quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Travessia de Belmonte para a Ilha do Peso ou Canavieiras

Belmonte, um antigo centro comercial cacaueiro, é a única cidade de verdade na curta faixa costeira que se estende entre as desembocaduras dos rios João de Tiba e do Jequitinhonha. Lá tem Banco do Brasil, prefeitura, correio, praças, casarões coloniais preservados e outros ligeiramente ou estupidamente decadentes. Esta semana nos deslocamos até lá  dispostos a fazer a travessia do estuário embarcados na lancha voadeira do piloto Davi, contratado com antecedência. Partimos deste cais, nós quatro e o Enrique Vila-Matas, um escritor que admiro. Só descobri que o Enrique estava conosco após o passeio, quando li este trecho de seu livro A viagem vertical. "Começou a dissertar sobre a palavra travessia, e disse que a peregrinação, a passagem e a navegação eram formas diversas de exprimir o mesmo: o avanço de um estado natural para um estado de consciência por meio de uma etapa em que a travessia simbolizava justamente o esforço de superação e a consciência que o acompanha".
No cais, após o desenredo da tarefa de carregar as mochilas e o isopor com as bebidas, a maionese, o frango assado, a farofa e as frutas para o interior da lancha,  houve um momento de encantamento do grupo com a conversa desembaraçada da garotinha de tranças enroladas em cordões coloridos que observava o pai trabalhar numa segunda lancha ancorada nos degraus do cais à espera de seus próprios passageiros. É um típico passeio aqui da região e hora mais que precisa para colocarmos os pés na Ilha do Peso.
Eu ia dizer que a Ilha do Peso é perto, a gente começa a avistar uma de suas extremidades já na saída de Belmonte, só que o Enrique me apresentou um personagem seu, um tal Silveira, professor dos Açores, que me fez mudar de opinião: passei a achar a Ilha do Peso, ou qualquer ilha, como um local bem distante. Porque ele me lembrou do mito das Ilhas Afortunadas, as míticas ilhas da tradição clássica, tidas pelos gregos e outros povos da Antiguidade como locais de repouso para os heróis e os deuses -- paraísos, em suma. Geograficamente, elas foram identificadas com as Ilhas Canárias pelos navegadores fenícios, gregos e romanos que se encantavam com a beleza destas ilhas vulcânicas, exotismo vegetal e clima balsâmico. Imagino que deviam fundear por lá quando faziam as travessias do Mar Mediterrâneo em direção à costa atlântica africana. Simbolicamente, Fernando Pessoa fala delas (em Mensagem) como mito e símbolo de locais fora do espaço e do tempo. 
O pássaro, esta garça branca,  apareceu em nosso trajeto. Ela também está fora do lugar
...
"A espantosa grandeza do mito das Ilhas Afortunadas, continuou o professor, é que atravessa trinta séculos de história e cultura. Isto se explica pelo eterno sonho humano de vencer as doenças e a morte e ao mesmo tempo pelo temor do além. O homem nunca desejou um paraíso fora da terra e cujo tipo de bem-aventurança não conseguisse imaginar. Sempre estive convencido, de forma mais ou menos consciente, de que o Paraíso poderia estar na terra, se fosse possível viver em algum lugar sem os aspectos tristes e dolorosos da existência."
Começamos o nosso percurso fluvial entrando por este igarapé que começa como riacho e lá pra frente, penso, vira o Rio Passuí. Estranhei o gado estar tão magrinho  já que temos tido chuvas regulares e pastagem verdejante. 
As árvores estavam carregadas de frutas, como este jenipapeiro de cujo fruto é feito uma bebida bastante popular no Norte e Nordeste brasileiros -- o licor de jenipapo.  
"Pescamos" alguns cajás que boiavam na água do rio: deliciosos!
De vez em quando uma casa e um olhar, no lado do continente
A serenidade do passeio só era quebrada por um solavanco eventual causado pelo choque do leme com o leito do rio; a maré ainda estava baixa.
os ninhos de pássaros (japus) despencando dos galhos
passear de barco em belos rios, definitivamente é um dos meus programas prediletos...  cada curva uma festa repousante para os olhos...

