente Brasil.
Na manhã de hoje, como de costume, Chico caminhou e correu no calçadão da praia do Leblon, no Rio.
(foto UOL)
Coloco aqui alguns versos seus, de minha predileção
"Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale Ser filho da santa
Melhor seria Ser filho da outra..."
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se alguém quiser colocar mais alguns...
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quinta-feira, 18 de junho de 2009
Mensagem do Irã

"Estou no Irã, acabo de vir de uma passeata imensa que protestava contra a morte de 4 estudantes. Estou adorando ver o povo manifestar-se. A violência está controlada, pelo que parece. Às 9 da noite as pessoas, de dentro de suas casas, gritam suas palavras de ordem. Fico arrepiada.
Facebook, Orkut, celular... tudo bloqueado."
---------
a foto é de Carlos Casalis, em Teerã
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Academia em Santo André
Temos academia no povoado!
Ana Xara e Adriana abriram o antigo Mafuá para este fim. São poucos aparelhos (6) mas tem funcionado com bastante alunos.
Cláudio e eu vamos para lá 3 vezes por semana. Aberto e de frente para a rua, dá para ver o povo passar -- leiteiro, verdureiro, funcionários do Costa Brasilis -- e observar passarinho, árvore e flor.
E a professora Adriana, na foto, é competente e simpática.
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Moradores de Santo André
Itamaraju by night

Ontem à tarde lembramos de um amigo que mora em Itamaraju, um pescador com estilo que conhecemos aqui em Santo André, ex-garimpeiro cheio de estórias improváveis – conhecido como “Roberto, o Mentiroso” – um pescador que gosta de ler: uma vez falamos de “Crime e Castigo”.
Roberto morava no barco: quando chegava do mar jogava as âncoras no rio, se aprontava e saía para conversar.
Não estava, informaram, não mora mais naquele telefone. Pena. Aproveitamos para perguntar ao moço que atendeu a chamada o que tem para fazer em Itamaraju.
“Tem Prado”, foi a resposta.
(Prado é outra cidade)
Roberto morava no barco: quando chegava do mar jogava as âncoras no rio, se aprontava e saía para conversar.
Não estava, informaram, não mora mais naquele telefone. Pena. Aproveitamos para perguntar ao moço que atendeu a chamada o que tem para fazer em Itamaraju.
“Tem Prado”, foi a resposta.
(Prado é outra cidade)
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Santo André e os projetos culturais
Aqui em Santo André da Bahia, um povoado onde vivem umas 800 almas, temos dois centros culturais que funcionam graças às doações de particulares: o Centro de Cultura e Convivência (CCC) e o IASA (Instituto dos Amigos de Santo André). De uns meses para cá, passei a integrar o pequeno grupo de voluntários que doa seu bem mais precioso – o tempo – para cooperar com a disseminação da cultura na Vila.
Visto assim na letra fria parece nada, mas quando vemos a meninada dançando, pintando, desenhando, girando pernas e braços nas rodas de capoeira, tocando flauta ou participando da bandinha rítmica – ah, bem que a gente sente um calorzinho interior porque dificilmente os meninos teriam outra chance como essa, vez que são oriundos de famílias em risco de exclusão social.
No momento estamos procurando conseguir recursos públicos, mas não é simples concorrer nestes editais culturais, exigem papéis e certificados a granel. Daí vem o Ministro da Cultura, Juca Ferreira e lança a frase que já ficou na história cultural deste País:
“Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de Calcutá."
É que ele pretende rever a decisão que proibiu os produtores do músico Caetano Veloso de captar patrocínio da Lei Rouanet para divulgar o novo CD do artista, "Zii e Zie".
Como se por acaso um disco de Caetano Veloso não fosse economicamente viável!
Caetano que me desculpe, mas seria mais justo se os recursos viessem para os novíssimos baianos.
Visto assim na letra fria parece nada, mas quando vemos a meninada dançando, pintando, desenhando, girando pernas e braços nas rodas de capoeira, tocando flauta ou participando da bandinha rítmica – ah, bem que a gente sente um calorzinho interior porque dificilmente os meninos teriam outra chance como essa, vez que são oriundos de famílias em risco de exclusão social.
No momento estamos procurando conseguir recursos públicos, mas não é simples concorrer nestes editais culturais, exigem papéis e certificados a granel. Daí vem o Ministro da Cultura, Juca Ferreira e lança a frase que já ficou na história cultural deste País:
“Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de Calcutá."
É que ele pretende rever a decisão que proibiu os produtores do músico Caetano Veloso de captar patrocínio da Lei Rouanet para divulgar o novo CD do artista, "Zii e Zie".
Como se por acaso um disco de Caetano Veloso não fosse economicamente viável!
Caetano que me desculpe, mas seria mais justo se os recursos viessem para os novíssimos baianos.
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santo andre (centro cultural e Iasa)
Rumo a Itamaraju

O projeto BNB de Cultura para 2010 foi lançado: vão destinar R$ 6 milhões para projetos a serem selecionados nas áreas de música, literatura, artes cênicas e visuais. Haverá oficinas gratuitas para orientar os novatos a elaborar os projetos. Decidi participar para ver se montamos um projeto por aqui.
O problema é que isso só acontecerá em 6 cidades baianas; a mais perto de Santo André é Itamaraju e fica a uns 300 kms de distância. Sei que o pessoal dos centros culturais de Arraial d’Ajuda e Porto Seguro conseguiu uma van para levá-los – vão sair de madrugada, na própria sexta porque o curso começa às 9 da manhã.
Ainda bem que o Cláudio vai comigo! Vamos sair amanhã depois do almoço, dormimos lá – sei lá aonde – e voltamos depois de amanhã após o tal curso para editais.
Esta foto aí mostra o principal ponto turístico de Itamaraju, chama-se Monte Pescoço, aparece até na bandeira da cidade.
O problema é que isso só acontecerá em 6 cidades baianas; a mais perto de Santo André é Itamaraju e fica a uns 300 kms de distância. Sei que o pessoal dos centros culturais de Arraial d’Ajuda e Porto Seguro conseguiu uma van para levá-los – vão sair de madrugada, na própria sexta porque o curso começa às 9 da manhã.
Ainda bem que o Cláudio vai comigo! Vamos sair amanhã depois do almoço, dormimos lá – sei lá aonde – e voltamos depois de amanhã após o tal curso para editais.
Esta foto aí mostra o principal ponto turístico de Itamaraju, chama-se Monte Pescoço, aparece até na bandeira da cidade.
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santo andre (centro cultural e Iasa)
Destino

O filme Match Point de Woody Allen abre com essas palavras:
“O homem que disse: ‘prefiro ter sorte a ser bom’ entendeu profundamente o sentido da vida. As pessoas temem ver como grande parte da vida é dependente da sorte. É assustador pensar que boa parte dela foge do nosso controle. Há momentos no jogo, em que a bola bate no topo da rede e, por um segundo, ela pode ir para o outro lado, ou voltar. Com um pouco de sorte, ela cai do outro lado. E você ganha. Ou talvez não caia. E você perde”.
As primeiras imagens mostram um jogo de tênis e, em câmera lenta, os momentos em que a bola oscila em cima da rede: é uma das metáforas do filme sobre o destino, o fado de cada um. Quando acontece uma tragédia com aviões, como foi o caso agora do vôo 477, é assustador de tirar o fôlego saber das pessoas que embarcaram na última hora ou que não embarcaram e tiveram suas vidas poupadas. Ontem, minha filha me contou que viu num jornal romano, a sina de uma senhora italiana que não conseguiu chegar a tempo no aeroporto de São Paulo e perdeu o desditoso vôo da Air France. A infeliz acabou morrendo apenas uma semana depois em acidente de carro.
“O homem que disse: ‘prefiro ter sorte a ser bom’ entendeu profundamente o sentido da vida. As pessoas temem ver como grande parte da vida é dependente da sorte. É assustador pensar que boa parte dela foge do nosso controle. Há momentos no jogo, em que a bola bate no topo da rede e, por um segundo, ela pode ir para o outro lado, ou voltar. Com um pouco de sorte, ela cai do outro lado. E você ganha. Ou talvez não caia. E você perde”.
As primeiras imagens mostram um jogo de tênis e, em câmera lenta, os momentos em que a bola oscila em cima da rede: é uma das metáforas do filme sobre o destino, o fado de cada um. Quando acontece uma tragédia com aviões, como foi o caso agora do vôo 477, é assustador de tirar o fôlego saber das pessoas que embarcaram na última hora ou que não embarcaram e tiveram suas vidas poupadas. Ontem, minha filha me contou que viu num jornal romano, a sina de uma senhora italiana que não conseguiu chegar a tempo no aeroporto de São Paulo e perdeu o desditoso vôo da Air France. A infeliz acabou morrendo apenas uma semana depois em acidente de carro.
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terça-feira, 16 de junho de 2009
Cabeçalhos bacanas
elasestaolendo.blogspot.com
O que as moças estão lendo é possível verificar no blog delas... agora... que livro será esse que "A leitora submissa" do quadro de Rene Magritte está lendo?

