domingo, 13 de dezembro de 2009

Santo André: o traço cultural

Toda interpretação de realidade é vesga – e a minha não é exceção. Tenho como certo que a marca do afeto, da limitação intelectual e sensorial afetam minha visão de Santo André. Mas não acho temerário dizer que agora a povoação já pode contar uma singular história em termos de educação pela arte. Tudo começou com a criação do Centro de Cultura e Convivência – o pioneiro – cerca de 9 anos atrás. Alguns moradores se juntaram para intentar levar a arte (notadamente dança e artes plásticas) para as crianças e jovens do local, quase todos carentes de oportunidades deste tipo. As imagens abaixo dizem mais que mil palavras...A primeira foto é de um espetáculo de dança de rua que aconteceu no verão de 2008. O Corpo Cidadão de BH trouxe professores para Santo André, a moçada teve um mês de aulas e fez um show inesquecível no espaço da fábrica de cocadas (ao fundo, grafitti de Stefano Visigalli e Mazinho) Acima e abaixo - festa temática promovida pelo Centro Cultural para comemorar (internamente) o final das atividades deste ano de 2009. Haverá, ainda, a festa de apresentação do final do ano aberta a toda a população
exibição de filme no resort Costa Brasilis para os meninos do Centro Cultural
as crianças da pré-escola Maria Marta com brinquedos doados por crianças de uma escola alemã
professor e alunos da Escola Municipal
Depois do Centro chegaram (não necessariamente nesta ordem) a pré-escola Maria Marta, a capoeira, o IASA (Instituto de Amigos de Santo André) a exibição gratuita de filmes, o projeto Sirigóia (cooperativa de mulheres que trabalham com fuxico), a participação do Corpo Cidadão, a contribuição financeira, de trabalho voluntário e da expertise de moradores ou visitantes, os músicos locais (baianos, italianos, franceses)...
É diferenciado, o nosso povoado.
(primeira foto - Léa ou Cláudia; foto escola Maria Marta e Municipal: Wally)

IASA - o recital de hoje




Moro em Santo André durante a maior parte do ano, mas me desloco com frequência para São Paulo onde temos dois filhos e ocasião para ver todo tipo de produção cultural.
Hoje, 13 de dezembro, eu adoraria ver dois eventos
- o recital do IASA, em Santo André (seria minha primeira opção); mas como não estou lá, pensei em ouvir a Orquestra Sinfônica de São Paulo tocar ao ar livre, no Parque Villas-Lobos.
Não vai dar: chove e faz frio.
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O jeito é torcer para ter repeteco do recital no verão de Santo André...

O doce jardim de Tiê

Ainda desconhecida do grande público, a cantora Tiê, na minha modesta avaliação, tem tudo para se tornar alvo de flashes e holofotes. Seu primeiro disco “Sweet Jardim”, no estilo voz e violão é melódico e afinado... Gostei desde os primeiros acordes e ainda me diverti com os nomes que aparecem no encarte de seu discovovó Vida - gabi peruca - jackson, meu gato - mosquito project - dudu tsuda - plínio profeta -tatá aeroplano - tulipa ruiz - julia fofa miranda - baby poney - saxsofunny...
Vem Tiê, vem trinar em Santo André...

propaganda enganosa




duas ou três aplicações e você terá uma pele de criança...

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Santo André: o espírito do lugar (mini-série)


