domingo, 21 de outubro de 2012

a casa do Clodovil em Ubatuba

Ontem de manhã meu marido e eu resolvemos sair de Paraty para passear e almoçar em Ubatuba. No caminho, decidimos passar na praia do Léo para visitar a casa de praia do Clodovil. Lembrando que além de estilista, Clodovil foi um dos deputados  federais mais votados no estado de São Paulo em 2006.
Decidimos parar na mansão porque neste final de semana ela está aberta ao público interessado em comprar móveis, louças, quadros, livros ou alguma estatueta de sapo da coleção do figurinista.  Um bazar, do tipo "família vende tudo."
 A casa está situada no meio da Mata Atlântica, em cima de um morro, uma visão estonteante da natureza. Como não era permitido subir de carro até lá, o jeito foi esticar as pernas na subida -- uma bela caminhada apreciando as árvores e o paisagismo.
Temíamos um programa infeliz, com gente demais, talvez até um pouco de tumulto. Boa surpresa: havia poucas pessoas quando chegamos, nem foi preciso enfrentar fila, talvez por ser distante da cidade ou porque houve pouca divulgação da venda. A foto acima mostra a "sala azul" com obras originais de pintores brasileiros famosos como Scliar, Aldemir Martins e outros.  A curiosidade se aguçou -- foi ótimo andar por tanta sala e quarto sem dono (oito suítes).
Achei sobretudo interessante esta sala de estar com chão singular:  sem piso industrializado, os pés na areia fofa da praia.  Quando o dono da casa era vivo, mandava os empregados desenharem "ondas"  na areia trazida da beira-mar.
Outra peculiaridade - os cômodos da mansão são "desmembrados" -- cada vez que se muda de ambiente é preciso passar por jardins internos, olha só as jabuticabeiras fazendo parte da casa, entre a sala e a cozinha.  Mesmo sem cuidados os espaços verdes ainda são deliciosos --  a vista sempre encontra árvores, plantas ou mar.
Na decoração,  a mistura do clássico com o rústico. O teto revestido de palha esconde os caibros do telhado
um dos terraços da residência com vista para a Praia do Leo
... e até uma capelinha, quase em ruínas, uma graça, no meio das árvores
compramos alguns objetos de boa qualidade por precinhos de bazar -- a melhor aquisição foi um par de panelas de cobre made in france
esta moringa artesanal, assinada por "nica"
e alguns outros poucos objetos de cozinha como a travessa de porcelana com suporte de ferro pintado. Havia serviços de louça belíssimos, foram comprados por donos de restaurantes de São Paulo.

Escrevo agora quase dois anos depois que estivemos na casa do Clodovil. A data no calendário marca 18.8.2014. Àquela época, eu não sabia que este post despertaria tanto interesse;  é um dos mais procurados aqui do blog, com quase 7 mil acessos. Ontem à noite, organizando meu banco de imagens encontrei mais algumas fotos da casa. Imediatamente decidi trazê-las para cá. Esta do quarto salmão, a memória não ajuda... Não sei dizer com precisão se era o quarto da mãe do Clodovil ou se era um quarto de hóspedes comum. A cama já estava se deteriorando, como é possível perceber. A roupa de cama e as cortinas de renda estavam ainda em bom estado.

Um recanto do  jardim  decorado com plantas em vasos e espelho de água.
As esculturas modernistas ficavam na beira da piscina, de frente para o mar. Lindas! Gostaríamos de tê-las comprado, mas eram caras.
  A vista para o mar era belíssima, assim como para a mata. Um lugar esplêndido.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