O que as moças estão lendo é possível verificar no blog delas... agora... que livro será esse que "A leitora submissa" do quadro de Rene Magritte está lendo?
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Hoje é dia de Bloom

Celebra-se hoje a obra de um dos maiores escritores de todos os tempos.
São 105 anos da ação de Ulysses, o livro fenomenal onde James Joyce reinventa o gênero literário romance -- tem quase 1000 páginas e conta um dia na vida de Leopold Bloom, um homem comum.
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Coloco, neste post e em outros abaixo, os comentários do poeta e escritor do http://www.apaneutheon.blogspot.com/ simplesmente porque são bonitos e witty (têm malícia, sagacidade.) Para quem gosta de poesia e metafísica, ver o comentário poético no post "Oração ao Tempo".
espero que o livre arbítrio de meu computador não desmanche a métrica
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BLOOM:
flor-
flor-
essência
erran-
erran-
texto
molle-
molle-
avesso
límpi-
límpi-
do it
16.06
16.06
1904:bem antes
de uma eu-
ropa devas-
tada
1922:após o in-
1922:após o in-
ício do caos
2009:ainda cel-
2009:ainda cel-
ebramos,
mesmo, e le-
mós.
fará falta!
fará falta!
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Literatura
Curtinhas

Chegou na minha caixa postal uma mensagem publicitária da indústria InFilm de Beverly Hills, desenhada para vender cursos de cinema na “magia de Hollywood”. São programas de 5 dias que pretendem viabilizar o contato direto entre os cinéfilos ou futuros profissionais (o público) e a indústria cinematográfica norte americana.
Além das palestras, estão incluídas as visitas aos estúdios, sets de filmagem, locais sagrados da trajetória do cinema, universidades e encontro com profissionais dos setores de marketing, produção e distribuição.
A lista das oficinas de cinema é abrangente. O que vem em destaque é o programa produtores – que promete “desvendar todo o processo de criação de um filme como negócio lucrativo”. Há também os cursos-cult como a série filme noir, programa Billy Wilder ou cinema em Cannes.
Se o cinema fosse meu ganha-pão eu trabalharia com edição. Além de “luz, câmera, ação” outra palavra que adoro é “corta!”
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cinema
Mulherada de Santo André
"olimpia e claudio, parabéns pela bela casa, bela acolhida, ótima comida e ótimas companhias.
obrigada por compartilhar.
beijos e um ótimo dia!!! "
-------------Gente, eu também adorei a noite de ontem! Conversar com as pessoas que já são, ou estão se tornando, amigas. Um clima gostoso, relaxado, todo mundo aparentemente bem. Pessoas se reencontrando. Foi bacana.
Acho interessante como a gente capricha no visual. Roupas, colares. Até sapatos charmosos, meias de cor -- chama a atenção num lugar como esse, tão pequeno e à beira-mar. E a produção nova da Vera vem aí -- o lançamento das novas bolsas. Surgiu a idéia de ressucitar os famosos "almoços comunitários" que fazem parte da história de Santo André: sempre me falam disso.
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moda e decoração,
Moradores de Santo André
Liberdade

foto de PC Henriques
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comentário do Piero
"trata
dos peixes
ou das aves?
inverso espelhos
sobre as águas"
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Fotografia
Figuras de Santo André da Bahia
recebi do IASA-------
"Já estamos acostumados a ver o Léo tirar do forno seus deliciosos pães integrais, mas hoje uma novidade, um livro!
Quentinho, saído do forno! Nosso versátil yogin, padeiro e agora escritor, surpreende, não somente pelo ato de
escrever, mas pelo tema: o “curandeiro” João Capador, que reside há mais de 30 anos em Santo André e receita para quem o procura, plantas medicinais. E foi assim que esta idéia surgiu: após se consultar com seu João, Léo se sentiu tremendamente curado e decidiu escrever sobre ele e para ele, foi assim, uma forma de retribuir. Este livreto são apenas algumas pinceladas sobre seu João e suas curas, através do depoimento de alguns moradores. Ao final, um catálogo com algumas ervas medicinais utilizadas por ele, nome científico e suas propriedades curadoras.
Um estímulo para os escritores de plantão pegarem o gancho e se aprofundarem em uma real obra literária, mas valeu a homenagem e muito! Seu João e família estão muito felizes com o registro! Principalmente Dona Nenzinha, casada há 40 anos com Capador, sua eterna namorada, o livreto foi um excelente presente para este 12 de junho e também para comemorar no dia 23 de junho, os 87 anos deste jovem pajé (o segredo da juventude deve estar nas plantas!)
Também para comemorar a data, o nosso professor da lutheria Marcelo Bottini e o nosso monitor de capoeira Pingüim, farão uma apresentação de maculelê e percussão na porta da Merceria Bom Jesus da Lapa. Também está sendo organizada uma apresentação de boi duro, puxado pelo seu João Capador. Laide, uma das artesãs e que está no livro dando seu depoimento, promete fazer a cabeça do boi duro."
"Já estamos acostumados a ver o Léo tirar do forno seus deliciosos pães integrais, mas hoje uma novidade, um livro!
Quentinho, saído do forno! Nosso versátil yogin, padeiro e agora escritor, surpreende, não somente pelo ato de
escrever, mas pelo tema: o “curandeiro” João Capador, que reside há mais de 30 anos em Santo André e receita para quem o procura, plantas medicinais. E foi assim que esta idéia surgiu: após se consultar com seu João, Léo se sentiu tremendamente curado e decidiu escrever sobre ele e para ele, foi assim, uma forma de retribuir. Este livreto são apenas algumas pinceladas sobre seu João e suas curas, através do depoimento de alguns moradores. Ao final, um catálogo com algumas ervas medicinais utilizadas por ele, nome científico e suas propriedades curadoras.
Um estímulo para os escritores de plantão pegarem o gancho e se aprofundarem em uma real obra literária, mas valeu a homenagem e muito! Seu João e família estão muito felizes com o registro! Principalmente Dona Nenzinha, casada há 40 anos com Capador, sua eterna namorada, o livreto foi um excelente presente para este 12 de junho e também para comemorar no dia 23 de junho, os 87 anos deste jovem pajé (o segredo da juventude deve estar nas plantas!)
Também para comemorar a data, o nosso professor da lutheria Marcelo Bottini e o nosso monitor de capoeira Pingüim, farão uma apresentação de maculelê e percussão na porta da Merceria Bom Jesus da Lapa. Também está sendo organizada uma apresentação de boi duro, puxado pelo seu João Capador. Laide, uma das artesãs e que está no livro dando seu depoimento, promete fazer a cabeça do boi duro."
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Moradores de Santo André
A viagem do elefante

