segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Que livro você levaria para uma ilha deserta? (G. K. Chesterton)
Gilbert Keith Chesterton é um escritor inglês do início do século XX, considerado pela crítica como um dos maiores criadores de histórias policiais de todos os tempos — ao lado de Agatha Christie, Arthur Conan Doyle e Edgar Alan Poe. Louvado por autores-monstros como o argentino Jorge Luis Borges (para quem ele fazia "um milagre a cada parágrafo"), Chesterton teve uma carreira intelectual profícua e diversificada: foi contista, romancista, caricaturista, jornalista, humorista, polemista e biógrafo.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
LINDA VILA: a praia de santo andré (Bahia)
Antes da mudança para Paraty moramos 6 anos numa praia do sul da Bahia, mais precisamente no povoado de Santo André, um distrito de Santa Cruz Cabrália. Lugar bonito por natureza... rio largo e limpo, praias preservadas, povo acolhedor e imbuído de um precioso sentimento comunitário. A mais recente iniciativa visa a preservação da igreja católica, um prédio construído com doações e que agora necessita limpeza, pintura e arremates como um pequeno jardim.
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| a obra de restauro foi iniciada |
A jornalista Léa Penteado, que lá reside, explica os detalhes:
"O Zé e o Giba começaram a pensar em algumas ações para a nossa vila ficar mais bonita. Surgiu assim o LINDA VILA cuja primeira intervenção está sendo na Igrejinha... Estão retirando as camadas de tinta, preparando para uma nova pintura, um jardim na frente, uma cruz no alto e um foco de luz...
Outras intervenções estão sendo pensadas e para tanto precisamos levantar recursos...
Surgiu assim a camiseta LINDA VILA que será lançada no sábado dia 8 de setembro, às 5 da tarde na Fabrica de Doces, em frente a Igrejinha...
Venha para conhecer a proposta e tomar um chá. Traga também suas ideias, este é um trabalho coletivo, sua participação é fundamental, afinal estamos todos na mesma vila... Se você está fora de Santa Cruz Cabralia e quer participar adquirindo uma camiseta, envie email para santoandrebahia@gmail.com"
"O Zé e o Giba começaram a pensar em algumas ações para a nossa vila ficar mais bonita. Surgiu assim o LINDA VILA cuja primeira intervenção está sendo na Igrejinha... Estão retirando as camadas de tinta, preparando para uma nova pintura, um jardim na frente, uma cruz no alto e um foco de luz...
Outras intervenções estão sendo pensadas e para tanto precisamos levantar recursos...
Surgiu assim a camiseta LINDA VILA que será lançada no sábado dia 8 de setembro, às 5 da tarde na Fabrica de Doces, em frente a Igrejinha...
Venha para conhecer a proposta e tomar um chá. Traga também suas ideias, este é um trabalho coletivo, sua participação é fundamental, afinal estamos todos na mesma vila... Se você está fora de Santa Cruz Cabralia e quer participar adquirindo uma camiseta, envie email para santoandrebahia@gmail.com"
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| já encomendei a minha |
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
casa para morar em Paraty
Então foi hoje, dia 5 de setembro, que assinamos a escritura de um terreno em Paraty. Ao lado desta casa amarela -- onde estão as goiabeiras. No momento é só um chão de terra batida, sem paredes, sem teto, sem colchão. Vamos construir mais uma casa, o moreno e eu, seres errantes o suficiente para combinar tacitamente que quando a gente acabar de construir a casa, a gente fecha tudo com chave e sai pra viajar.
Nós só precisamos de um lugar para voltar.
Nós só precisamos de um lugar para voltar.
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(...) e esta viagem em busca da Ítaca perdida pode ter-se como virtualmente terminada no dia em que a própria errância toma consciência de si como errância de ninguém.
Eduardo Lourenço
citado no livro
Escritura do Retorno
Mallarmé, Joyce e Meta-signo
de Piero Eyben
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| e é por aqui que pretendemos estacionar nos próximos 20 ou 30 anos |
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terça-feira, 4 de setembro de 2012
estrada Paraty-Cunha para principiantes
| os detalhes: as flores, as cores, o efeito da luz sobre a vegetação |
| A estrada já foi interditada várias vezes... Encontramos um acidente sério, este carro que precisou ser guinchado... Se alguém pretende ir por lá, veja primeiro esse vídeo (1m22) que achei no youtube http://youtu.be/q_dAOoT3G70 |
domingo, 26 de agosto de 2012
mudar tudo para não mudar nada
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| Filme "O Leopardo" de Luchino Visconti, com Cláudia Cardinale |
| A não ser que nos salvemos, dando-nos as mãos agora, eles nos submeterão à República. Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude." |
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Em outra instância, lembro de ter escutado diversos terapeutas comentar que muitas pessoas que fazem terapia, na verdade, não desejam mudar. Ou melhor: querem mudar alguma coisa, mas não a essência.