estrada paraty-cunha, a pé

queda d'água aos pés de Paula Carpi

Paraty em foco, é um acontecimento que acontece no início da primavera desde 2005.  Nessa época, Paraty é invadida por caçadores e apreciadores de fotografia que passam cinco dias trocando informações, compartilhando saberes, participando de oficinas e assistindo a imagens projetadas nos paredões brancos da cidade colonial. No último evento, as ruas empedradas do Centro Histórico estavam repletas com  milhares de participantes (calculados em 6 mil), quase todos com uma câmera na mão. Paulistanos e cariocas, mas também sulistas e mineiros, sem contar os convidados internacionais. Pela localização de Paraty, todos chegaram por via rodoviária. Mas um grupo, organizado em torno do conhecido fotógrafo Marcos Santilli, ousou um pouco mais: veio a pé desde Cunha até Paraty.
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Veja a matéria da revista de Haroldo Castro para a revista Época. 
"Marcos Santilli, um fotógrafo com mais 40 anos de experiência – ele se autodenomina um fotosaurus – mora em Cunha, no alto da serra. Em linha reta, Cunha está a apenas 29 km de Paraty. Mas pela estrada que ziguezagueia a Serra do Mar a distância sobe para 48 km. A estrada fazia parte do Caminho Real e era uma das várias alternativas para entrar Brasil adentro. Desde o século 17, quando Paraty se tornou um importante porto, escravos chegavam da África para trabalhar no interior. O ouro descia das Minas Gerais até Paraty por estas estradas empedradas de cargas e burros.
Santilli escolheu uma das variantes do Caminho de Ouro para levar colegas e alunos serra abaixo. Nada melhor do que falar sobre fotografia no meio da Mata Atlântica e em uma de suas mais belas reservas, o Parque Nacional Serra da Bocaina. A oficina, organizada por Katia Scavacini, começou em sua Pousada dos Anjos na noite anterior, com uma explicação histórica da região e de como os Caminhos do Ouro – uso a palavra no plural, pois o contrabando criou inúmeras bifurcações – escoaram o precioso metal em direção ao porto.
fotografia do grupo pelo guia Nino
Na manhã seguinte, éramos dez pessoas na trilha. O guia local Nino abria a fila e oito fotógrafos iam no meio do pelotão: o próprio Marcos, seu filho Luã, Luiza Bongir de Belo Horizonte, Joseane Daher de Curitiba e Paula Carpi, Liliane Meira e Giselle Paulino de S. Paulo. Eu também estava lá. Quando Marcos me convidou a descer um trecho da serra a pé, adorei a ideia de estar no mato fotografando durante um dia inteiro.
Saímos do pé da Pedra da Macela e durante uma hora descemos por campos abertos até um vale
pedra da macela (1840m) fotografia de Luã Santilli
 De lá, entramos na mata fechada, subimos uma bela encosta e encontramos um dos trechos do Caminho de Ouro. 
pai e filho na fotografia -- Marcos e Luã
Em diversos pontos do Caminho do Ouro, muros de até um metro foram levantados para que os animais não caíssem na ribanceira. Foto © Marcos Santilli
cogumelos alucinados de cor,  foto de  Daher
bromélia no caminho por liliane meira
Chegaram na cachoeira dos sete degraus (olha que nome lindo), oito horas depois. Final da caminhada.
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laboratório de fotografia e de vida
belíssimo
bravi
no próximo ano, pretendo juntar-me ao grupo
(se é que aceitam anciãs)

domingo, 14 de outubro de 2012

Salto Ángel, a maior cachoeira do mundo



As cenas iniciais do filme O mensageiro (The go-between) mostram as vidraças de uma casa vitoriana batida pela chuva, grossas gotas d’água deslizando pelas vidraças;  na parte baixa da tela aparece  a frase O passado é um país estrangeiro -- as coisas acontecem de modo estranho por lá.
Falo de uma viagem feita em 2005, para um país estrangeiro.  Três pessoas pegaram um voo saído de Brasília com destino à cidade de Boa Vista (RR).  De lá tomaram um ônibus para Santa Elena de Uairen, na tríplice fronteira existente entre o Brasil, a Venezuela, e a Guiana.  O objetivo era alcançar o Parque Nacional Canaima, no extremo sudeste da Venezuela para ver a água cair 979 metros -- do célebre Salto Ángel ou Angel Falls (os índios chamam de Parekupa-meru), a maior cachoeira do mundo.  Para chegar até Santa Elena é preciso atravessar uma área indígena, a Raposa Serra do Sol, uma visão monótona de vegetação rala pontilhada por placas tipo Terra de Macunaíma ou Resgate da dignidade: à época havia um conflito de terras com os índios da região.
A furreca do ônibus rodava por milagre, parando para esfriar o motor a cada vez que a fumaça subia. Os passageiros desciam para esticar as pernas, conversar, fumar um cigarro. Carros vindos de Boa Vista zuniam intermitentemente na estrada, são os pampas-bombas, automóveis com tanques de gasolina extendidos. Vão até a Venezuela comprar gasolina por uma merreca para revender no Brasil com  lucro.  De vez em quando um desses carros velhos explode, e era uma vez um motorista. 
Para passar a alfândega venezuelana neste ponto do território é bom estar preparado para alguma hostilidade. Primeiro houve uma dissensão entre os viajantes porque um homem jovem, dizendo-se equatoriano, pediu para passar a aduana como se fosse o quarto membro do grupo. Os dois brasileiros concordaram, mas a mulher se opôs por questão de prudência. Porque precisa de nós? O equatoriano tartamudeava, resposta clara não se ouvia. E se ele tem algum problema mental, contrabando, documentos irregulares, fobia de guardas de fronteira, droga. Despediram-se do frustrado equatoriano com um certo aguilhão na consciência solidária.. 
Momentos de tensão com os guardas da fronteira: nitidamente antipáticos, arrogantes. Reviraram as três mochilas, as peças de roupa pelo avesso, exigiram ver e pegar o dinheiro, colocaram as notas de dólares e os bolívares em cima da mesa como cartas de baralho.  Passado o mal-estar, chegaram a Santa Elena de Uaiten, um lugarejo caótico de fama nefasta, lugar de aventureiro. Rota de cocaína, zona de garimpo, prostituição visível, restaurantes tumultuados. Becos saindo das esquinas. Registraram-se num hotel feinho, era limpo; o casal magrinho que administrava a hospedagem mal falavam espanhol, pareciam chineses ou seriam coreanos?
Não importa, sorriam.
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(continua no post debaixo)