O último livro do escritor José Saramago trata de um acontecimento bizarro. Em meados do século XVI, o arquiduque austríaco Maximiliano recebeu um elefante como presente de casamento, enviado por "dom João, o terceiro, rei de portugal e dos algarves, e de dona catarina de áustria, sua esposa e futura avó daquele dom sebastião que irá pelejar a alcácer-quibir e lá morrerá ao primeiro assalto, ou ao segundo, embora não falte quem afirme que se finou por doença na véspera da batalha".
O protagonista do romance não é o arquiduque nem a dona Catarina: é Salomão, o elefante e Subhro, seu cornaca* (*”aquele que guia elefantes e deles cuida”). O tom irônico do narrador aparece logo no uso das iniciais minúsculas e no comentário nada lisonjeiro à memória do ilustre Dom Sebastião.
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Literatura
Triste Tópico
escrito por David Coimbra, no Jornal gaúcho Zero Hora, em 28.12.2007"Certa noite de chuva"
Chovia muito no último dia em que vi meu pai. Eu estava com oito anos de idade e padecia na cama com 40ºC de febre. Amígdalas.
Meus pais tinham se desquitado havia já alguns meses. Eu, meus irmãos e minha mãe morávamos num apartamento de um quarto na Assis Brasil. Ele foi nos visitar e deparou comigo tiritando sob a coberta.
Lembro com nitidez daquela noite, dele parado à soleira da porta do quarto, de pé, olhando-me, e minha mãe ao lado, com o papel da receita do médico na mão. Ele tomou a receita e ofereceu-se para ir à farmácia. Deu as costas para o quarto, mergulhou na escuridão do corredor e foi embora. Nunca mais o vi.
Logo depois ele se mudou para outro Estado, no Centro-Oeste, e lá construiu o resto da sua vida. Um dia de 2001 alguém me disse:
- Teu pai morreu ontem.
E eu não sabia o que sentir.
Não conto essa história com ressentimento. Porque acho que entendo o que aconteceu com meu pai, naquela noite de chuva. Ao sair do apartamento, ele de fato tencionava comprar os remédios.
- Vou comprar dois de cada! - recordo que disse.
Mas meu pai era alcoolista. Na rua, deve ter cruzado pela porta de um bar, ou com um amigo, e parou para beber. Quando deu por si, era tarde para ir à farmácia e tarde para desculpar-se. Continuou bebendo, gastou todo o dinheiro e, no dia seguinte, envergonhado, preferiu não dar notícias. Assim passou-se um dia, e outro, e mais outro. De repente, havia transcorrido tempo demais para voltar atrás ou para dar explicação. Meu pai não enfrentou a própria vergonha, isso não é incomum. Acontece. É compreensível.
O que sempre me enfeitiçou nessa história, que, afinal, é parte da minha própria história, não foi o detalhe da desistência do meu pai. Não foi o abandono. Foi o momento em que meu pai decidiu entrar no bar. Uma decisão tão aparentemente irrelevante, tão fácil de ser tomada, dar dois passos da calçada em direção a uma porta aberta, e, ao mesmo tempo, uma decisão tão crucial. Fico pensando em como a vida é repleta dessas pequenas deliberações que podem alterar rumos e mover destinos. Fico pensando em todas as palavras espinhosas não ditas, nas vezes em que o sinal amarelo não foi cruzado, em que o gatilho não foi apertado, em que não liguei para ela, nas chances que deixei passar, e nas vezes em que fiz tudo isso, por bem ou por mal. Um passo, uma palavra, um gole, um pedido de perdão que não foi feito, e tudo muda. Mudou para meu pai. Mudou para mim. Neste fim de ano, o que desejo a todos é isso, que o passo seja certo, que a palavra seja macia, que o gole valha a pena, que o perdão seja pedido. E concedido. "
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Arte: uma opinião
" Se perguntarmos para que serve a arte, iremos ver que não são poucos os autores, dos mais anônimos aos mais conhecidos, que disseram que no fundo, no fundo, a arte não serve para nada. Quer dizer, não tem um valor utilitário, não se come, não se veste, não dá abrigo, não nos transporta de um lado para o outro… a sua ausência não traria risco para a nossa existência física, não poria a nossa espécie em vias de extinção. Partindo desta premissa (e sei que estou a ser redutor), se não serve para nada, então porque é que tantas vezes a arte incomoda tanto (tal como o sexo e o humor)? É impressionante a quantidade de obras das várias artes que foram alvo de censura ao longo do tempo, em todos os lugares deste planeta. Livros, filmes, quadros, músicas, fotografias, exposições… foram e continuam a ser proibidos, censurados, destruídos, queimados, obliterados por poderes, governos, igrejas, seitas, loucos, gente que se sente incomodada por algo que, no fundo, não serve para nada. Não é que essa gente, pelo menos alguns, ponha em causa o direito desta existir, não, a questão é que a querem domesticada, mansa, decorativa.
Exatamente para não servir para nada."
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blog do Guaciara (wordpress)
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tela: Matisse "The joy of life"
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domingo, 14 de junho de 2009
Ponta de Santo André na Bahia
Minha irmã e sobrinhos, em tarde de estio nos nossos primeiros tempos como moradores dessa fronteira chamada Santo André.
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Oração ao tempo

O domingo chegou inesperadamente. Parece que as semanas encolhem à medida que a idade avança, como se os dias estivessem saltando trêfegos para fora do calendário. Passo em revista a fileira de atividades à procura das infiltrações por onde escorrem os dias que se vão sem deixar herança de horas-extras nem minutos intermináveis.
Fomos todos deserdados por Cronos e só nos resta permanecer afobados, interminavelmente, neste mal estar da efemeridade permanente.
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Trago da literatura – esse mundo apaixonante onde caminho às cegas, movida apenas pelo gosto e pelo sentimento – um trecho de Osman Lins, em Avalovara:
“Os relógios, escreve Julius têm estreita ligação com o mundo e o que representam ultrapassa largamente a sua utilidade. Desde a origem, opõem ao eterno o transitório e tentam ser espelho das estrelas. Mais ainda: exprimem em números simples – tão simples que, ingenuamente, julgamos compreendê-los – o ritmo impresso desde a origem à marcha solene e delicada dos astros. Vede os relógios de Sol. Pode-se, após alguma reflexão, continuar a crer que Anaximandro de Mileto, quando fabrica quadrantes, quer apenas facilitar a divisão do dia em horas? O que ele pretende é converter a luz solar, seu giro harmonioso, numa flor geométrica que feneça ao anoitecer.”
Fomos todos deserdados por Cronos e só nos resta permanecer afobados, interminavelmente, neste mal estar da efemeridade permanente.
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Trago da literatura – esse mundo apaixonante onde caminho às cegas, movida apenas pelo gosto e pelo sentimento – um trecho de Osman Lins, em Avalovara:
“Os relógios, escreve Julius têm estreita ligação com o mundo e o que representam ultrapassa largamente a sua utilidade. Desde a origem, opõem ao eterno o transitório e tentam ser espelho das estrelas. Mais ainda: exprimem em números simples – tão simples que, ingenuamente, julgamos compreendê-los – o ritmo impresso desde a origem à marcha solene e delicada dos astros. Vede os relógios de Sol. Pode-se, após alguma reflexão, continuar a crer que Anaximandro de Mileto, quando fabrica quadrantes, quer apenas facilitar a divisão do dia em horas? O que ele pretende é converter a luz solar, seu giro harmonioso, numa flor geométrica que feneça ao anoitecer.”
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comentário de Piero Eyben:
"um relógio e
o devorar
do pai ao
filho, podendo
ser um goya
terrível: metade
de tudo.
julius poderia
ter pensado em
heráclito ou
em zenão - no
fundo toda mobi-
lidade é também
imóvel - mas não
pensou em ser
mais físico,
marcando-nos
com a técnica:
impõem-se os
DIAS."
o devorar
do pai ao
filho, podendo
ser um goya
terrível: metade
de tudo.
julius poderia
ter pensado em
heráclito ou
em zenão - no
fundo toda mobi-
lidade é também
imóvel - mas não
pensou em ser
mais físico,
marcando-nos
com a técnica:
impõem-se os
DIAS."
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Que presentes, os comentários de Piero.
obrigada!
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Literatura
sábado, 13 de junho de 2009
Hermes criará seus próprios crocodilos