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Acho que a fábula de Millor Fernandes reflete bem esta situação, com o humor que lhe é típico...
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"Olin-Pin, abastado negociante de óleos e arroz, vivia
numa imponente mansão de Kin-Tipê. Sua posição social e sua mansão só não eram
perfeitas porque, à direita e à esquerda da propriedade, havia dois ferreiros
que ferravam ininterruptamente, tinindo e retinindo malhos, bigornas e
ferraduras. Olin-Pin, muitas vezes sem dormir, dado o tim-pin-tin, pan-tan-pan
a noite inteira, resolveu chamar os dois ferreiros e ofereceu a eles mil ienes
de compensação, para que ambos se mudassem com suas ferrarias. Os dois
ferreiros acharam tentadora a proposta (um iene, na época, valia mil dólares) e
prometeram pensar no assunto com todo empenho. E pensaram. E com tanto empenho
que, apenas dois dias depois, prevenidamente acompanhados de advogado,
compareceram juntos diante de Olin-Pin. E assinaram contrato, cada um
prometendo se mudar para outro lugar dentro de 24 horas. Olin-Pin pagou
imediatamente os mil ienes prometidos a cada um e foi dormir feliz, envolvido
em lençóis de seda e adorável silêncio. Mas no dia seguinte acordou
sobressaltado, os ouvidos estourando com o mesmo barulho de sempre. E quando ia
reclamar indignadamente pela quebra do contrato, verificou que não tinha o que
reclamar. Os dois ferreiros tinham cumprido fielmente o que haviam prometido. Ambos
tinham se mudado. O ferreiro da direita tinha se mudado pra esquerda, e o da
esquerda tinha se mudado pra direita."
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MORAL: Cuidado quando a esquerda e a direita estão de acordo
MORAL: Cuidado quando a esquerda e a direita estão de acordo
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
carta para um amigo de santo andré da bahia
Caro amigo,
Depois de tanto tempo ausente passei
hoje no redefurada e vi que você havia se tornado o mais recente membro do blog, o de número 118 –
uma categoria especial de visitante que se dá ao trabalho de colocar seu nome clicando
na faixa azul onde se lê “participar deste site”. Acho esta atitude tão gentil
que anoto todos os nomes cuidadosamente numa folha à parte. Já fui muitas vezes visitar as páginas dessas
pessoas na calada da noite – a maioria desconhecida na vida real – mas raramente
deixo recado, gosto de olhar em segredo.
Quero lhe dizer que essa última
viagem para o povoado de santo andré foi particularmente significativa. No início
uma sensação de perda -- quando abraçava uma pessoa tinha um desgosto de
despedida, quando olhava para o rio pensava que ele não chegaria ao mar, e que
as folhas cairiam das árvores a qualquer momento sob a chuva de um vento leste
valente. O espírito aos poucos foi se
acalmando, comecei a me sentir em casa novamente – e o mais estranho – mais em
casa do que quando eu morava lá. É que fui compreendendo de uma vez por todas que
pertencer a um lugar é um sentimento íntimo que não precisa de passaporte nem de
carteira de habilitação. É uma questão de identidade, de sintonia, não carece
da autorização de ninguém. Nem exige
exclusividade. Dentro de nós – você que
o diga, tão viajado que é – vão se ajeitando pedaços de cidades, de muros, de
raízes, de olhos de gente.
Um mapa-múndi de memórias, sonhos
e reflexões.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Santo André (Bahia) Dicas de viagem
A matéria acima, juntamente com as fotos, foram copiadas deste site de viagens
http://www.viagemnaboa.com/destinos/santo-andre-guia-de-viagem-dicas-e-onde-ficar
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Contém alguns elementos fantasiosos como "passeios de jipes pelas praias" (a circulação de carros na praia é proibida) e essas festas indianas e tailandesas... O autor se confundiu.
Santo André tampouco se notabiliza pelo axé... Você precisa ir lá para ver e sentir pessoalmente.
É LINDO, seus moradores são simpáticos e hospitaleiros, é um local bem tranquilo.