Salto Angel, Venezuela



Na manhã seguinte, tomaram ônibus para Ciudad Bolívar, distante 700 kms, um trecho da viagem dentro do Parque Nacional Camaina (Gran Sabana), patrimônio ecológico da Venezuela. Cheio de lagoas e rios, o parque dá oportunidade de se apreciar os tapuis,  formações naturais altíssimas parecidas com mesas gigantes.  É de Ciudad Bolívar que os viajantes decolam para a Laguna de Camaina, na rota do Salto Ángel.  O frete aéreo mais barato é de tecoteco, velhos e minúsculos Cessnas de precário chão de tábuas, cordinhas enroladas nas maçanetas das portas.  Chovia dentro e fora do Cessna. O pouso é no acampamento da aldeia Camaina, uma ilhota defronte a 3 cachoeiras estrepitosas.  Quartos amplos, agradáveis ao olhar, redondos. A noite foi de conversas e risos no jantar com um casal de turistas da própria Venezuela.  O marido ardoroso adepto de Chavez, a mulher uma oposição medonha. Discutiram e brigaram ao longo de todos os pratos e copos, sempre por motivos políticos. Antes de deitar, a lavagem da roupa suja nas tinas, algumas páginas de Machado de Assis.  

Únicos brasileiros naquela penca de turistas, variada de espanhóis alemães escandinavos japoneses.  Dali para o Salto Ángel segue-se em curiaras (uma canoa indígena comprida).  Numa delas coube os três brasileiros, um casal de franceses, um belga, e três indíos bilíngües em espanhol e kamarakoto. Um autêntico e maravilhoso programa com índios. A subida do rio leva quatro horas de luta com as corredeiras, aparecem pedras antigas à superfície, é preciso desviar-se delas a todo momento, parece sinistro, conta-se com  a perícia dos remadores. 
fotografia david dominguez
 A visão embarca os altíssimos tepuis, a rica vegetação, cascatas, pássaros. A canoa não virou. Próximo ao local de acampamento, no meio da mata amazônica que se espalha pela Venezuela,  é preciso passar repelente químico. Selva é lugar estranho pra quem vem da cidade. O percurso até a cachoeira é curto, a pé dá uma hora, e meia, montanha, acima, acima. Esfalfa-se.  Uma plantinha delicada, de frutos lilás, chamou a atenção de Cécille, a moça francesa. Estendeu a mão para colher o fruto.
Parou, quando o guia gritou:
“No lo toques”. 
Era a planta do curare.  Que toque sinistro.
Um esforço final na subida e -- ecco -- surge o poço formado com água da cachoeira. É preciso torcer o pescoço todo pra cima pra enxergar de onde vem a água. Esse shangrilá foi encontrado pelos próprios venezuelanos em 1910. Em 1937, um aventureiro americano que procurava ouro, Jimmy Angel, "redescobriu" o lugar e conseguiu batizar a cachoeira com o nome dele: Angel Falls. Oscar, o guia índio faz um comentário em tom baixo... "nossos antepassados viviam aqui desde sempre...desde antes dos estrangeiros"
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(continua no próximo - e último -- post)