Ilha do Peso - segunda etapa

De vez em quando passava uma ou outra embarcação, proveniente de Canavieras, a cidade do outro lado do estuário. O Enrique diz que existem três tipos de seres humanos: os vivos, os mortos e os marinheiros
A casa do Shell na ilha --  um sueco que conheci recentemente no aniversário da Paula que celebramos na pizzaria da Joyce. A Ilha do Peso tem uma penca de terrenos pertencentes ao pessoal que mora ou frequenta a Costa do Descobrimento. A amiga que nos levou para conhecer tem um bom lote e foi pioneira nos idos de 70 - arquiteta, construiu a primeira casinha do lugar.
O piloto do Tirateima estava meio desanimado...
"Ser o visitante apaixonado de inumeráveis ilhas...."  e encontrar o varal colorido de roupas estendidas
Navegamos até chegar na Barra do Peso:  voltamos a ver o mar. O encontro das águas pardas do rio com as ondas do Atlântico é bonito demais!
Foz de rio "vou pegar um robalo", arriscava o Cláudio...
Enquanto isso, fui passear um pouco na praia juntamente com Maninha e Andreia. Deserta... só para nós.
A ponta de areia é a extremidade mais próxima de Canavieiras. Existe uma segunda ilha, do outro lado do rio que está se "desmanchando". O fenômeno está causando o aumento territorial da Ilha do Peso pois a areia está sendo arrastada para lá. Tem gente que já ganhou cerca de 200 metros em sua propriedade devido a este deslocamento causado pela força da água fluvial e marítima.
Almoçamos e descansamos por algumas horas nestes chalés que contam com cozinha coletiva equipada (inclusive com varandas e redes). É proprietário o Pascal, um arquiteto francês que mora em Paris e vem duas vezes ao ano para o seu paraíso. Como é amigo da Maninha foi-nos possível desfrutar bem o lugar. Onde ele mora, de um lado da ilha é o rio e do outro, o mar. Belo!
Esta é outra ilha, fica em Santo André da Bahia e se chama...advinhe.... Ilha Paraíso! De propriedade particular, família de Salvador. Lindona: este lado é o do rio, voltado para o povoado. Na outra margem é o mar... 

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

rotas cruzadas na areia da praia


Nunca os vira no povoado. Passo a passo, a história daqueles dois foi se desvelando durante as caminhadas com os amigos pela orla marítima.   Contaram-me que os dois visitantes tinham sido amigos -- até o momento em que um forte desentendimento rompera a aliança fraterna; e ninguém sabe a razão.  Tanto tempo se passou na rota daqueles caminhos divergentes – um deles mora fora do Brasil há décadas. Até que a ventura -- sempre ela -- quis que escolhessem justamente Santo André da Bahia para o desfrute de alguns dias ao sol deste verão. Num vilarejo de poucas ruas, meia dúzia de becos e quatro praias desertas, o encontro foi naturalmente inevitável.  Por trás dos panos surgiu uma torcida discreta pelo reatamento daquela amizade.   Um dia encontrei-os na praia: primeiro avistei o de cabelo longo – chegamos a conversar por alguns minutos. 
 (Na noite clara do dia anterior havíamos compartilhado a refeição na casa de amigos em comum: numa mesa posta para jantar ao ar livre e à luz de uma memorável lua cheia).  
Só conheci de perto o segundo personagem porque minhas amigas foram até a pousada dele para as despedidas.  No breve encontro que se seguiu, abriu o sentimento e não pude deixar de ouvir: queria falar com o antigo amigo, cumprimentá-lo, esquecer a mágoa...
Não foi desta vez.
Quem sabe na próxima estação.
De qualquer maneira fiquei desconcertada porque quando cheguei em casa abri a página de um blog literário e encontrei um poema do português Gastão Cruz que me  pareceu desenhado exatamente para aquela ocasião.  
foto de Guiomar Eduardo de Paula
"Passou a alguns metros de onde eu
estava; não o via
há anos e nem sei
qual a última vez que com ele falara