Boas férias.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
ontem não te vi em babilônia
Tens razão, não pude comparecer ao encontro marcado, precisava viajar para a Armênia em missão: DETRAN. Transferir um automóvel registrado na Bahia para a cidade de São Paulo. Preparei-me de antemão lendo as instruções "passo-a-passo" que encontrei na rede. Foram cinco horas de formulários, carimbos, pagamentos de taxas, vistoria e absurdos - Kafka teria ficado feliz. Uma das etapas era decalcar os números do chassis e do motor do veículo - essa tarefa é feita por dois sujeitos estacionados na calçada lateral; foram eles que preveniram:
- Cuidado com os vistoriadores novos; não estão aceitando os decalques, exigem um laudo fotográfico que custa uma nota
Dito e feito: o vistoriador do Detran quis ver as fotografias do motor. Meu marido argumentou que chegara há pouco da Bahia, não sabia andar direito em São Paulo, tudo é tão difícil por aqui...funcionou (em parte)
- Então vocês precisam ir até o cartório do Bom Retiro fazer uma declaração da proprietária dizendo que se responsabiliza pelo número do motor que consta no decalque
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| Igreja Armênia, na Avenida Santos Dumont (foto da internet) |
Três ruas na direção da Igreja Central Armênia, vira pra esquerda, continua até o número cinquenta e sete: chegamos no cartório. O atendente magrinho de óculos grossos é dessas pessoas que preferem dificultar a vida dos cidadãos; foi logo afirmando que a identidade estava danificada, não servia. Mostrei a carteira de habilitação. Servia. Preenchi o cartão com as assinaturas de reconhecer firma e assinei a declaração para o Detran na frente dele.
- Não confere.
- Comassim? moço... você mesmo me viu assinando aqui no balcão...
Foi preciso repetir tudo, cartão e declaração. Na hora de pagar o serviço, a pergunta inusitada do caixa
- Cadê a segunda via da senha?
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A história é enfadonha, malgrado o final feliz: no último instante conseguimos entregar a papelada no guichê dezessete cujo rosto atrás do vidro nos deu um protocolo para pegar a nova documentação e a placa do estado de São Paulo. Fica pronto em dois dias.
Affffffff
A burocracia é inimiga da solidariedade.
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A estação de metrô Armênia é uma homenagem da cidade de São Paulo aos imigrantes que para cá se dirigiram no começo do século vinte fugindo do genocídio praticado pelos turcos. Na década de 1980, uma grande
mobilização da comunidade armênia conseguiu convencer o
então governador Franco Montoro a alterar o nome da Estação Ponte Pequena do metrô para Armênia, que a esta altura já era associada pelos paulistanos com este povo devido à concentração de moradores e estabelecimentos comerciais armênios na vizinhança.
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| Um grande quadro expõe os nomes daqueles que ajudaram financeiramente na
construção da igreja. Os sobrenomes dos armênios terminam sempre com
IAN (revista Época) |
Em 12 de novembro de 1985, a nova Estação Armênia foi inaugurada. Há referências ao povo, como a inscrição de
poemas no idioma ancestral e duas khatchkarer (cruzes de
pedra) do lado de fora, acompanhadas do alfabeto armênio.
terça-feira, 24 de julho de 2012
andar na rua em são paulo
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| "Os gêmeos" |
Foi-lhe explicado pelos demais que
a cena não é rara – os balões são motivo de disputa entre grupos rivais da
periferia paulistana. Acompanham o balão até o local da queda. Quem chegar
primeiro... Momentos depois perceberam
que outro balão vinha caindo lentamente nas proximidades.
Voltou pra casa sem café, sem pão
e sem balão.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
álbum de fotografias
| Avenida Paulista |
Tu és - Ninguém - Também?
Então somos um par?"
(Emily Dickson, poeta americana)
| Corpos presentes - CCBB |
| diálogo mudo |
| definições do Aurélio: levar o cano = mau negócio |
o espanhol Vila-Matas leu um poema
de Álvaro de Campos
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"Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco"
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a estrada de Sintra não passa pelo Chile
o carro não era um chevrolet
nem esta pessoa se chama Fernando
(é tudo mentira)
sábado, 14 de julho de 2012
Olympia, de Edouard Manet
Texto do cineasta Cacá Diegues, publicada no jornal "O Globo", em 2010
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"Em 1865, o quadro "Olympia", do pintor Edouard Manet, pai do
impressionismo, foi recusado pelo Salão de Belas Artes de Paris. Exposto
então no Salão dos Recusados, "Olympia" provocou escândalo sem
precedentes. O quadro retratava uma mulher nua deitada na cama, enquanto
uma criada negra lhe traz flores e um gato preto, aos pés da moça, nos
encara do canto direito da tela. Além de mal pintado, um borrão de
cores, atentado à boa pintura de uma época neoclássica, paródica e
acadêmica, "Olympia" foi acusado também de indecente e pornográfico.
Jornalistas e escritores zombavam de Manet, professores e estudantes de
Belas Artes indignavam-se com ele, mães de família em passeatas cobriam o
quadro para que não fosse visto. Paris inteira linchava "Olympia".
