quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O museu MAXXI de Roma - arquiteta Zaha Hadid

Zaha Hadid tinha só 10 aninhos quando posou para uma fotografia em frente à Fontana de Trevi e se apaixonou por Roma à primeira vista.   A garota iraquiana (radicada em Londres) ainda não imaginava que seria a primeira mulher do mundo a receber o prêmio Pritzker, uma espécie de Nobel da arquitetura. Nem que iria intervir na arquitetura de Roma através de obra própria,  o prédio do MAXXI (Museo Nazionale delle arti del XXI Secolo), o mais novo museu de lá, inaugurado este ano após dez anos de construção a um custo de 150  milhões de euros.  Quando o Ministério da Cultura  italiano quis delinear um projeto de rejuvenescimento da  cidade  dos césares e dos papas foi através de um instigante desafio: a construção de um museu de arte contemporânea no meio das relíquias arquitetônicas da capital  da Itália. A proposta de Zaha venceu 250 estúdios de arquitetura de todo o mundo. O espaço escolhido foi o bairro Flamínio, não muito longe do centro histórico de Roma, na direção da Piazza Del Popolo.  O sítio era cheio de casas pequeninas que foram alojamento para soldados do Exército italiano durante a guerra (dá para ver na foto, assim como o Rio Tibre, ao fundo). O elemento decisivo na escolha do júri foi a sinuosidade do desenho de Zaha que não agride o bairro, ao contrário, dialoga com ele. O Museu é baixo, quando comparado com os edifícios residenciais mais altos da vizinhança.


A circulação é contínua, o visitante pode escolher por onde  iniciar o percurso, a sequência das salas é aleatória (não há espaços compartimentados), a gente escolhe o museu que quer ver. Um tanto como aquele livro de Cortázar (Rayuela) onde a ordem  dos capítulos e o ritmo do livro é decidido pelo leitor. Parece uma caixa mágica cheia de transparências (uso intenso de vidro), iludindo o visitante com espaços curvos que  ora deságuam em ambientes amplos e abertos, ora em salas pequenas, intimistas. Dessa maneira ela impõe desafios aos artistas e curadores que terão de lidar com a ausência de paredes convencionais  para pendurar suas telas – a idéia da arquiteta é que se trabalhe com divisórias suspensas do forro.
Fiquei um tempão olhando estas malas, as etiquetas, os trincos e fechaduras, algumas fotos ou escritos que estavam dentro, as texturas, cores... Foram coletadas em campos de concentração de prisioneiros judeus.  A obra é uma releitura do Muro das Lamentações de Jerusalém.
O prédio do Maxxi tem 27 mil metros quadrados, mas é discreto e já foi apelidado de jibóia” pelos romanos. Promete tornar-se um dos edifícios mais emblemáticos da cidade. Olhando de fora (são dois prédios que se cruzam), não se imagina a imensidão e a fluidez que vai se encontrar no interior.

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