Não o reconheci de imediato e bastou
essa dúvida para criar um hiato
na linha dos olhares de repente cruzados
dentro da tarde; receara

decerto não ter sido por mim reconhecido
enquanto que eu não fora já a tempo
de lhe mostrar que o vira e me lembrava
do seu rosto mesmo que um pouco menos

luminoso que outrora; e um remorso
absurdo me tomou por ter perdido
esse olhar hesitante
no desconcerto breve de uma tarde"

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

uma família na praia de Santo André

A coleção de depoimentos sobre Santo André está só aumentando... Desta vez trago a voz de um professor paulistano dizendo-nos sobre as três (três!) férias seguidas que  ele e a família passaram no nosso povoado. O Josmar da foto tem um blog neste endereço.
----------------
"Tudo que vou escrever a seguir não vale para jovens baladeiros a fim de um lugar para encontrar outros jovens baladeiros. Mas se você tem filhos, tem mulher, tem um monte de tensões desenvolvidas pela exposição continuada a São Paulo, ou alguma destas características tomadas isoladamente, então leia.
--------------------
Chegue a Porto Seguro, mas não perca nem mais um minuto do seu tempo. Pegue logo a estrada para o norte e vá contando as cidades. Você passará por Coroa Vermelha até chegar a Santa Cruz da Cabrália. Ali há uma balsa que atravessa o rio João de Tiba. Ela sai de meia em meia hora durante o dia e tem horários mais espaçados a partir das oito da noite. Ao chegar do outro lado você encontrará um pequeno vilarejo, com umas 900 pessoas viventes, entre nativos e adotados: Santo André. Meu pequeno paraíso particular. É onde mora um pedaço do meu coração.
travessia de balsa entre Cabrália e Santo André na madrugada (foto de Claudia Schembri, moradora)