Somente o escritor e jornalista Émile Zola ousou defender publicamente o pintor e sua obra. Num artigo em que anunciava o nascimento de uma nova arte e de uma nova moral na produção artística francesa, Zola só lamentava a presença do gato preto no canto da tela que, segundo ele, servia apenas como ornamento desnecessário, elemento de distração no rigor poético da composição. Diante do clamor geral, o diretor de seu jornal exigiu que Zola se retratasse e, como o escritor se recusasse a fazê-lo, foi despedido e viu as portas de todos os jornais franceses se fecharem para ele. Manet, como agradecimento por seu gesto, pintou-lhe então um retrato que se encontra exposto no Museu d"Orsay, ao lado do "Olympia".
Somente o escritor e jornalista Émile Zola ousou defender publicamente o pintor e sua obra. Num artigo em que anunciava o nascimento de uma nova arte e de uma nova moral na produção artística francesa, Zola só lamentava a presença do gato preto no canto da tela que, segundo ele, servia apenas como ornamento desnecessário, elemento de distração no rigor poético da composição. Diante do clamor geral, o diretor de seu jornal exigiu que Zola se retratasse e, como o escritor se recusasse a fazê-lo, foi despedido e viu as portas de todos os jornais franceses se fecharem para ele. Manet, como agradecimento por seu gesto, pintou-lhe então um retrato que se encontra exposto no Museu d"Orsay, ao lado do "Olympia".
Nesse quadro, Zola está a escrever, cercado de livros e, na parede do
cômodo, o pintor reproduziu o "Olympia", sem o gato preto no canto da
tela."
quarta-feira, 4 de julho de 2012
O valor dos livros
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| "O filósofo lendo" tela de Jean-Baptiste Chardin, 1734 |
Em tempos de FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty, a leitura, as palestras, os colóquios e debates têm preenchido meu tempo completamente. Para comentar esta atividade tão gostosa e enriquecedora -- a leitura -- trouxe para cá este artigo escrito por um professor de literatura (blog "O magriço cibernético) onde ele comenta este quadro de Chardin.
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"O primeiro
elemento que deve merecer destaque é a roupa do leitor. É importante notar que
ele usa uma vestimenta formal, como se tomasse parte de um cerimonial, de um
culto. Tanto que porta um chapéu, o que transmite, no contexto, um ar sagrado
ao ato que está realizando. Reforça ainda essa atmosfera solene a expressão
compenetrada da personagem, o seu alheamento em relação ao que a cerca, além do
silêncio que domina o ambiente. Todos esses ingredientes nos ensinam que a
leitura é um ato sério, de concentração quase sagrada, pois só assim alcançará
eficiência. Infelizmente, são elementos que estão se tornando raros nas
gerações atuais, extremamente dispersas e desfocadas. Dominar essas
habilidades, portanto, garante uma enorme vantagem diante da mediocridade que
impera o pensamento atual.
O segundo
elemento importante é a ampulheta, no canto inferior esquerdo do quadro. Ela
instala um interessante e poderoso paradoxo. A começar, esse instrumento, que
representa a brevidade do tempo humano, se for deitado, vai lembrar o símbolo
do infinito. Efemeridade e perenidade em um mesmo objeto. A conjunção dessas
qualidades opostas coloca em foco grandes questões ligadas à leitura. A
primeira é a de que o tempo que escorre, o qual marca tanto o fluir da vida do
leitor quanto o da leitura, evoca a grande e prazerosa angústia do intelectual
– a incompatibilidade entre o tanto que se quer ler e o pouco de tempo que se
tem de vida para isso.
Outro ponto
interessante nesse aspecto temporal é o diálogo entre eterno e passageiro na
relação entre o leitor e a leitura. O homem tem uma existência breve, ainda
mais quando comparado com a duração das ideias que são veiculadas por um livro.
Entretanto, é esse bicho da terra tão pequeno e efêmero que, por meio da
degustação de um texto, acaba dando eternidade ao que está em uma publicação. Em
suma, esta é superior ao homem, pois o supera em durabilidade; entretanto, essa
superioridade só é possível pelo fato de existir alguém, ainda que fugaz, que
leia esse volume.
Por fim, o
terceiro elemento que merece destaque é o bico de pena que se encontra ao lado
da ampulheta. Ele revela que o leitor não assume uma postura passiva de mero
receptáculo do que é apresentando pelo livro. Muito ao contrário disso, sua
atitude é ativa, pois demonstra uma disposição a fazer anotações, a concordar,
a discordar, a resumir, a acrescentar. Ratifica o postulado de que um
intelectual lê escrevendo. A verdadeira leitura se faz com escrita. Quem lê bem
escreve bem. Quem escreve bem lê bem. Impossível admitir o contrário.
A aceitação de
todos esses elementos expostos aqui – nunca é demais repetir – é condição
essencial para que a leitura se realize de maneira eficaz, contribuindo para o
desenvolvimento do homem em sua plenitude cognitiva e afetiva."
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