"A grife de luxo francesa Hermès começou a criar seus próprios crocodilos em fazendas na Austrália para atender a demanda por suas bolsas e sapatos, segundo a agência de notícias Reuters.
Mesmo em meio à crise econômica global – e com preços que podem passar dos 90 mil reais – a lista de espera para algumas das bolsas de peles exóticas da Hermès é de vários anos.
Segundo o presidente da marca, Patrick Thomas, cada bolsa de crocodilo pode usar entre três e quatro animais. A empresa produz cerca de três mil unidades com esse tipo de pele por ano.”
Mesmo em meio à crise econômica global – e com preços que podem passar dos 90 mil reais – a lista de espera para algumas das bolsas de peles exóticas da Hermès é de vários anos.
Segundo o presidente da marca, Patrick Thomas, cada bolsa de crocodilo pode usar entre três e quatro animais. A empresa produz cerca de três mil unidades com esse tipo de pele por ano.”
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do blog ohermenauta para a sociedade protetora dos animais
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Grafite de tricô

Uma tendência na cena do grafite -- cobrir propriedades públicas com tricô.
O movimento se chama "yarn bombing" (algo como bombardeio de novelos), surgiu nos EUA e se espalha pelo mundo como forma de manisfestação artística.
Amazônia, a última fronteira

Deu na Folha de São Paulo (matéria de César Benjamin)
"(...) Se a medida provisória 458 for sancionada pelo presidente da República, na forma como saiu do Congresso Nacional, estaremos diante de uma volta ao passado.
Uma área maior do que o Estado da Bahia será doada a particulares sem cuidados que garantam condições mínimas de justiça, progresso e sustentabilidade. Grandes e médios proprietários ficarão com mais de 70% das terras que hoje são públicas. Um grileiro ou uma empresa que tenham 50 prepostos poderão legalizar, praticamente de graça, latifúndios de 75 mil hectares, mesmo que já possuam outras propriedades rurais. Por persuasão ou por coação dos pequenos, em uma região em que o Estado é ausente e falha a cobertura da lei, estará aberto o caminho para um aumento desenfreado da concentração fundiária.
A Amazônia é uma região frágil, onde se chocam interesses nacionais e internacionais, sem que Estado e sociedade tenham sido capazes de definir e implementar um projeto coerente de desenvolvimento. É um dos grandes desafios para o nosso futuro, talvez o maior de todos. "
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a medida provisória trata da regularização de terras da Amazônia situadas em terras da União.
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foto de ricardo hellboy
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ecologia
"Meu rosto é uma máscara que não consigo remover"
Filha de um rico empresário austríaco, Hedy Lamarr chegou no pico da popularidade na década de 40, quando já tinha feito o polêmico filme tcheco "Êxtase" onde protagonizou a primeira nudez cinematográfica. As cenas mostram a corrida dela por entre o arvoredo, o mergulho na água e a simulação do ato sexual com minúcias de closeups para o orgasmo. Durava 10 minutos longos demaispara a moral americana da época.Como toda nudez é castigada, a fita foi banida de muitos países; saiu do circuito e as cópias foram destruídas ou readquiridas pelo marido, um industrial do ramo bélico, ao custo de centenas de milhares de dólares.
Hedwig Eva Maria Kiesler tornou-se Hedy Lamarr após fugir do primeiro marido e da Europa para ser diva em Hollywood. Estrelou 25 filmes ao lado de astros como Clark Gable, James Stewart, Spencer Tracy e Judy Garland. Teve poucos filhos: apenas 3 para 6 casamentos.
O tipo de persona que ela encarnava -- a mulher de cabelos negros e sensualidade à flor da pele -- exerceu uma influência significativa no cinema e na cultura popular. E duradoura: no final dos anos 90 ela ganhou uma batalha judicial após acionar os produtores do software Corel Draw 8 por terem colocado uma imagem dela quando jovem na capa do produto.
Não era apenas bela: conseguiu criar e patentear uma invenção sua no campo de telecomunicações que foi utilizada pelo governo americano na segunda guerra mundial e serviu de base para o que é atualmente a telefonia celular.
O tipo de persona que ela encarnava -- a mulher de cabelos negros e sensualidade à flor da pele -- exerceu uma influência significativa no cinema e na cultura popular. E duradoura: no final dos anos 90 ela ganhou uma batalha judicial após acionar os produtores do software Corel Draw 8 por terem colocado uma imagem dela quando jovem na capa do produto.
Não era apenas bela: conseguiu criar e patentear uma invenção sua no campo de telecomunicações que foi utilizada pelo governo americano na segunda guerra mundial e serviu de base para o que é atualmente a telefonia celular.

Edilamar - o nome do barco.
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Cine Paradiso - os beijos cortados

Aquela sequência linda dos beijos censurados pelo padre, no final do filme, com a música de Enio Morricone
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sexta-feira, 12 de junho de 2009
As dificuldades e a criatividade do Centro Cultural
Como todo mundo daqui sabe, as 3 pequenas instituições que sonham em agregar qualidade ao precário ensino público de Santo André, enfrentam diariamente as dificuldades trazidas pela falta de recursos.
Só sobrevivem à custa de doações particulares.
No caso do Centro de Cultura e Convivência de Santo André, continuamos a contar com o suporte (ainda imprescindível) do casal Keseberg e outros doadores.
E com a criatividade (e abnegação) dos professores. Este mês faltou papel para as crianças pintarem, nas aulas de artes plásticas. A solução encontrada foi pintar a cerca.
Ficou lindo e a animação das crianças com as tarefas foi contagiante!
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santo andre (centro cultural e Iasa)
Um blog incomoda muita gente

"O pavor da grande imprensa e de seus aliados da oposição é outro: é o da concorrência dos blogs e da internet, da democratização da mídia. Blogs que qualquer empresa ou cidadão podem ter colocam em xeque o monopólio da informação. Não vamos nos iludir: o que está em jogo é esse monopólio e a força que ele dá aos proprietários de órgãos de comunicação.
É uma disputa pelo poder na sociedade. Essa ofensiva da grande imprensa contra os blogs e a internet não é de agora. Iniciou-se há tempos. Só intensificou-se nas duas últimas semanas com a criação do blog da Petrobrás." (desabafo de Ricardo Noblat)
É uma disputa pelo poder na sociedade. Essa ofensiva da grande imprensa contra os blogs e a internet não é de agora. Iniciou-se há tempos. Só intensificou-se nas duas últimas semanas com a criação do blog da Petrobrás." (desabafo de Ricardo Noblat)
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a blogueira do Querido Leitor foi à Alemanha participar da cerimônia de entrega dos prêmios aos melhores blogs (o prêmio chama-se The Bobs e é patrocinado pela Deustche Welle e o dela recebeu o prêmio de "melhor blog em língua portuguesa").
O vencedor chinês não pode ir porque o governo não permitiu.
O mesmo aconteceu com Yoani Sánchez, a cubana dona do famoso blog Geração Y, e que é considerada (pela revista Time) como uma das cem pessoas mais influentes do mundo.
Havia também uma garota iraniana membro de um blog coletivo -- as outras ficaram no Irã. Estão presas, justamente por causa do blog.
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ilustração de Carla Caliman
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internet
Para quem gosta de futebol

"RIO - A seleção brasileira chegou ontem ao spa onde ficará concentrada na cidade de Bloemfontein, local da estréia na Copa das Confederações da África do Sul contra o Egito na próxima segunda-feira, às 11h. O voo de Recife a Johanesburgo e depois para Bloemfontein foi tranquilo. No dia seguinte da vitória sobre o Paraguai em Recife, os jogadores apareceram sorrindo bastante apesar do frio de 8º C. O primeiro treinamento acontece na tarde desta sexta-feira. Depois de enfrentar o Egito na segunda-feira, o Brasil tem pela frente os Estados Unidos, quinta-feira, e a Itália no outro domingo. "
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Kaká, na foto do jornal "O globo"
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esportes
quinta-feira, 11 de junho de 2009
www.santoandre.blogspot.com