O verão está batendo à porta e as festas do final de ano se aproximando. Na cidade onde moro está previsto que este ano não será igual àquele que passou. Tudo indica que as festas de réveillon atrairão um público expressivo, de centenas de pessoas vindas dos grandes centros, principalmente de São Paulo.
Quem mora ou freqüenta a povoação sabe a controvérsia que este fato vem gerando.
Os comentários que o blog vem recebendo, mais os emails que tenho lido -- além das conversas com os moradores – tem me feito pensar mais detidamente sobre a identidade da Vila de Santo André, este lugarejo baiano onde meu marido e eu aportamos três anos atrás, juntamente com o caminhão de mudanças cheio de cadeiras, pratos, esperanças e sonhos.
Faz parte da natureza humana tentar entender o lugar que habita. Sou oriunda da cultura urbana das grandes cidades; naturalmente me deparei com diferenças significantes de modus vivendi ao me mudar para um povoado bem pequenino. Poderia ser uma lista minuciosa: limitar-me-ei, todavia, a destacar àquelas que considero mais expressivas.
Tempo e espaço
As categorias clássicas: é o que a gente logo busca apreender em um ambiente novo ou quando vemos um filme, lemos um livro ou observamos uma pintura. Falo do tempo humano, claro. O mito do baiano lento tem lá suas razões: onde moro, pouca gente usa relógio e a pressa excessiva, a afobação, não consta, necessariamente, do cotidiano. Pelo deslocamento do sol dá para a gente ter uma idéia da hora, os compromissos podem ser facilmente realinhados – tudo é muito perto. Na verdade, observamos o vento e a chuva com mais atenção, porque deles dependem atividades praianas como a pescaria, os esportes aquáticos, a caminhada à beira-mar, a chegada dos turistas... Fazer as coisas do dia-a-dia devagar é uma delícia – agradeço à vida por (finalmente) poder me dar este luxo, depois de décadas frenéticas.
O espaço é encantador: moramos numa espécie de Mesopotâmia – 50 kms separam o rio João de Tiba (ao Sul) do rio Jequitinhonha (ao Norte, em Belmonte). Uma grande enseada se desdobra ao olhar, com ilhas e arrecifes. A vegetação é linda e – a grande diferença de Brasília – o Oceano Atlântico é nosso vizinho ao Leste. Viver encostado ao mar é uma situação cantada em prosa e verso. Hoje em dia com as mudanças climáticas ocorrendo até acho perto demais: qualquer subidinha de mar vai nos colocar dentro de um aquário.
Transporte
Morei décadas em Brasília, uma cidade onde a necessidade de se locomover de carro é assustadora. Largas avenidas, grandes distâncias, transporte coletivo precário, fazem com que as pessoas se esforcem para ter automóvel – é quase uma extensão de nosso corpo.
Em Santo André, nosso carro único agora cria teias de aranhas. O transporte mais comum são os próprios pés ou as bicicletas. Com apenas 3 ruas e meia dúzia de ruelas é muito fácil se deslocar.
Convivência social
Na metrópole – principalmente em Brasília – a convivência era notadamente horizontal. Quase só nos relacionávamos com pessoas de classe média: a cidade é estruturada assim. Em Santo André é mais vertical – não é tão difícil ver-se o abonado e o carente no mesmo bar ou restaurante. A gente nota com mais facilidade os diferentes níveis de organização social onde os indivíduos atuam. Sabemos que o peão de obra, ou a senhora que trabalha com faxina, ou o gari são, ao mesmo tempo – por exemplo – líder na sua igreja ou chefe de família ou bom atleta de futebol. Claro que isto ocorre em todo lugar – só que em Santo André, por ser pequenino, a gente consegue enxergar a mesma pessoa em suas diferentes funções.
Fico com a impressão que a fragmentação pós-moderna é mais suave aqui do que alhures.
Curioso também, é que tendo vivido tanto tempo na capital do Brasil – onde se situam as embaixadas -- eu nunca tenha convivido tanto com estrangeiros como em Santo André. Já estive presente em inúmeras rodas de conversa com 2 ou 3 idiomas sendo falados ao mesmo tempo – parece que esta mistura é bem comum no litoral brasileiro hoje em dia.
A globalização não discrimina os povoados.
Postas estas características mais genéricas, aos poucos pretendo retomar este tema, trazendo aspectos que despertaram a atenção – e o carinho – pelo lugar. Seria muito bom se as pessoas que passarem por aqui – moradores de Santo André ou não – quisessem participar. Mesmo quem só passou por Santo André da Bahia – ou até mesmo ouviu falar.
Pode ser apenas duas linhas, uma foto, ou uma recordação.
Ou até uma dissertação.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Santo André: o espírito do lugar

