
De súbito vejo surgirem o menino e o cavalo – como uma aparição saída de dentro da restinga, eles emergiram da primeira trilha estreita que vem da avenida até a praia. Vinham cantando galope na beira do mar. Reparei que não havia sela, o garoto magri
nho, trigueiro, se equilibrava altaneiro em cima de uma espécie de almofadão de cor malva indefinida.
Não reconheci o menino, talvez more em Santo Antônio. Passaram por mim como se invisível eu fosse, e continuaram a corrida, mudando o passo para o trote na altura do campinho de futebol de areia. Aquela inopinada visão me intrigou, amainou meu passo e finalmente me fez estancar e dar meia-volta para rever a destreza do infante cavaleiro – devia ter uns doze ou treze anos. Voltei sobre meus passos esperando dar de cara com eles a qualquer momento – o que não aconteceu. Percorri todo o caminho de volta até chegar aos degraus que separam o final da praia do acidentado percurso que nos leva até a Vila – acho que cavalo não sobe escada, mas poderia ter subido pela rampa que está ao lado. Nem sinal do cavalo, nem do menino. Teriam se enfiado no mato? Ali não há vista de picada. Teriam entrado na pousada do Rogério? Não parecia provável. Foram para o povoado pelo paredão que serve de dique? Arriscado: de vez em quando alguém desaba no braço de mar. Acabei desistindo de encontrá-los, sem imaginar que voltaria a ver o garoto naquela mesma noite, quando me dirigia para a pizzaria da vizinha. Estava sentado com garbo numa das estacas de eucalipto que separam a lojinha da Mônica da rua. Aproximei-me para matar a curiosidade que me espicaçava – ele se ch
ama Iago! É o segundo menino com este nome que encontro em Santo André. Será que ele sabe a força e o peso que este nome traz? Não importa: quem precisa de Shakespeare quando se tem a liberdade de cavalgar um cavalo à beira-mar?
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Não reconheci o menino, talvez more em Santo Antônio. Passaram por mim como se invisível eu fosse, e continuaram a corrida, mudando o passo para o trote na altura do campinho de futebol de areia. Aquela inopinada visão me intrigou, amainou meu passo e finalmente me fez estancar e dar meia-volta para rever a destreza do infante cavaleiro – devia ter uns doze ou treze anos. Voltei sobre meus passos esperando dar de cara com eles a qualquer momento – o que não aconteceu. Percorri todo o caminho de volta até chegar aos degraus que separam o final da praia do acidentado percurso que nos leva até a Vila – acho que cavalo não sobe escada, mas poderia ter subido pela rampa que está ao lado. Nem sinal do cavalo, nem do menino. Teriam se enfiado no mato? Ali não há vista de picada. Teriam entrado na pousada do Rogério? Não parecia provável. Foram para o povoado pelo paredão que serve de dique? Arriscado: de vez em quando alguém desaba no braço de mar. Acabei desistindo de encontrá-los, sem imaginar que voltaria a ver o garoto naquela mesma noite, quando me dirigia para a pizzaria da vizinha. Estava sentado com garbo numa das estacas de eucalipto que separam a lojinha da Mônica da rua. Aproximei-me para matar a curiosidade que me espicaçava – ele se ch

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Em tempo: eles subiram a rampa e seguiram margeando a cerca da Pousada da Ponta até atingir a rampa lateral ao restaurante Gaivota, feito que só comprova a destreza do garoto na condução do animal
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Dedico esta croniquinha a um garoto igualmente encantador que mora em Milão, mas é baiano por nascimento e tem casa em Santo André. O nome dele é Alfa.
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