Como nos conhecemos, eu e a vila? Em 2010 eu fui pra lá com a família no esquema “última opção”. Resortão Costa Brasilis, pacote CVC, preço mais em conta, único com vagas disponíveis. Estava muito muito triste. Tinha acabado de perder o concurso para professor da USP, para o qual tinha me preparado e dedicado muito de meu esforço. Sentia-me entre desamparado e desvalorizado. Queria fugir dessa sensação de derrota.
veleiros e crianças: uma dupla inseparável na enseada que se forma no encontro do rio com o mar
 Sim, o Ricardo Freire, do blog Viaje na Viagem tinha falado bem, mas confesso que fui meio ressabiado. Precisei de algumas horas descalço, de filhos na piscina e da brisa à beira mar para reverter minhas expectativas. Adorei o lugar. Ele é muito especial, a começar pela sua trilha sonora. Não há ali barulhos de máquinas, tirando o ar condicionado e alguns barcos que saem para pescar na madrugada e voltam ao final da tarde. Raramente passa uma moto ou um carro pelas ruas de terra. Há muitos passarinhos destemidos, que fazem ninhos ao alcance da mão e que cantam, meu deus, eles não param de cantar. Se você sair um pouco do esquema piscina com monitor, que as crianças amam (deixe elas lá), seus olhos vão alcançar a praia deserta, o céu azul, a rua de terra, os flamboyants floridos. Pessoas cordiais andam pelas ruas e dizem bom dia. Santo André é lar de alguns artistas, de alguns artesãos, de alguns argentinos, italianos, franceses, suíços. As peles negras, morenas e branquelas se cruzam pela rua principal e pelas vielas. Os restaurantes em volta são cheios de pretensões gastronômicas; alguns acertam, outros nem tanto. Mas sente-se uma aura de boas intenções, tanto que a gente até releva as más tentativas. Tomei um sorvete de creme com compota de caju que nunca me esqueci.
a travessia do rio jequitinhonha entre Belmonte e Canavieiras - um passeio clássico (foto de Giampi)
  Em 2011 fizemos uma votação para o destino da semana de viagem nas férias e as crianças venceram: todas as quatro escolheram voltar. E a experiência foi diferente: eu tinha sido aprovado no concurso da USP realizado no meio de ano (dobrei minha altivez, atendi a um pedido muito especial de um querido aluno, me inscrevi e prestei de novo). Estava saindo da Rio Branco orgulhoso do trabalho realizado em quase 10 anos de carreira. Santo André me recebeu de novo com a mesma serenidade. Desta vez alugamos um carro, fomos até Belmonte ver aonde o asfalto da estrada nos levaria: descobrimos, 50 quilômetros à frente, as margens do Jequitinhonha, seu encontro com o mar e uma cidade com resquícios de seu esplendor cacaueiro com arquitetura peculiar, colonial que, se agora está meio desamparada, ainda guarda os traços de sua imponência.
final de tarde macio, na ponta de santo andré
 Naquele dia, voltando de Belmonte, paramos na barraca da Maria Nilza, na maravilhosa praia do Guaiú e apreciamos uma moqueca temperada pela brisa do mar e pela simplicidade de um lugar sem energia elétrica nem água encanada, no qual se toma banho de canequinha. Pronto, fomos conquistados de vez. O único estresse de toda a viagem foi que perdemos nossa máquina fotográfica, com o registro visual de todas estas lembranças.
--------------------------
Em 2012 a família começou a decidir o destino da semana do verão a que temos direito. Debatemos muito com certo consenso de que voltar a Santo André estava fora das cogitações. Mas aí debatemos e debatemos mais. E voltamos pela terceira vez seguida, porque, seguindo uma lógica muito própria, “tínhamos que tirar as fotos de novo”. Ao nos registrarmos na recepção do hotel, o rapaz perguntou: “vocês não estiveram aqui antes?”. Terceira vez.
subir o rio joão de tiba de barco: um passeio imperdível
 Então fomos descobrindo novas coisas: o grande peixe de madeira à beira do rio, que serve de instrumento musical, à disposição de quem quiser tocá-lo. A praia das Tartarugas, com seus recifes, que se torna piscina no final da tarde. A linda vista do morro de Santo Antonio. Os doces de dona Pombinha lá em Belmonte, incluindo uma maravilhosa bala de mamão caramelizado. E reafirmamos velhas coisas: a paz de espírito que há quando nos afastamos da metrópole, a felicidade de ver os filhos 2 anos mais velhos, mudando de fundura na piscina.
o xilopeixe da praia (foto do IASA)
 Um dia fomos de carro até o Eco Parque em Arraial d’Ajuda, uns 50 quilômetros e duas balsas ao sul. Na volta para o hotel eu disse para minha mulher: “sinto uma coisa mágica ao atravessar este rio”.  Sempre reencontro com afeto essa minha grande São Paulo, da qual sou célula e cimento. Mas admito que minhas estadias nesse vilarejo minúsculo, perdido no meio do sol, à beira do rio João de Tiba, me deixam com caraminholas na cabeça. Fico pensando em como seria construir a vida de forma diferente. Que isso é meio maluco, mas que é possível. Dessa vez até perguntamos o preço de uma casa lá. Sei, sei, é poesia destrambelhada. Muito mais barato e inteligente pagar as diárias no resort. Mas que é muito bom poder deixar a cabeça flutuar um pouco, feito passarinho sem medo, isso é. 
Axé.”
o cinema sob as estrelas acontece o ano todo, sempre às sextas-feiras, no restaurante Casapraia (foto de Silvia Helena Cardoso)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

