quarta-feira, 9 de março de 2011

Terça-feira gorda, a origem


Porque esta terça é mais gorda do que as outras?
A terça-feira gorda era o dia em que os cristãos diziam Adeus às carnes. Durante os 40 dias anteriores à Páscoa era obrigatório jejuar, fazer penitência e não colocar nem uma lasquinha de carne na boca. Um costume que perdurou por todo o período medieval. Por volta do século 11, apareceu a expressão latina carnem levare.  criado  especialmente para nomear a véspera da Quarta-feira de Cinzas.
Com o tempo, o carnem levare virou.... Carnaval!
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Caio Fernando de Abreu tem um conto chamado "Terça-feira gorda". Olha que domínio este escritor tinha da prosa ...o primeiro parágrafo começa assim:

"De repente ele começou a sambar bonito e veio vindo para mim. Me olhava nos olhos quase sorrindo, uma ruga tensa entre as sobrancelhas, pedindo confirmação. Confirmei, quase sorrindo também, a boca gosmenta de tanta cerveja morna, vodca com coca-cola, uísque nacional, gostos que eu nem identificava mais, passando de mão em mão dentro dos copos de plástico.  Usava uma tanga vermelha e branca, Xangô, pensei, Iansã com purpurina na cara, Oxaguiã segurando a espada no braço levantado, Ogum Beira-Mar sambando bonito e bandido. Um movimento que descia feito onda dos quadris pelas coxas, até os pés, ondulado, então olhava para baixo e o movimento subia outra vez, onda ao contrário, voltando pela cintura até os ombros. Era então que sacudia a cabeça olhando para mim, cada vez mais perto."

carnaval em santo andré

terça-feira gorda de carnaval: a festa foi na casa do Amaro e da Márcia
os convidados foram chegando... O Hans conta algo engraçado para Jaques e Ruth (Wally, você faz falta!)
meu namorado novo, de boné e camisa colorida...
 Maninha tomou conta da cerveja, só bebia quem ela deixava... rsrsrsrs ...
a chegada da charanga... (deu cherokee no carnaval)
Márcia, a dona da festa, com o Carlindo, um homem do mar, do rio (e da Simone)
Amaro, o anfitrião, com as vizinhas (foliãs) Silvana e Márcia
a festa foi ótima! bonita, animada e alegre... (repare o abraço...)
todo mundo sambando e cantando as antigas marchinhas de carnaval
produção da olímpia - vestido herdado da Camila (filha) e cabeleira da Joyce (da pizzaria). resultado, liberei meu lado Tina!

o novo palco do Café Mata Encantada

depois da festa na casa de Amaro e Márcia ainda passamos no espaço cultural do Mata Encantada para ouvir Joana Vollmer e Gandhi Grechov. Zaqueu tocou gaita, havia o baterista... um som gostoso
 os turistas não resistiram, foram dançar no meio do terreiro....
outros preferiram conversar, como o Cláudio, a Regina, Ana Paula, Meire...

terça-feira, 8 de março de 2011

amistad friendship amitié 우정 dostluk

o alfabeto humanista do fotógrafo francês Marc Riboud: "A" , de amizade
Rafael, Raí e João Lúcio, na praia do rio, hoje de manhã

cross-dressing: o gosto pelas roupas do sexo oposto

a moda de Flávio
Que me lembre há duas ocasiões em Santo André onde os homens se vestem com roupas de mulher --  numa partida de futebol que acontece no pico do verão e no sábado de carnaval. 
Não sei a origem do costume – uma mania nacional -- nem me preocupo com os motivos individuais, mas lembro de um precursor famoso, o Flávio de Carvalho, que em 1956 surpreendeu seus pares ao caminhar pelo centro antigo de São Paulo trajando saiote, blusa e sandália de couro, o traje que ele batizou como New Look de Verão e foi uma tentativa de mostrar aos homens brasileiros uma roupa mais adequada ao clima tropical do país.
Flávio de Carvalho foi uma espécie de homem renascentista da modernidade: pintor, engenheiro, arquiteto, jornalista, estilista, cenógrafo... Membro de família abastada, recebeu uma educação esmerada na Inglaterra e na França. Trabalhou na empresa de construção civil de Ramos de Azevedo, onde costumava andar seminu pelos corredores escandalizando as pudicas senhoras da época (1930’s).
Outro ato ousado foi sua investida contra uma procissão religiosa sem tirar o chapéu e até fazendo galanteios para as filhas de Maria. Causou consternação e revolta – a massa começou a persegui-lo aos gritos de "lincha, lincha”. Chamaram a polícia.
O performático acabou preso, acusado de comunista.
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poltrona de Flávio de Carvalho
"Figura central do modernismo nacional, referência indiscutível para a produção brasileira das últimas décadas, Flávio de Carvalho (1899-1973) tem na diversidade uma de suas características mais fascinantes. Quando se tenta defini-lo por uma das diversas áreas em que atuou, pelos seus trabalhos mais marcantes ou pelos efeitos - algumas vezes bombásticos - de suas ações, tem-se a impressão de estar omitindo um aspecto desse artista multifacetário." (Maria Hirzman, em matéria para o Estadão, maio/2010).