Hoje recebi mensagem de uma moradora de Santo André, com as fotos abaixo. Foram tiradas durante um mutirão que houve na escola municipal -- as crianças ajudaram a pintar o muro e a consertar as cadeiras das salas de aula
Ao término das tarefas comunitárias, houve uma confraternização com direito a bolo, refrigerantes e o sorteio de uma boneca
o garoto acima é o Jeffinho, filho de Leandro e Mara (neto de Mirá e Raílson). Meu vizinho, vejo-o todos os dias (é craque na capoeira -- também toca flauta doce)
este outro (acima) é João Lúcio, reparem o olhar e o sorriso maroto
(obrigada, Wally, por cooperar com o blog)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

mineiro desapontado


Esse comentário veio hoje. Foi colocado sob o post "A carta do organizador da festa do reveillon."
Quem enviou mora em Minas Gerais, é um rapaz que frequenta Santo André há vários anos.
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"Estranho, abrir o blog de Santo André e ver uma foto de Brasília, que é exatamente o oposto...acho que o responsável pelo blog não incorporou o espírito do lugar mesmo. Lamentável. Pelo que estou acompanhando, realmente não é recomendável ir para Sto André, pelo menos em janeiro, pois a festa tende a manter o lugar inflacionado e com um tipo de turista (paulista) que não contribui com a manutenção do encanto do lugar. Acabou... "
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Moço, a foto de Brasília e agora as de São Paulo estão aqui no rede furada porque o blog se desloca, segue a zeladora que adora viajar, embora more em Santo André. Eu lamento se não consegui atender a sua expectativa quanto à incorporação do "espírito do lugar", mesmo morando lá há 3 anos. Se você quiser contribuir escrevendo uma notinha sobre Santo André, como você sente o povoado, qual a identidade que você enxerga lá, eu só tenho a agradecer.
Ainda gostaria de esclarecer que não tenho nada contra os paulistas (nem contra os mineiros). Caso possa lhe ajudar a encontrar um lugar para ficar em janeiro, pode contar comigo. Volto para lá na próxima semana. Você já entrou em contato com a Vera e o Nelson Zippin?
O Jambosana é uma excelente opção.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

presente dem natal



"QUERIDO PAPAI NOEL,
ESSE ANO VOCÊ LEVOU O MEU CANTOR E DANÇARINO PREFERIDO, MICHAEL JACKSON.
MEU ATOR PREFERIDO, PATRICK SWAYZE.
A MINHA ATRIZ PREFERIDA, FARRAH FAWCETT.
QUERO LEMBRAR VOCÊ QUE O MEU POLÍTICO FAVORITO É O ARRUDA. "
voltei ontem do distrito federal para são paulo depois de 3 dias cheio de encontros bonitos... no email uma mensagem engraçada de Karla, uma brasiliense que conheço desde pequenininha.
Ah, Karla, eu também acho que papai noel deveria levar o Arruda pra passear de rena...

Casablanca, forever

quem viu -- e até quem não viu -- o filme Casablanca não esquece do Café Américain
é ali que Ilsa se aproxima do piano e pede ao Sam para tocar As time goes by
quem quiser pode (re)ver em pouco mais de um minuto de youtube
http://www.youtube.com/watch?v=Wo2Lof_5dy4
o tempo passou, Rick se mudou para o Rio de Janeiro, modernizou o Café
(e lá se foi o glamour)
(foto Vanessa Dantas)

sábado, 5 de dezembro de 2009

regularização de terrenos em santo andré

Daqui do planalto central vejo notícia no informe de Santa Cruz Cabrália sobre a posse dos terrenos em Santo André

"Regularização de Terrenos
Em audiência com o Diretor Superintendente do CDA (Coordenação de Desenvolvimento Agrário), o Prefeito Jorge Pontes tratou da doação das áreas urbanas dos povoados de Santo André, Santo Antonio, Guaiú, Ponto Central e Vila Orádia, que atualmente pertencem ao Estado.
Com a doação das terras ao município de Santa Cruz Cabrália, os moradores dessas áreas que atualmente possuem apenas a posse precária do imóvel, poderão regularizar definitivamente seus terrenos." (foto Cláudia Schembri)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Amanhã é dia de Brasília