a greve da polícia militar no estado da bahia

Costa Brasilis (foto de m.Jo)
Hoje de manhã li esta pergunta- comentário de uma visitante do blog:
------------------
 "Olá. Gostaria de saber como está o clima em Santo André com a greve da PM na BA. Eu e minha família temos viagem marcada para março, ficaremos hospedados no Costa Brasilis, mas como vamos com duas crianças estamos um pouco preocupados. As notícias que chegam aqui em SP não são nada boas... Se puder me responder, te agradeço. 
E parabéns por este blog, foi ele quem me inspirou a conhecer Santo André. 
Daniela" 
-----------
praia das tartarugas (foto de m.Jo)
Cara Daniela:
Obrigada pela delicadeza em me dizer que o redefurada ajudou na sua escolha de Santo André como destino turístico...(sorriso).  Santo André é deveras diferente -- não há tantos vilarejos deste tipo ao longo da costa brasileira...Bonito, pequeno, uma vila com barcos e veleiros, ruas de chão, arborizado, moradores receptivos, praias semidesertas, um toque gastronômico bom (vale a pena conhecer os restaurantes do lugar). 
Por outro lado, a pergunta que você faz é séria e eu não sei respondê-la... No meu cotidiano nada mudou desde o início da greve: o povoado está "normal", isto é, quieto, com turismo de verão sossegado. Ontem estive em Porto Seguro, andei bastante nas ruas do comércio de bens e serviços -- tampouco notei algo diferente.  Acho que a única coisa que posso indicar com honestidade é o acompanhamento das notícias pelos meios de comunicação... Tem este site aqui, por exemplo, que você pode consultar: www.tudonabahia.com.br  
Particularmente, acho improvável que a PM ainda esteja de greve em março. Espero que surja um acordo entre governo e grevistas nos próximos dias -- oxalá esteja certa nesta previsão...
de qualquer maneira: Daniela, muito sol e calor para você e sua família
abração

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Pousadas de Santo André - Victor Hugo

O redefurada continua pescando e guardando na nuvem os depoimentos que surgem sobre a Vila, seus moradores, os serviços prestrados aos visitantes... A cartinha abaixo veio de duas pessoas que estiveram recentemente na Pousada Victor Hugo. Saibam os turistas que causa alegria e conforto receber mensagens assim. 
------------------------
"Olá Hugo e equipe, boa noite!
Deve ser natural os elogios acerca de sua pousada. Ainda assim, achamos importante deixar registradas algumas impressões a respeito dos dias que passamos com vocês... 
A pousada tem um charme discreto e leve, que mistura-se a uma dose de rusticidade autêntica expressa nos pequenos detalhes - o tom verde em meio ao encantador jardim com os seus moradores/cantores - os pássaros - , as amplas janelas por todos os lados, o pé direito alto, a música de fundo que passeia pelas preciosidades dos sons do planeta, o mar que invade as refeições, etc... 
ontem passei por lá... interessante como os hóspedes da pousada gostam de ler... quase todo mundo tinha um livro na mão... ambiente "cult": combina com o dono...
Aliado a esse sensível cenário, as pessoas também traduzem a beleza do lugar.
O Osvaldo, desde o início foi compreensivo ( pra variar, estávamos com a grana curta!!) e acolhedor. Sabe gerenciar com delicadeza e eficiência as necessidades de cada hóspede, colocando energia pra que tudo corra bem, e assim aconteceu. É um profissional dedicado, que responde na medida às demandas que surgem. O pessoal do restaurante revela uma espontaneidade com a dose necessária de profissionalismo.....
Osvaldo - um gerente dedicado
 O quarto sempre ajeitado pelas meninas...
A comida é boa, o café da manhã delicado e suficiente...
Enfim, ficar na Victor Hugo também foi uma viagem....
Esperamos que todos saibam que gostamos muito da experiência e esperamos voltar!
Parabéns Hugo!"
a praia em frente à Pousada Victor Hugo
 