Salto Ángel, a maior cachoeira do mundo (3)

fotografia claudia jaguaribe

O banho no poço do Salto Ángel demorou horas. Só se volta ao acampamento indígena para dormir, ouvindo o som da cachoeira. O acampamento consiste em um enorme jirau de madeira e zinco onde penduram-se as hamacas, redes cobertas por mosquiteiros. O jantar é preparado pelos guias, surpreendente de tão bom, cardápio único de frangos assados na brasa, espaguetes, velas, pirilampos e relâmpagos. E garrafas de vinhos franceses, gentilmente compartilhadas com nós,  por David e Cécille.   Começou uma chuva grossa que durou a noite inteira (milagrosamente parou ao alvorecer). Ninguém queria dormir, nem índio, nem brasileiro, nem europeu.
Encantamento.
A madrugada foi um tanto difícil. O banheiro ficava longe da "oca" principal, chovia a canivetes, as velas apagadas e cadê o diabo da lanterna?
No dia seguinte, foi rápida a volta para o acampamento da Laguna. Com o rio cheio a canoa deslizava lépida, tirando "fino" das pedras.
Viagem para esquecer jamais.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Lygia Clark: a revolução dos bichos

O escritor Ezra Pound diz em "ABC da literatura" que os poetas são as "antenas da raça", seres que sentem o rumo da mudança com antecedência visionária.  Acho possível incluir os artistas plásticos sob esse guarda-chuva. Eles também são "framebrakers" ("rompedores de molduras") -- revolucionários que expandem limites, quebram padrões, trazem ideias novas.  A mineira da foto ao lado, Lygia Clark,  fez isso ao pé da letra -- ela deslocou a pintura para fora do espaço apertado das telas. Pesquisou a "linha orgânica" que existe na junção de dois planos, como entre a tela e a moldura. Saltou a moldura, criando formas que literalmente escapavam das telas, como sua mais famosa série: Bichos.  Os bichos, são placas de metal articuladas com dobradiças que podem ser manipuladas livremente, criando um bicho diferente, a cada vez. A artista demanda  a participação do espectador, exige uma interação com o trabalho dela.
Quando passei por último em São Paulo, fiz exame clínico no Hospital Santa Catarina, início da Av. Paulista.  Bem defronte ao Itaú Cultural -- havia uma restropectiva aberta de Lygia Clark, uma mostra que caminha em paralelo com a trigésima  Bienal de São Paulo. Me arrastei até lá.
No piso térreo está o "espaço imantado" com duas obras sensoriais abertas à experimentação do público. Uma consistia em calçar pesados sapatos de ferro -- com ímãs na sola metálica -- e caminhar por uma forma geómetrica no chão, onde havia imãs ocultos sob a superfície, e se a pessoa não pisasse com cuidado, bem devagarinho... podia cair.
Alguns caíram.. rsss
Impagável (ninguém se machucou)

A outra experiência sensorial de ímas é feita com um cinto que as pessoas amarram na cintura. Alguns cintos tinham polo negativo, outros, o positivo. Quando duas pessoas com polos opostos ficavam próximas, os ímãs "puxavam" forte e eles davam umbigadas recíprocas.  Espetáculo não-programado... hilário... ri o tempo todo, só de ver o susto, o puxão, a umbigada.
No andar de baixo, duas salas exibem documentários da vida e da obra de Lygia Clark, falecida em 1988.  Que divertido, usar as máscaras e os capuzes que a gente  podia manusear à vontade.
alô? ..que tipo de visual é esse, hem
me senti na única posição confortável que existe num cadafalso
Esse arcoíris de macacões estavam arrumadinhos contra a parede. A parte lúdica consiste em escolher  a cor, vestir por cima da própria roupa.. . a textura é igual. Esse grupo levou um tempão discutindo quem ia ficar com qual cor... Os monitores do Itaú colaboram com o clima "absurdo": costuram a perna de um, com o braço do outro, vão "amarrando" a platéia e a obra
Lygia, que loucura.
(adorei as visões e o tateado, linda)
o que não deu pra entender, deu pra sentir

beijos, de sua
admiradora

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

aluguel de casa em Santo André (Bahia)

o verão se aproxima: será o primeiro em 6 anos que não passarei em Santo André da Bahia, onde temos esta casa

nós a construímos há 3 anos... na parte de cima tem 2 quartos, banheiro, sala de cinema... no jardim árvores antigas, da Mata Atlântica: ingás, biriba, pau-brasil, ipê, aroeira, palmeiras...
na parte de baixo: uma enorme suíte com banheiro e jardim interno, sala de jantar, saleta, lavabo, cozinha, área de serviço coberta e descoberta...
está mobiliada (exceto TV e som), tem ar condicionado em 2 quartos, todo equipamento de cozinha

a casa vista do lado... é próxima ao rio e ao mar (cerca de 8 minutos a pé)
por motivos de saúde, mudamos para Paraty... colocamos a casa à venda ... enquanto isso estamos alugando por temporada
os interessados podem escrever para o email: olimpiacalmon@gmail.com