Brasília, a outra Brasília, onde moram as pessoas comuns, onde nasceram meus filhos, onde me casei, fiz amizades comoventes e finalmente, abandonei, é uma cidade adorável para se viver.
Só não é melhor porque falta o mar.
E sobra ladrão, vindos de todas as partes do País. Assim falavam os brasilienses -- antes dos panetones. Agora a produção de corrupção dos políticos locais parece superar qualquer parâmetro.
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Para espantar a tristeza, só ouvindo esta gravação da Gal Costa, de 1974 (dura um minuto), da música "Flor do Cerrado". O cerrado, para quem não sabe, é a vegetação típica do meio-oeste brasileiro. Não é exatamente bonito, visto como um todo. Mas os detalhes, ah, os detalhes...http://www.youtube.com/watch?v=77LuPFg-wLc
(foto de Anamaria Rossi)

Hoje também é dia de panetone?

Recebi esta foto de um político brasileiro enviada por um amigo lombardo indignado com o regime paquidérmico da corrupção generalizada enquanto isso, o povo brasileiro ...
(foto Patrick Grosner)

NO BERLUSCONI DAY

Vinda de Milão, uma convocação para um dia de protesto internacional contra o primeiro-ministro italiano.
5 DE DEZEMBRO
No Rio de Janeiro: Praia de Copacabana, em frente à discoteca "Help" às 11 :00
Em Buenos Aires - EMBAJADA DE ITALIA - TODOS Y TODAS CONTRA BERLUSCONI, POR LA LIBERTAD DEL PUEBLO ITALIANO!
Em Washington
No Berlusconi Day - Dupont Circle Metro Station South Entrance (19th Street) at 12:00 p.m.
Em Barcelona - No Berlusconi Day - Portal de l'Àngel
Em Londres - From 13.00, 38 Eaton Place, London,
Em Paris - NO BERLUSCONI DAY – TROCADERO - PARVIS DES DROITS DE L'HOMME- Samedi 5 décembre – 14h00
Il No Berlusconi Day Budapest si unira' insieme al No Berlusconi Day Vienna in un unica grande manifestazione apartatitica a Stephansplatz
Em ROMA -- Piazza della Repubblica at 2:00

Hoje é dia de Itália

Foto e texto de Nerina Amato, uma brasileira que se divide entre Santo André da Bahia e a ilha da Sardenha, na Itália
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"O Etna sempre fez parte da minha vida.
Ou quase.
Quando menina, a única imagem que eu tinha dele
era no bar-mercearia do meu pai,
pintado na parede, numa réplica de um cartão postal de sua cidade natal.
Ele ficava ali, quietinho, semicoberto de neve, no alto da parede
e eu não prestava muita atenção nele.
Aos 11 anos a pintura da parede virou realidade diante dos meus olhos
logo após uma grande erupção.
Toda aquela rocha negra ainda fumegante!
Mas ainda assim não entendia seu significado
através de meus olhos tão meninos.
Entao voltei adulta, várias vezes, e ele sempre lá,
lindo, majestoso, às vezes acordado, às vezes semi adormecido.
E agora no início da maturidade da vida,
entendi sua verdadeira presença dentro de mim.
Caminhar pelas trilhas de suas diversas lavas,
observar suas tantas crateras,
perceber um pouquinho do seu poder,
me fez entender algo sobre a relação entre os mundos.
Era como sentir a batida do coração da Terra, seu útero fervente
e penetrar em suas vísceras.
Era como sentir o Céu colado no rosto, seu pensamento infinito
e dissolver-se num mar celestial.
O Etna me presenteou
com uma nova sensação sobre o ser,
sem dentro nem fora
sem em cima nem embaixo,
sem um lado nem o outro.
Pura perfeita comunhão. "