"Caros amigos e conterrâneos ... se há coisa que estimamos e valorizamos em Santo André é a sua envolvente reserva natural a servir de habitat para inúmeras espécies, representando uma natureza em estado quase “selvagem”, que garantem à Freguesia de Santo André um motivo muito forte para ser cada vez mais, um destino procurado para férias.
Julgo ser um objectivo de todos que esta terra seja agradável para os que cá vivem, e também para os que nos pretendam visitar. A aposta no turismo não passa só por construir mais hotéis. É preciso preservar e proteger os nossos recursos naturais. Santo André tem a felicidade de possuir um conjunto de praias em estado selvagem.
Ao longo nos últimos anos temos assistido a um aumento significativo do número de turistas que, cansados das praias shopping, procuram cada vez mais locais onde exista abundância de espaço e uma natureza quase virgem. As praias de Santo André preenchem estes requisitos. "
Julgo ser um objectivo de todos que esta terra seja agradável para os que cá vivem, e também para os que nos pretendam visitar. A aposta no turismo não passa só por construir mais hotéis. É preciso preservar e proteger os nossos recursos naturais. Santo André tem a felicidade de possuir um conjunto de praias em estado selvagem.
Ao longo nos últimos anos temos assistido a um aumento significativo do número de turistas que, cansados das praias shopping, procuram cada vez mais locais onde exista abundância de espaço e uma natureza quase virgem. As praias de Santo André preenchem estes requisitos. "
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Gente de Santo André: não é a nossa cara?
Só que não é Bahia, é Santo André de Portugal...o endereço do site deles é o do título deste post.
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Santo André (Bahia)
Se esta rua fosse minha
Esta é a rua onde moramos em Santo André da Bahia: é nesse espaço, em frente à cerca de eucaliptos, que passamos os filmes para os jovens daqui.
A lixeira foi feita pelo Oto: recentemente a família do Samir mandou colocar muitas delas, pelo povoado. Tem lixeira até na frente da igrejinha católica.
Tomara que o verde da rua permaneça: é melhor que pedrinhas de brilhantes.
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Santo André (Bahia)
YouTube - Glenn Gould plays Bach


Reparem
no olhar
do
pianista
para o
teclado...
É Glenn
Gould,
uma
das figuras mais excêntricas e celebradas do universo da música erudita: segundo uma das versões, Gould era vítima da síndrome de Asperger, uma variação de autismo (desinteresse pelas relações humanas, falta de empatia).
Canadense, nasceu Gold (1932) -- o nome foi trocado para Gould por sua família, para protegê-lo do ambiente anti-semita que existia (também no Canadá) na década de 30.
Seu nome ficou especialmente ligado às Variações Goldberg, de Bach, uma peça de especial apreço para os ouvintes de música clássica.
-----------
"glenn, vislumbre do nome,em trinco de ponto e contraponto..." (versos de Piero Eyben)
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Aqui um fragmento desse louco genial gravado em 1959, em ambiente caseiro
http://www.youtube.com/watch?v=qB76jxBq_gQ
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quarta-feira, 10 de junho de 2009
O beijo do dia é do Edvard Munch

As telas deste pintor norueguês parecem refletir os sentimentos ligados à essência do homem. Pelo menos é o que os títulos sugerem: O Grito, Ansiedade, Melancolia, Ciúme, Separação e Desejo..Sentimentos eternos da natureza humana.
O beijo (luxúria em óleo) é de 1897.
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arte
A greve da USP: duas opiniões

Os funcionários da USP, a maior e talvez a melhor universidade do Brasil, estão em greve há 38 dias. O movimento levou o governador José Serra a enviar um contigente militar com cerca de 200 homens para ocupar o campus.
-----------------
A primeira opinião, abaixo é de Idelber Avelar:
"O Sr. José Serra, que quer governar o Brasil – embora ainda não tenha oferecido nenhum motivo que dê credibilidade à sua candidatura –, demonstra mais uma vez sua truculência, seu autoritarismo, sua vocação ditatorial, sua completa incapacidade para dialogar com os movimentos sociais. O governo pelo qual ele responde enviou o batalhão de choque para reprimir a greve na USP. Eles estão atirando bombas nos estudantes (e vejam a cretinice do Globo, ao falar de "confronto").
Os alunos, no momento em que escrevo, se reuniram no prédio da História. Mesmo assim, a polícia continua bombardeando. São cenas de invasão e massacre contra estudantes que, no interior de um campus universitário, foram raríssimas mesmo durante a ditadura militar. "
Os alunos, no momento em que escrevo, se reuniram no prédio da História. Mesmo assim, a polícia continua bombardeando. São cenas de invasão e massacre contra estudantes que, no interior de um campus universitário, foram raríssimas mesmo durante a ditadura militar. "
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A crise na USP: segunda opinião

"Não aprovo a maneira como o Sindicato dos Funcionários da USP atua. Vídeos colocados no Youtube por alunos da Poli mostram uma agressividade incompatível com o ambiente acadêmico. Condeno também o uso de piquetes para impedir professores e alunos de frequentarem as aulas.
Vou além: acho que a democracia na Universidade consiste em prestar contas aos contribuintes e à comunidade em geral. Essa história de pensar a Universidade como um ser autônomo, alvo de disputa de poder entre Conselho Universitário, professores, funcionários e alunos não cola. A Universidade deveria ser um centro de excelência, com metas definidas de produção acadêmica e formação de alunos, critérios de acompanhamento da qualidade, e com gestão profissional que colocasse todas as forças a serviço do cumprimento de sua missão."
Vou além: acho que a democracia na Universidade consiste em prestar contas aos contribuintes e à comunidade em geral. Essa história de pensar a Universidade como um ser autônomo, alvo de disputa de poder entre Conselho Universitário, professores, funcionários e alunos não cola. A Universidade deveria ser um centro de excelência, com metas definidas de produção acadêmica e formação de alunos, critérios de acompanhamento da qualidade, e com gestão profissional que colocasse todas as forças a serviço do cumprimento de sua missão."
------------
Luis Nassif
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política
Picasso e Brigitte Bardot

Amei esta imagem: os quadros do pintor atrás da Brigitte, a pose displicente dela... que par insólito!
Lembrei de uma música que a Nina Hagen canta -- chamada Springtime in Paris (Primavera em Paris), que tem um trecho assim
"Bonsoir Madame Catherine Deneuve
Bonsoir Monsieur Truffaut
Voulez, voulez-vous un Picasso
Ou coucher avec Brigitte Bardot? "
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tradução livre dos dois últimos versos
"Você prefere um (quadro) do Picasso
ou dormir com a Brigitte Bardot?"
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Livros, adeus!

Saiu na revista Valor
"Na sua cruzada para reduzir bilhões de dólares do crescente déficit orçamentário da Califórnia, Arnold Schwarzenegger vem liderando a investida rumo à geração do Twitter com uma promessa de substituir os caros e “superados” livros de texto escolares por aparelhos digitais.
O Estado está prestes a se tornar o primeiro nos EUA a abandonar os livros escolares impressos. Schwarzenegger, o governador do Estado, disse que a iniciativa poderá economizar até US$ 350 milhões ao ano.
“Os livros escolares estão superados no que me diz respeito”, disse. “Não existe motivo para nossas escolas obrigarem os nossos estudantes a arrastar esses livros escolares antiquados, pesados e caros. A Califórnia é a terra natal do Vale do Silício, líder mundial em tecnologia e inovação, portanto podemos fazer melhor do que isso.”
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terça-feira, 9 de junho de 2009
Raul Seixas, o início, o fim e o meio