um carnaval pra lá de Marrakesh

um casal de amigos que está residindo em Túnis foi passar alguns dias em Djerba, uma bonita ilha tunisiana
o exuberante mercado de Djerba
entardecer em Djerba
infelizmente, nem tudo é mar e por-do-sol em Djerba... na foto, refugiados líbios chegam à ilha procurando escapar à perseguição de Muamar Khadafi

domingo, 6 de março de 2011

outros e outras no carnaval

já estava fechando a edição do carnaval de Santo André quando chegaram novas fotos da Maninha... não dá para resistir aos beijinhos do Henrique...
 e o delegado vestido de palmeira?
a meia furou, Guinho?
Joílson carnavalesco
quem será a dama de  vestido roxo?
(o carnaval pela lente da Maninha)

Pequena história do carnaval em quadrinhos (por Maninha Copony)

Renata Kay, a madrinha da bateria
A festa do rei Momo em Santo André faz lembrar os românticos carnavais do passado. Nada de trio elétrico, nem de banda eletrônica... contratamos uma charanga autêntica, de Belmonte
o povo dança na pracinha do Aldeia Tangerina, tem palco, grama, árvore...
 criança com samba no pé (a Helen estava linda, disfarçada de menino...)
senhoras respeitáveis...
e distintas...essa esbanjou na elegância  e no porte (olha o sapato...!)
uma noiva assanhada (com Muriel e Nerina)
não achei palavra... indefinível...
Patrick e Paloma brincando juntos...
as meninas, animadíssimas (Silvana e Márcia)
(obrigada, Maninha, pelas fotos e pela sua participação aqui no redefurada)

não me leve a mal, hoje é carnaval...

este ano o Juca caprichou na fantasia...
a blogueira (de Tina Turner) e a vizinha Joyce
Jean-François e Mauro no meio da multidão...
os (bem-comportados) austríacos Willy e Cris
os irmãos Batoré e Nida  (gostei do chapéu, deve ser da Jimena)
Mônika da Áustria em momento lírico com Eloá e o cachorro

sexta-feira, 4 de março de 2011

o ateliê (e pousada) de Ana Lúcia

Ana Lúcia reabriu o ateliê esta semana
lá estão seus quadros de baianas estilizadas, os cantinhos...
na última reforma ela adicionou três suítes... surgiu uma mini-pousada
esta é a vista da janela do quarto da frente

A luz do Manoel

foto de Luciana Castelo Branco
A luz desapareceu sem piscar nem olhar pra trás, o vilarejo mergulhou na escuridão, dava pra gente revelar fotografia no meio da rua.  A gente cogitava se seria outro blecaute ou falha passageira.  Quando o olhar foi se acostumando com o negrume, começaram os pisca-piscas.  Primeiro da purpurina prateada espalhada no céu, depois dos pirilampos inquietos faiscando fosforescência de um lado pro outro.
Silêncio de cemitério, pios, grilos.
A noite ficou a cara do Manoel de Barros


Manoel de Barros é aquele poeta matogrossense que nasceu no Beco da Marinha em Cuiabá e cresceu numa fazenda no coração do Pantanal. Passou a infância de pé no chão, de terreiro em terreiro, entre os currais e as coisas "desimportantes" que marcariam sua obra. Seus poemas falam de concha, de pedra, de borboleta...
"Ali o que eu tinha era ver os movimentos, a atrapalhação das formigas, caramujos, lagartixas. Era o apogeu do chão e do pequeno."
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Devido a estas reminiscências de árvore, de silêncio,  lembrei dele naquela noite escura ...
Alerta: que ninguém confunda a poesia de Manoel de Barros com regionalismo, com coisa pequena...
É um filósofo, um inventor da palavra.
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"O filósofo Kierkegaard me ensinou que cultura é
o caminho que o homem percorre para se conhecer.
Sócrates fez o seu caminho de cultura e ao fim
falou que só sabia que não sabia de nada. Não tinha
as certezas científicas. Mas que aprendera coisas
di-menor com a natureza. Aprendeu que as folhas
das árvores servem para nos ensinar a cair sem
alardes. Disse que fosse ele caracol vegetado
sobre pedras, ele iria gostar. Iria certamente
aprender o idioma que as rãs falam com as águas
e ia conversar com as rãs  (...)"