sábado, 28 de janeiro de 2012

Lua de mel na Bahia

 Caros visitantes,
 Não é a primeira vez que Santo André é palco de uma lua de mel...É inegável que a Vila tem estilo e charme para ser a cereja do bolo de qualquer casamento.  Essa moça bonita aí da foto abriu um pequeno espaço na internet para falar com grande entusiasmo da temporada que ela e o noivo passaram aqui na Bahia. (o blog dela é aqui)
baianas de Belmonte (foto de Giampi D'Andrea)
 Vamos lá, para as apresentações:
"Paula, curitibana, jornalista. Recém casada com o Luis Gustavo, curitibano, arquiteto. Muuuito feliz com o sonho realizado."
---------------
A viagem deles, contada pela Paula:
-----------
"Olá meninas lindas!! Tudo bem com vocês? Comigo tudo ótimo, fora o inverno no meio do verão que resolveu fazer em Curitiba (pra variar), tá tudo certo...rsrsrs
Então, antes de falar sobre os detalhes do casamento, não poderia deixar de contar sobre a Lua de Mel, né?
Na verdade a escolha do local para a nossa Lua de Mel foi bem ao acaso. A gente tinha pensando em alguns lugares, mas eis que surge uma promoção nestes sites de desconto de um resort em Santo André, na Bahia, e pelo valor que estava em relação ao que o hotel o oferecia, resolvemos fechar sem pensar muito! E não é que deu certo?? Foi tudo per-fei-toooo!!!!!! Fechamos uma semana no resort e tínhamos mais uma semana pela frente, aí deixamos na mão no destino...rsrsrsr....já conto pra vocês!
Santo André fica no Litoral Sul da Bahia, pra chegar lá é preciso ir até Porto Seguro e aí alugar um carro, ou ir de táxi ou van até o vilarejo. Dá uns 30 km de distância. Sabem aqueles lugares onde ainda não chegou aquele turismo desenfreado, onde as ruas ainda são de areia, onde o povo é super solícito, as praias limpas, sem lixo, barracas de praia praticamente só pra você, comida maravilhosa, tudo certo?? Este lugar é Santo André!!! Posso dizer que virei fã de carteirinha (inclusive fiquei com vontade de morar lá...rs). O resort que ficamos se chama Costa Brasilis, é um encanto, todo em estilo colonial, e como eles sabiam que estávamos indo pra passar a Lua de Mel, nos receberam com o quarto todo decorado com flores da região, uma graça....o hotel é lindo, o atendimento de primeira, passamos uma semana lá e ficamos extremamente satisfeitos. Como a gente alugou um carro (acho essencial para quem vai para Santo André), todos os dias íamos conhecer algum lugar diferente, uma praia, um local histórico, foi demais! Além do que é tão perto de Porto Seguro que dá para ir e voltar no mesmo dia, dá para passear por lá e dormir no hotel numa boa...vale a pena!!
Tomaso, Matteo e Chloe: os italianos mais queridos... na rua principal de Santo André...
Na segunda semana resolvemos ir para Arraial D'Ajuda e aproveitaríamos para conhecer Trancoso e outras praias próximas. O Arraial d'Ajuda é bem diferente de Santo André, uma praia mais badalada, com muitas lojas, gente bonita circulando, muitos barzinhos e restaurantes, mas vou dizer....é muuuuito bom também!!! A praia é maravilhosa, o mar verdinho, transparente, coisa mais linda.....opções de lugares para comer e tomar uma cervejinha não faltam, as pessoas são muito simpáticas, é tudo 10. De carro, dá para conhecer Trancoso, Caraíva e muitas outras praias....mas uma que eu indico demais é a Praia do Espelho, considerada uma das mais lindas do Brasil. Meninas, a praia é simplesmente perfeita, intocada, virgem....a água é cristalina, as areias brancas, não tem como descrever, só indo mesmo.....
foto do blog da Paula... parece Arraial...
Tem tanta coisa pra contar, mas aí vou me alongar demais....só digo uma coisa, é uma viagem que vale muito a pena fazer!!! Aquela região tem muita coisa bacana pra conhecer, além das praias tem muita coisa sobre a História do Brasil, muitos lugares históricos, até porque aquela região é chamada de Costa do Descobrimento. 
centro histórico de Porto Seguro (foto de Camila Pacheco)
 Valeu muito a pena!!! Curtimos muuito a nossa primeira viagem de casados, foi muito romântico, especial! Espero voltar lá em breve!!!
Coloco aqui algumas fotinhos que tenho, a maioria está no computador do maridão!
Bjo grande e ótimo final de semana!"
------------- 
Caros Paula e Luis Gustavo: obrigada pela sua alegria com a Bahia.
Voltem sempre - e viva o amor!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Santo André da Bahia - outros olhares