Raul Seixas morreu aos 44 anos de idade, em 21 de agosto de 1989, apenas dois dias após o lançamento de seu vigésimo disco (A panela do diabo), um título profético e adequado a quem em vida mereceu ser chamado de revolucionário, louco, visionário, esotérico e quetais.
Vinte anos após, o maluco beleza e seu baú vão parar no cinema no documentário Raul Seixas, o início, o fim e o meio, com direção de Walter Carvalho, o mesmo cineasta que filmou Budapeste, baseado no romance homônimo de Chico Buarque.
Durante a Virada Cultural de São Paulo, em maio deste ano, um bando de bandas celebrou sua discografia, durante o show batizado de “O Palco toca Raul” . O palco tocou Raul durante 24 horas na Estação da Luz, sem perder nenhuma de suas clássicas canções populares – Gita, Ouro de Tolo, Metamorfose ambulante...
O pacote de lançamentos que homenageia a obra de Raul Seixas já está na ordem do dia, afinal o baiano parece ser atemporal. Só para ilustrar, a principal comunidade do Orkut dedicada ao artista tem mais de cem mil adeptos. Além do longa metragem teremos uma biografia, um DVD documental , um CD de gravações raras e certamente muita mistura do baú.
Zeca Baleiro tem uma música chamada "Toca Raul" que diz assim
"Mal eu subo no palco
"Mal eu subo no palco
Um mala um maluco já grita de lá
-Toca raul!
A vontade que me dá é de mandar
O cara tomar naquele lugar
Mas aí eu paro penso e reflito
como é poderoso esse raulzito
Puxa vida esse cara é mesmo um mito..."
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trouxe esta foto do blog do Guaciara porque acho a cara do Raul
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Fim de caso

Quando julho chegar Cláudio, Caio e eu estaremos em Paraty para viver 5 dias em torno de livros e escritores: vamos para a FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Desde abril garantimos um quarto e banheiro coletivo para a família, numa daquelas pousadas que tem aos montes por lá mas que agora estão incrivelmente caras (e cheias) por causa deste evento que não cessa de atrair leitores dos quatro cantos do País.
Na programação há 34 autores, e não apenas de ficção. Vem Richard Dawkins, um dos darwinistas mais influentes do mundo, (escreveu “O gene egoísta e Deus, um delírio”) vem Alex Ross, o crítico de música erudita da prestigiada revista New Yorker, conhecido pelo esforço de atrair novos ouvintes para a música clássica. Ross escreveu “O resto é ruído”, listado pelo jornal New York Times como um dos 10 melhores livros de 2007 e que está vendendo horrores no Brasil.
Outra presença interessante é a da artista plástica francesa Sophie Calle. Ela transformou uma experiência amorosa decepcionante em matéria de arte. A estória lembra o verso de Fernando Pessoa “todas as cartas de amor são ridículas” (ou será que é ridículo não escrever cartas de amor?) . É que o namorado da Sophie não querendo mais se relacionar com ela, foi-se. Só que faltou coragem para o rapaz dizer isso em pessoa: mandou um email para a mulher, terminando a relação e, na maior cara de pau acrescentou, no final, a recomendação “te cuida” (prenez soin de vous, em francês). Vide foto.
O que ela fez? Uma exposição.
Gravou em vídeo mais de cem pessoas lendo e comentando o email "pé na bunda". Entre os participantes estão sua própria mãe, as atrizes Jeanne Moreau e Victoria Abril, a compositora Laurie Anderson e vários especialistas – uma lingüista, uma taróloga, um advogado – Sophie pediu a todos para analisarem o texto pelo prisma de cada especialidade. Juntou todo este material e fez a instalação, um dos trabalhos mais comentados da Bienal de Veneza em 2007. No Brasil, esta obra estará em exposição em São Paulo (julho) e em setembro no MAM de Salvador.
Sophie Calle e o ex-namorado vão debater sobre o trabalho “te cuida” durante a FLIP.
Aberto ao público em geral.
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Parabéns pra você...
Curta muito seu aniversário, meu amigo.Eu não poderei ir à sua festa, mas vou mandar alguém em meu lugar.
Manuel Bandeira

Este ano, o homenageado da FLIP é o poeta recifense autor dos versos abaixo
"Céu
A criança olha
Para o céu azul
Levanta a mãozinha.
Quer tocar o céu.
Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quando o tem na palma da mão"
Para o céu azul
Levanta a mãozinha.
Quer tocar o céu.
Não sente a criança
Que o céu é ilusão:
Crê que o não alcança,
Quando o tem na palma da mão"
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Crianças precoces