(gratzie, Nerina)

o realismo mágico dos gêmeos pandolfo

Usei meu celular para fotografar o cartaz da exposição na fachada do prédio sabendo de antemão que o guarda iria me repreeender. Um simples olhar me alertou que o homem estava ansioso para proibir qualquer coisa. Qual o problema, se o cartaz estava fora do prédio? E a exposição não era de dois grafiteiros?Ao entrar no salão da FAAP compreendi que o moço estava certo. Se ele não proibir algo logo na entrada, vai ficar difícil reprimir a enorme vontade de brincar, correr e tocar que nos assalta naquele parque de diversões repleto de imagens surrealistas e cores alegres que criam uma atmosfera de sonhos através da mistura de imagens cotidianas com o abstrato. Delirante. E tem espaços lúdicos como a casinha, a carruagem, o barco, todos inundados de objetos, luzes, brilhos – em contraste com o ar melancólico que suas figuras trazem nos olhos miúdos, nas perninhas finas e no jeito de periferia urbana e folclore nordestino. Por sorte a gente pode entrar, sentar e até tocar uma pianola.
Os Gêmeos são uma dupla de irmãos (gêmeos) paulistanos, nascidos em 1974, cujos nomes reais são Otávio e Gustavo Pandolfo, que começaram espalhando suas imagens nas paredes da metrópole, mas só se tornaram conhecidos no Brasil depois que um de seus murais tomou forma numa rua de Nova York (acima).
Hoje os trabalhos da dupla estão presentes em diferentes cidades dos Estados Unidos, Inglaterra (fachada da Tate Modern, o museu de arte moderna de Londres), Alemanha, Grécia, Cuba, e outros países.
Este ano Os Gêmeos vão participar de eventos no mundo inteiro e só devem retornar ao Brasil para uma grande exposição no final do ano. Pena que a prefeitura cobriu alguns dos trabalhos dos irmãos que estavam espalhados pela cidade de São Paulo .
Na caminhada desde a Consolação até o local da exposição fui andando pela Bahia...

para ver mais dos gêmeos, acesse

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Reveillon em Santo André (Bahia)


Esta matéria sobre a festa do Duty (foto) o DJ que está promovendo a festa do reveillon em Santo André saiu na coluna da Joyce Pascowitch (Glamurama)
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"Glamurama voltou nessa segunda-feira de Santo André, na Bahia, o lugar que promete bombar neste fim de ano. É pra lá que vai grande parte dos glamurettes de São Paulo no Réveillon. A cidade está em polvorosa. Nos hotéis e pousadas do vilarejo, não se fala em outra coisa. E todos os quartos estão cheios.
* Quem está de passagem comprada não vai se decepcionar. O lugar é lindo, preservado e, o melhor, de facílimo acesso - via Porto Seguro. A paisagem tipicamente baiana tem coqueiros para todos os lados, vários quilômetros de praia, mar e rio que convergem em certo ponto. Super bonito.
* A atração principal de Santo André, no entanto, é a gastronomia. Parece que o lugar foi invadido por chefs de vários cantos do mundo. Uma dica especial para o pessoal que baixa por lá no Ano Novo é o Casa Praia, restaurante mais charmoso do lugar, superbem decorado e com um clima de Bahia chique. É tocado por dois argentinos, Pablo e Amadeo, e serve pratos internacionais com ingredientes locais deliciosos. Vai viver lotado, com certeza.
* Mas são vários os lugares que a gente tem de ir: As pousadas Victor Hugo, Jacumã e Gaili e, para comer, o El Floridita – que tem uma comida incrível - e a Pizzaria Estrela, pra paulista nenhum botar defeito. Agora é só esperar o agito e se jogar"
(foto - Pousada Victor Hugo)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

o sertão vai virar mar

como todo mundo sabe, político próximo de eleição é um perigo... promete qualquer coisa para conseguir os votos... mas desta vez o governador José Serra exagerou, além do fogo, prometeu o mar florzinhas da Paulista hoje de manhã cedo, na esquina com a Augusta
e o mar de Santo André, entre uma barraca e outra (será o Carlindo no ar?)

