Enquanto a reforma do SESC Ipiranga prossegue, a
alternativa encontrada para a ocupação artística é um casarão na Rua Bom
Pastor, 709. A casa é uma deliciosa extravagância para ser
percorrida do jardim ao quintal, com parada para chá e bolo na cozinha e passeios voyeristicos pela intimidade de quartos e banheiros.
Num dos quartos, a escritora Andrea Del Fuego faz uma narrativa inédita espalhada pelos móveis.
A ideia do projeto é propor atividades que despertem o imaginário gerado pela representação de uma casa enquanto o local da intimidade e da memória. “Nos quartinhos, nas passagens, nos cofres, nas fendas e nos armários é onde se desenha o íntimo dos seus habitantes e, com isso, revelamos sentimentos e lembranças”, diz a coordenadora do projeto, Roberta Lobo.
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os batons e perfumes na narrativa de Andrea |
Na perambulação pelos dois andares da casa, parei para ler folhas soltas do livro do filósofo francês Gaston
Bachelard: para ele, a casa é o nosso canto no mundo. “Se nos
perguntassem qual o benefício mais precioso da casa, diríamos: a casa
abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa nos permite sonhar
em paz”, escreve em A poética do espaço, de 1957.
Não sei se a Casa Literária será temporária, talvez só dure o tempo da reforma. Vale a pena mantê-la, foi um passeio cultural dos mais interessantes.
Não sei se a Casa Literária será temporária, talvez só dure o tempo da reforma. Vale a pena mantê-la, foi um passeio cultural dos mais interessantes.
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uma banheira dramática |
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o galpão readaptado com pallets de madeira, é palco para apresentações cênicas |
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