No outro dia estava numa grande livraria quando vi um vendedor separando livros infantis dos livros comuns. Fiquei estupefata quando o vi atirar Germinal de Emile Zola na cesta das crianças. Nunca li o livro, mas sei que trata da vida de homens-animais que trabalhavam em minas de carvão, na França e que um dos personagens se chama Boa Morte, por insistir em não morrer nos inúmeros acidentes das escavações. Não resisti e perguntei ao moço se ele achava que os pimpolhos gostariam daquela leitura; respondeu-me que sim: era uma edição resumida e simplificada.
Puxa, como tem meninos precoces por aí.
Puxa, como tem meninos precoces por aí.
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domingo, 7 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
Um olhar no povoado de Santo André da Bahia
Esta semana houve uma reunião aqui no povoado sobre o Orçamento Participativo, uma experiência de política pública cujo objetivo declarado é viabilizar a participação da população na escolha das prioridades a serem atendidas com recursos públicos.
Aconteceu na escola municipal – estava cheio. Tudo vira festa, em cidade pequena. Havia crianças elétricas, velhos calados traindo a curiosidade pelo jeito do olhar, adolescentes explodindo de inquietação, adultos de ambos os sexos: o burburinho fez com que o primeiro palestrante precisasse pedir silêncio.
Era um sociólogo: estava ali para explicar. Falou falou e talvez por ter abusado das palavras não logrou o seu intento. Naquela enxurrada de informações e do uso de palavras e conceitos não usuais no contexto de Santo André, mesmo prestando atenção, era difícil entender. Um senhor da platéia, cansado, interpelou-o, até com uma indesejável rispidez, mas adorei o efeito: o homem abreviou a agonia discursiva.
Infelizmente para nós, o povo, muitas vezes os homens dito públicos fazem o seu trabalho com enfado, como um velho professor que já decorou as lições e dá aulas de forma automática, sem alma, sem procurar o envolvimento dos ouvintes.
Após um intervalo curto demais para as perguntas chegou a vez do prefeito: falou com desenvoltura, demonstrando mais segurança agora do que na época da campanha. Ouviu com paciência as antigas reivindicações sem deixar de frisar o rombo orçamentário deixado pelo prefeito anterior.
Aí está a maior vantagem deste novo governo municipal: o anterior foi tão ruim e corrupto que a esperança voltou a zunir pela Vila.
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Curtas do Cine Cajueiro
Na última exibição de filmes na rua começou a chover sem aviso prévio. No meio do filme, aquela água toda. Um garoto teve o bom senso de jogar seu casaco por cima do equipamento: gostei tanto deste gesto protetor!: deu tempo para o Cláudio correr e desmontar a parafernália. Os meninos, porém, não foram embora, fosse pela chuva, fosse pelo aglomerado deles mesmos sob o portal de piaçava daqui de casa. Ou porque redescobriram a brincadeira de ir ao banheiro: adoram o nosso banheiro. Entendo: a textura branca da parede agora tem faixas marrons do esfregaço de mãos, as corujinhas de vidro ficam desalinhadas, o papel higiênico se amontoa em rolos dentro do cesto e a descarga trabalha dobrado. Organizo em fila, para evitar tumulto.
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De repente, um barulho surdo e pesado: viramos os pescoços na direção da casa da Dudu. Foi uma árvore grande que desabou. Só quebrou uma pontinha da cerca. Sorte.
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Sob o abrigo da mangueira, nessa mesma noite, o menino de uns 12 anos puxa a conversa: pintou o cabelo? Acenei que sim e comentei sobre a mecha vermelha do cabelo dele, bem em cima da testa. Por um tempo ficamos a conversar sobre cabelos e tintas, indiferentes à diferença de gênero e de idade.
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Chove (quase) sem parar. O antigo leito do Acuba, o ribeirão que serpenteia pela povoação, antes com o leito seco à mostra, agora transborda água. A última vez que isto aconteceu foi na mítica inundação sobre a qual todos falam, quando Santo André virou ilha e os moradores passaram a andar de canoa, até para ir na casa do vizinho.
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Ontem à noite fui a um encontro xamânico organizado por Ana Xara, na Pousada Gaili, com a presença de outro xamã*, mineiro, um convidado especial com larga experiência e estudos nessa área. Também estavam duas índias pataxós de Coroa Vermelha, uma delas, a mais velha, uma senhora pajé. Fato raro, geralmente esta função é exercida por um homem.
A sala grande da pousada estava bem cheia, os participantes vieram do Rio, de Minas, de Arraial, de Porto Seguro e daqui de Santo André. Embora eu não seja adepta e nem sequer crente – sou uma mulher cética, não tenho o conforto da religião nas horas de sufoco existencial -- percebi que faz bem para muita gente e que o clima humano era bem gostoso.
(*xamã, em definição do Aurélio: “em diversos povos e sociedades, especialista a que se atribui a função e o poder, de natureza ritual mágico-religiosa, de recorrer a forças ou entidades sobrenaturais, para realizar curas, advinhação, exorcismo, encantamento, etc e cuja atuação pode ou não envolver um estado de transe).
Aconteceu na escola municipal – estava cheio. Tudo vira festa, em cidade pequena. Havia crianças elétricas, velhos calados traindo a curiosidade pelo jeito do olhar, adolescentes explodindo de inquietação, adultos de ambos os sexos: o burburinho fez com que o primeiro palestrante precisasse pedir silêncio.
Era um sociólogo: estava ali para explicar. Falou falou e talvez por ter abusado das palavras não logrou o seu intento. Naquela enxurrada de informações e do uso de palavras e conceitos não usuais no contexto de Santo André, mesmo prestando atenção, era difícil entender. Um senhor da platéia, cansado, interpelou-o, até com uma indesejável rispidez, mas adorei o efeito: o homem abreviou a agonia discursiva.
Infelizmente para nós, o povo, muitas vezes os homens dito públicos fazem o seu trabalho com enfado, como um velho professor que já decorou as lições e dá aulas de forma automática, sem alma, sem procurar o envolvimento dos ouvintes.
Após um intervalo curto demais para as perguntas chegou a vez do prefeito: falou com desenvoltura, demonstrando mais segurança agora do que na época da campanha. Ouviu com paciência as antigas reivindicações sem deixar de frisar o rombo orçamentário deixado pelo prefeito anterior.
Aí está a maior vantagem deste novo governo municipal: o anterior foi tão ruim e corrupto que a esperança voltou a zunir pela Vila.
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Curtas do Cine Cajueiro
Na última exibição de filmes na rua começou a chover sem aviso prévio. No meio do filme, aquela água toda. Um garoto teve o bom senso de jogar seu casaco por cima do equipamento: gostei tanto deste gesto protetor!: deu tempo para o Cláudio correr e desmontar a parafernália. Os meninos, porém, não foram embora, fosse pela chuva, fosse pelo aglomerado deles mesmos sob o portal de piaçava daqui de casa. Ou porque redescobriram a brincadeira de ir ao banheiro: adoram o nosso banheiro. Entendo: a textura branca da parede agora tem faixas marrons do esfregaço de mãos, as corujinhas de vidro ficam desalinhadas, o papel higiênico se amontoa em rolos dentro do cesto e a descarga trabalha dobrado. Organizo em fila, para evitar tumulto.
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De repente, um barulho surdo e pesado: viramos os pescoços na direção da casa da Dudu. Foi uma árvore grande que desabou. Só quebrou uma pontinha da cerca. Sorte.
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Sob o abrigo da mangueira, nessa mesma noite, o menino de uns 12 anos puxa a conversa: pintou o cabelo? Acenei que sim e comentei sobre a mecha vermelha do cabelo dele, bem em cima da testa. Por um tempo ficamos a conversar sobre cabelos e tintas, indiferentes à diferença de gênero e de idade.
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Chove (quase) sem parar. O antigo leito do Acuba, o ribeirão que serpenteia pela povoação, antes com o leito seco à mostra, agora transborda água. A última vez que isto aconteceu foi na mítica inundação sobre a qual todos falam, quando Santo André virou ilha e os moradores passaram a andar de canoa, até para ir na casa do vizinho.
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Ontem à noite fui a um encontro xamânico organizado por Ana Xara, na Pousada Gaili, com a presença de outro xamã*, mineiro, um convidado especial com larga experiência e estudos nessa área. Também estavam duas índias pataxós de Coroa Vermelha, uma delas, a mais velha, uma senhora pajé. Fato raro, geralmente esta função é exercida por um homem.
A sala grande da pousada estava bem cheia, os participantes vieram do Rio, de Minas, de Arraial, de Porto Seguro e daqui de Santo André. Embora eu não seja adepta e nem sequer crente – sou uma mulher cética, não tenho o conforto da religião nas horas de sufoco existencial -- percebi que faz bem para muita gente e que o clima humano era bem gostoso.
(*xamã, em definição do Aurélio: “em diversos povos e sociedades, especialista a que se atribui a função e o poder, de natureza ritual mágico-religiosa, de recorrer a forças ou entidades sobrenaturais, para realizar curas, advinhação, exorcismo, encantamento, etc e cuja atuação pode ou não envolver um estado de transe).
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Santo André (Bahia)
As mulheres de Anselm Kiefer
e por falar em mulheres, lembrei das esculturas do artista alemão de origem judaica, Anselm Kiefer (já expôs em Bienais brasileiras) sobre umas mulheres da antiguidade, mulheres lindas, mas despersonalizadas, mulheres que foram demonizadas por terem desenvolvido um questionamento intelectual, como estas três: Mirtes, Hypátia e Canídia.

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quinta-feira, 4 de junho de 2009
O pescador, o garçom, e o peixe fresco
A antológica lentidão dos restaurantes baianos é tema nacional de brincadeiras. Dizem que a comida demora porque "ainda foram pescar o peixe."
Ontem descobri que é verdade: olhem aí o Rildo, o garçom do Gaivota, pego em flagrante.A vantagem é que o peixe vem à mesa fresquíssimo.
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Moradores de Santo André
Santo André : a reunião com o prefeito
Ontem à noite houve uma reunião sobre o Orçamento Participativo de Santa Cruz Cabrália, aqui em Santo André, na escola municipal.
Vieram o prefeito Jorge Pontes e diversos secretários.
Fomos cedo para lá e encontramos uma platéia repleta e interessada: o nível de comparecimento -- e de comportamento -- foi ótimo!
Diversos moradores se manifestaram, colocando suas dúvidas ou solicitações, de maneira bastante ordeira. Desde que moramos aqui, faz 3 anos, foi a melhor reunião que participei. “Parecia Londres”, comentou um amigo.
Fomos cedo para lá e encontramos uma platéia repleta e interessada: o nível de comparecimento -- e de comportamento -- foi ótimo!
Diversos moradores se manifestaram, colocando suas dúvidas ou solicitações, de maneira bastante ordeira. Desde que moramos aqui, faz 3 anos, foi a melhor reunião que participei. “Parecia Londres”, comentou um amigo.
A reunião foi de caráter informativo. Em julho haverá a segunda quando nós, os moradores, deveremos escolher as ações públicas que consideramos prioritárias para a Vila.
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Santo André (Bahia)
O que aconteceu com este jovem?