criança meu amor

Fomos ouvir esta menina-prodígio tocar partes de um concerto de Beethoven ontem, naquele prédio super bonito da Sala São Paulo, acompanhada pela Orquestra Sinfônica Brasileira. Ela se chama Aimi Kobayashi, nasceu numa pequena cidade japonesa e começou os estudos de piano com dois anos de idade (!). Ganha prêmios de interpretação desde os 6 e já se apresentou em evento televisionado para toda a Rússia com grande sucesso de público (assim como em outros países). Tão linda, apareceu vestida de pequena Sissi imperatriz, numa nuvem de (tule?seda?organdi?) com pequeninas cintilações. Deixou todo mundo enlevado com a música e a dança dos pequeninos braços A sala (antiga estação de trens) é enorme e de uma beleza estupenda. Os ingressos para o concerto da garota já estavam quase esgotados quando chegamos. Conseguimos lugar no fundo da platéia elevada, a posição em relação ao palco era de lado e incômoda (olha o rapaz da foto relaxando o pescoço). Como havia algumas cadeiras vazias bem do nosso lado -- e de frente para o palco -- no primeiro intervalo mudamos de lugar. Não fomos os únicos a bancar os espertinhos: várias pessoas tiveram a mesma idéia.

A pergunta que incomoda: será que nós, brasileiros, queremos sempre "nos dar bem"?(também não era permitido fotografar o espetáculo... mas a foto é de antes do concerto)

liquidação




caminhando hoje pelas ruas de São Paulo, vi este anúncio sinistro. Perguntei ao rapaz se o que estava em promoção era o velório, o hospital ou o estacionamento
ele se fez de morto
nem respondeu
achei melhor sair de cena
(não consigo resistir a um bom desconto)

domingo, 29 de novembro de 2009

mudança de hábito

Deu para notar que a loira de óculos azuis andando ao meu lado no corredor lateral da estação falava comigo porque ouvi distintamente a sua voz (para que lado fica a Sé?). Eu sabia que só havia duas opções de resposta (Tucuruvi ou Jabaquara?) mas a paciência dela esgotou antes de minha lerdeza passar. Nas primeiras horas dentro de São Paulo a realidade fica sempre embaçada e a memória em curto-circuito ou em brancos. Sei de cor os nomes das estações – é a linha que utilizo – de Jabaquara até Tiradentes. Dali pra frente, quando o trem vai pra zona norte, só recordo os nomes das estações com palavras bonitas (Armênia, Parada Inglesa) ou com particularidades (Carandiru). (Na foto, André du Rap, sobrevivente ao massacre do Carandiru)
Tentei me situar enquanto aguardava minha vez na fila de recarga do cartão da catraca e me esforçava para entender a conversa da mulher que parou atrás de mim. Não guardei uma palavra do que disse; quando voltamos a nos encontrar na plataforma do trem ela me olhou de relance e com um largo sorriso me avisou que registrara o tempo na fila: 12 minutos. Talvez trabalhe com estatísticas?
Desci no Paraíso (estação lotada, quem diria, com esse nome...) e antes de mudar de linha parei para ler as poesias que neste dia recobriam as paredes, havia aquela da linda e louca Ismália
"Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar... A poesia, o estranhamento inicial da cidade e a garoa fina só contribuíam para a sensação de sonho e de fantasia -- rendi-me ao onírico sem culpa -- entrei na locadora e peguei três filmes na prateleira central: um cubano, um italiano e um chinês.
O dia seguinte amanheceu cheio de realidades – jejum e exame de sangue no laboratório da Augusta, receita para o casal. Saímos dali para tomar café na Livraria Cultura da Paulista que nesta manhã abriu as portas ao som de uma banda infanto-juvenil chamada Vila-Lobinhos formada por jovens da periferia paulistana. Na mesma hora lembrei dos projetos sociais de Santo André, do esforço do Centro Cultural, do IASA e da cooperação do Corpo Cidadão para disseminar cultura e arte entre os jovens lá da minha Vila baiana. Emoção. Mesmo com as sacolas dos livros ainda deu para entrar na Galeria de Arte do Sesi e percorrer a exposição de Arte Colombiana, uma coletiva que prima pela variedade – são 50 artistas (entre os quais Botero) com influências das vanguardas do século XX (concretismo, cubismo, abstracionismo) e 148 obras, como este óleo de Beatriz González chamado Suicidas do Sisga II -- a artista pintou o quadro depois de ler no jornal a notícia do suicídio de um casal em uma represa.
São Paulo tem dessas coisas...