Pois é, aqui estou eu aposentada e morando num bonito povoado de pescadores no sul da Bahia como sempre sonhei. Durmo com o som do mar batendo na porta do quarto e acordo sem lenço e sem documento sentindo a presença da pessoa amada e ouvindo o trinado dos irrequietos passarinhos na ramagem do ingazeiro no quintal. Mas, como é sabido até pelo mundo mineral, nem tudo do cotidiano no paraíso funciona bem: ainda ontem tomei uma ducha de água fria quando quis tomar o banho matinal. Não tinha água nem para escovar os dentes, só umas gotinhas desanimadas saíam das torneiras.

Preâmbulo para explicar o que vem a ser a água em Santo André.
Existe “água encanada”, e já vou explicar o motivo das aspas. Trata-se de uma enorme caixa d’água azul e coletiva que fica plantada na encosta do morro e é abastecida com a água de um poço artesiano conduzida até lá pela força de uma bomba elétrica. Uma rede subterrânea de canos conduz a água para as casas da aldeia. Quem faz a manutenção destes mecanismos são os moradores daqui, uma vez que o poder público é relapso. De vez em quando falta a “água da rua” (é assim que nós a chamamos), por isto muita gente tem seu próprio poço no quintal. Além disso, a “água da rua” por vezes chega em casa parecendo o refrigerante Fanta laranja. É que o teor de ferro neste solo onde pisamos é altíssimo, tornando a água insalubre para o consumo humano. Para beber, só água fervida ou mineral. Por outro lado, quando fizemos a análise química da água do nosso terreno constatamos que é limpa, não havia traço algum de bactérias nem impurezas biológicas.

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a foto dos barcos com arco-íris é de Cláudia Schembri
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