Hoje faz 20 anos que ocorreu o massacre da Praça Tiananmen, em Pequim, quando este jovem postou-se em frente a uma fileira de tanques militares que avançava sobre os milhares de manifestantes reunidos na Praça.
Seu ato de heroísmo parou os tanques momentaneamente, mas não conseguiu impedir o massacre: os blindados passaram por cima de centenas de estudantes e trabalhadores que exigiam reformas políticas. Ao final do massacre os cadáveres foram empilhados e incinerados juntamente com os destroços da batalha.
Calcula-se o número de mortos entre 400 e 2000.
Este foi o dramático final da Primavera de Pequim. As cenas, dantescas, nunca foram exibidas na China.
Desde a semana passada que as autoridades chinesas vem bloqueando os endereços da web que hospedam blogs, o portal de vídeos YouTube e as redes sociais Twitter, Flickr e outros serviços da internet, na tentativa de evitar que o povo chinês tenha acesso às aterradoras imagens do episódio.
Seu ato de heroísmo parou os tanques momentaneamente, mas não conseguiu impedir o massacre: os blindados passaram por cima de centenas de estudantes e trabalhadores que exigiam reformas políticas. Ao final do massacre os cadáveres foram empilhados e incinerados juntamente com os destroços da batalha.
Calcula-se o número de mortos entre 400 e 2000.
Este foi o dramático final da Primavera de Pequim. As cenas, dantescas, nunca foram exibidas na China.
Desde a semana passada que as autoridades chinesas vem bloqueando os endereços da web que hospedam blogs, o portal de vídeos YouTube e as redes sociais Twitter, Flickr e outros serviços da internet, na tentativa de evitar que o povo chinês tenha acesso às aterradoras imagens do episódio.
Até hoje não se sabe bem o que aconteceu com este jovem: provavelmente morto pelo regime
quarta-feira, 3 de junho de 2009
14 minutos de eternidade
Ruy CastroFolha de São Paulo, de hoje
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"Entre a hora presumida de entrada do Airbus A330 da Air France na zona de turbulência sobre o Atlântico e a última mensagem enviada pelo equipamento do avião, na noite de domingo, passaram-se 14 minutos. Se fosse só isso, já seria aterrorizante. Mas o tempo de apreensão, angústia e pavor a bordo pode ter sido ainda maior para os 228 passageiros e tripulantes.
É tempo de sobra para que, diante da iminência de morte, a vida -tudo que se fez e se disse, ou o que deixou de ser feito ou ser dito- passe várias vezes pela cabeça de uma pessoa, com uma definição de cinema. E com uma crueldade de Juízo Final, porque não há mais tempo para dizer ou fazer o que faltou.
Entre os que conseguem se manter íntegros em tal situação, há quem tente vencer o abismo rabiscando algo às pressas, descrevendo o avião em queda ou a aproximação das chamas, despedindo-se de parentes ou namorados, ou tentando deixar uma reflexão mais profunda. É uma tentativa desesperada de comunicar-se pela última vez, de fazer com que sua voz seja ouvida depois do nada.
Sabemos disso porque fragmentos dessas mensagens costumam ser encontradas em destroços de aviões caídos em terra. É por esses retalhos calcinados que nos damos conta de que o drama pessoal de cada vítima de um acidente aéreo é maior do que a fria estatística da soma dos mortos no mesmo acidente.
Na tragédia do voo AF 447, comovemo-nos com o casal rumo à lua-de-mel em Paris e com o alemão que iria tratar dos papéis para se casar com uma brasileira. Mas havia também empresários, professores e executivos, que viajavam a negócios, a estudos ou para receber prêmios -enfim, para um luminoso futuro próximo. E outros cujas histórias pessoais, talvez riquíssimas, nunca chegaremos a conhecer. "
É tempo de sobra para que, diante da iminência de morte, a vida -tudo que se fez e se disse, ou o que deixou de ser feito ou ser dito- passe várias vezes pela cabeça de uma pessoa, com uma definição de cinema. E com uma crueldade de Juízo Final, porque não há mais tempo para dizer ou fazer o que faltou.
Entre os que conseguem se manter íntegros em tal situação, há quem tente vencer o abismo rabiscando algo às pressas, descrevendo o avião em queda ou a aproximação das chamas, despedindo-se de parentes ou namorados, ou tentando deixar uma reflexão mais profunda. É uma tentativa desesperada de comunicar-se pela última vez, de fazer com que sua voz seja ouvida depois do nada.
Sabemos disso porque fragmentos dessas mensagens costumam ser encontradas em destroços de aviões caídos em terra. É por esses retalhos calcinados que nos damos conta de que o drama pessoal de cada vítima de um acidente aéreo é maior do que a fria estatística da soma dos mortos no mesmo acidente.
Na tragédia do voo AF 447, comovemo-nos com o casal rumo à lua-de-mel em Paris e com o alemão que iria tratar dos papéis para se casar com uma brasileira. Mas havia também empresários, professores e executivos, que viajavam a negócios, a estudos ou para receber prêmios -enfim, para um luminoso futuro próximo. E outros cujas histórias pessoais, talvez riquíssimas, nunca chegaremos a conhecer. "
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terça-feira, 2 de junho de 2009
Vida de pescador
Os pescadores estavam de partida para o alto mar quando escutaram os gritos de socorro! socorro!
Voz de mulher.
Aturdido, o homem que puxava a âncora deixou-a cair novamente na água do rio João de Tiba. Do convés do barco dava para ver bem a cena. Estavam próximos à margem, perto da igreja evangélica.
Um homem e uma mulher. Não são casados, talvez por isso a platéia resolveu meter a colher. Dois pescadores saltaram do barco e nadaram em direção à terra. O homem que brigava agora tinha um cabo de enxada na mão e batia com ele na cabeça e nos braços da moça -- que fazia o maior estardalhaço.
Conseguiram trazer a mulher para o barco e levá-la para ser socorrida em Cabrália.
A pescaria atrasou.
O agressor fugiu: por ironia nefasta, trabalha no Centro Médico.
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Na volta do mar, dois dias depois, novo incidente, novo pedido de ajuda. Ouviram o SOS pelo rádio, quando já estavam chegando na Coroa Alta, quer dizer, a uma hora de casa.
Tiveram que voltar: é a etiqueta do mar.
Horas para ir, horas para voltar. Encontraram os marujos em apuros (quatro) apinhados dentro de um barco minúsculo; o motor de um cilindro (não vale nada) avariado, só uma velinha içada; inutilmente, porque vento nenhum havia.
Já estavam perto de Belmonte, provavelmente seriam arrastados pela correnteza até Ilhéus.
Tiveram sorte: voltaram rebocados.
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Esses mesmos pescadores (os que socorreram a moça e o barco sem motor) decidiram inovar. Em vez dos biscoitos e sanduíches costumeiros, levaram temperos frescos – tomate, cebola, pimentão – e arroz, e fogão, e fósforos, e sal, e farinha para o pirão.
O peixe, pegariam lá, no alto mar.
Deu certo: deu peixe. Muito peixe; mas esqueceram de levar a panela.
A fome atormentou o dia todo; de madrugada avistaram uma luzinha longe, no Rego do Braço. Foram até lá pedir a panela emprestada e comeram moqueca no café da manhã.
Esse negócio de boa vizinhança funciona até na água salgada.
Tiveram sorte: voltaram rebocados.
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Esses mesmos pescadores (os que socorreram a moça e o barco sem motor) decidiram inovar. Em vez dos biscoitos e sanduíches costumeiros, levaram temperos frescos – tomate, cebola, pimentão – e arroz, e fogão, e fósforos, e sal, e farinha para o pirão.
O peixe, pegariam lá, no alto mar.
Deu certo: deu peixe. Muito peixe; mas esqueceram de levar a panela.
A fome atormentou o dia todo; de madrugada avistaram uma luzinha longe, no Rego do Braço. Foram até lá pedir a panela emprestada e comeram moqueca no café da manhã.
Esse negócio de boa vizinhança funciona até na água salgada.
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O cigarro e o governo
"O cigarro adverte: o governo faz mal à saúde.
Grande verdade, porque nada aumenta tanto a pressão sanguínea quanto pagar impostos escorchantes, que, no limite, serão usados para pagar empregadas domésticas de parlamentares."
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trouxe do blog Consenso, só no paredão.
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Virginia Woolf

"Gosta-se muito mais das pessoas quando elas são abatidas por um cerco extraordinário de desgraça do que quando elas triunfam."
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Promessa de campanha
Jorge Pontes, prefeito de Santa Cruz Cabrália, está percorrendo todos os distritos -- nas duas margens do rio -- para explicar o que vem a ser isto.
Amanhã, às 19hs, será a vez de Santo André.
A reunião, como de praxe, será na Escola Municipal.
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Orkut


O site de relacionamentos mais popular do Brasil tem uma série assim: fotos recentes dele (ou dela).
Quem dera, meu filho, que esta fosse uma foto recente... !
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
Um lance de dados
Ontem à noite revi este filme, que no Brasil foi entitulado " O demônio das onze horas."-------------
Guardei na memória uma fala de Jean Paul Belmondo para Anna Karina
"A poesia é um jogo onde o perdedor ganha tudo."
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