imagem: Marília Viegas, via FB
Este blog, como expliquei, está em estado terminal. Pelo menos com relação ao formato que privilegiava:  a tentativa de expressar impressões e vivências como moradora de certa aldeia pequenita e diferenciada do litoral sul da Bahia.  Daqui pra frente este espaço virtual é apenas uma interrogação despreocupada, uma rede furada. 
Hoje achei em rede poderosa (Google) um depoimento novo sobre o Santo André baiano: desta vez é desta página
 ----------------------------------------
"Me chamo Giselle Nogueira, sou jornalista, moro em Belo Horizonte (Minas Gerais/Brasil). Nos últimos anos, tenho também me dedicado à literatura. Tenho alguns contos publicados e, em 2010, lancei meu primeiro romance (autobiográfico), pela editora Record: "Casaco Marrom, o amor nos tempos da guerrilha".
----------
O olhar de Giselle sobre a Vila se chama -- "Santo André: a Bahia sem Axé"
-------------------- 
imagem: Mônica Paoletti, via FB
 "Milhares de pessoas adoram (e eu não desgosto totalmente), mas, essa mania que se expandiu para as praias de todo o Nordeste, que é a de tocarem Axé (e outros ritmos ditos afro-baianos), o dia inteiro, na maior altura, arranhando nossos ouvidos, martelando em nossa cabeça, é muito cansativo. Às vezes queremos relaxar, bater um papo tranqüilo, ler um bom livro, e não conseguimos. E se esse é o seu caso, um conselho é ir para Santo André, distrito de Santa Cruz de Cabrália, a cerca de uma hora, de carro, de Porto Seguro.
alvez pela influência do grande número de europeus que se radicaram no local, a maioria constituída por italianos e franceses, Santo André é um lugar “cool”, uma certa sofisticação discreta, como afirmam alguns. Uma característica que, aliada à famosa tranqüilidade dos baianos, torna o lugar bastante acolhedor. Existem muitas possibilidades de hospedagem, para todos os gostos e bolsos, com ênfase para aconchegantes pousadas. Procure alguma que fique mais próxima do centro da Vila, e também da praia. Para facilitar seus deslocamentos, alugue uma bicicleta.
     As praias são lindas, o mar é calmo, em alguns lugares forma verdadeiras piscinas. A comida é maravilhosa, como os acarajés do Recanto da Bahia; a peixada e o atendimento do Gaivota, comandado pelo garçom Gil, são de primeira qualidade (tem também uma cocada assada de comer de joelhos); o Camarão Vitor Hugo, do Floridita, assim como o carpaccio de Badejo, combinação perfeita da comida oriental da chefe Mica, com a cozinha regional. As massas do restaurante Jacumã, na pousada com o mesmo nome, também devem ser provadas. 
imagem Marcelo Bottini, via FB
      Uma boa dica é, ao final da tarde, tomar um drinque (como uma deliciosa caipirosca de cacau) em alguns dos bares localizados à beira do belo e caudaloso rio João de Tiba, como no Pier Cojimar[i], também no Floridita. O proprietário, aficionado pela obra de Ernest Hemingway, criou um ambiente bem agradável para homenagear o escritor.
     No site da Associação Pro Cultura e Turismo Santo André-Bahia (http://www.santoandre-bahia.com/) você encontra todas as informações que precisa para fazer uma ótima viagem, inclusive sozinha. Chegando lá, não deixe de visitar o Atelier Maria Candeia, e conhecer as lindas luminárias de Joyce, em tecido pintado à mão. Para bijuterias, vá ao atelier Joias da Floresta, e se encante com as peças produzidas por Leide, segundo ela, uma mistura de criatividade, alto astral e muito amor. O resultado é muito bonito. Finalmente, no último dia, reserve espaço para uma esfoliação e hidratação corporal, se possível uma massagem, com a fada Adriana."

sábado, 21 de janeiro de 2012

Santo André -- verão de 2012.

Caríssima amiga,
foto de Luis C. K.
                  O laconismo de suas mensagens ainda consegue me surpreender – e me fazer sorrir.  Três linhas – e uma boa pergunta: “nas ocasiões que decidimos mudar a rota da vida, estamos sendo corajosos por fazê-lo, ou covardes por não agüentar o tranco?”.  Acho que a resposta vai depender de quem responde: ou seja, depende do caso.
Não há regra geral, eu argumentaria..
Rene Magritte

POR OUTRO LADO...
Esta semana comecei a organizar os livros que serão doados durante o processo da mudança.  Quem nunca mexeu numa estante de livros e viu-se presa do lugar, dependurada nos títulos, limpando as lombadas, admirando as capas, enternecendo-se com as dedicatórias dos livros escritos ou dados de presente pelos amigos, relendo as estranhas anotações feitas anos atrás, lendo as orelhas e a contracapa?  Uma parte de nossa biografia está lá nas estantes, nos prefácios, nas notas-de-rodapé. Aos mais frágeis, recomendo a presença de um analista amigo enquanto durar a operação. Foi assim que comecei a ler um livro-ícone dos anos 80 – “Tudo que é sólido desmancha no ar”.  A s linhas da introdução estão rabiscadas, não por mim; parece a letra de minha irmã.  O tema do autor é denominado “a aventura da modernidade” – observe-se que o título foi retirado de um  trecho de Karl Marx no “Manifesto Comunista” – onde se lê:
Todas as relações fixas, enrijecidas, com seu travo de antiguidade e veneráveis preconceitos e opiniões, foram banidas; todas as novas relações se tornam antiquadas antes que cheguem a se ossificar. Tudo que é sólido desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado, e os homens finalmente são levados a enfrentar (...) as verdadeiras condições de suas vidas e suas relações com seus companheiros humanos.
revista Life: São Paulo, 1939
O autor parece estar querendo dizer algo sobre essa pergunta do ficar ou partir. Será? Olha este trecho:
Para que as pessoas sobrevivam na sociedade moderna, qualquer que seja a sua classe, suas personalidades necessitam assumir a fluidez e a forma aberta dessa sociedade. Homens e mulheres modernos precisam aprender a aspirar à mudança: não apenas estar aptos a mudanças em sua vida pessoal e social, mas ir efetivamente em busca das mudanças, procurá-las de maneira ativa, levando-as adiante. Precisam aprender a não lamentar com muita nostalgia as “relações fixas, imobilizadas” de um passado real ou de fantasia, mas a se deliciar na mobilidade, a se empenhar na renovação, a olhar sempre na direção de futuros desenvolvimentos em suas condições de vida e em suas relações com outros seres humanos.”
dorothea tanning
Curioso, para você que conhece bem o entorno onde moramos, é que estávamos hoje na praia do Guaiú, comendo guaiamuns e tomando cerveja com Regina e Rita e deu que junto com as duas irmãs estava Sílvia, a fotógrafa paulista amiga de Ricardo Woo que veio para fotografar a entrada do ano do dragão (Woo é metade chinês, metade japonês, como bem sabe). Três dias de festa ininterrupta, no ateliê dele em Mojiquiçaba, começa hoje. Parece-me que amanhã será o clímax do evento e que haverá uma performance ousada do Woo – me informaram que o fogo vai rolar no imenso chapéu de piaçava que ele vestirá e nas peças de cerâmica que fabrica. Promete ficar no calendário. Espero que nosso amigo sobreviva!
Toda esta parte do Guaiú é para dizer que no meio da conversa a Sílvia citou – dentre tantas possibilidades -- justamente este livro que retirei da estante para ler; precisamente o livro de onde retirei as citações acima. Será que o universo manda sinais?
Ricardo Woo
Tudo que é sólido desmancha no ar.  
Tudo que começa, acaba -  só para recomeçar outra vez. 
Abraço: bom final de semana!