terça-feira, 15 de junho de 2010

Cine a La Intempérie

Com este título maravilhoso, o Cine a La Intempérie é um projeto de cinema promovido por duas argentinas corajosas que estão percorrendo a América Latina há quase 2 anos com uma mostra independente de filmes audiovisuais. As chicas utilizam uma camioneta antiga como meio de transporte para alcançar rincões insuspeitados. Por agora estão percorrendo a região amazônica brasileira. São elas Viviana García (de La Plata) e Griselda Moreno (da província de Salta), trabalhadoras do cinema e da fotografia. A proposta é cultural, mas não é difícil imaginar que elas estão vivenciando uma grande aventura. Estiveram nos povoados do norte da Argentina, visitaram lugarejos habitados por não mais de 12 famílias no Atacama, passaram pelos salares do Chile e da Bolívia. Além da costa do Peru, da selva amazônica no Ecuador, escolas rurais no Panamá e Colômbia, Cuba e finalmente chegaram a Tijuana, no México. Uma viagem mágica, com espectadores de todas as idades, em dezenas de lugarejos perdidos nos mapas latinos.
Estas mensageiras pós-modernas do cinema rodam pelas difíceis estradas latinoamericanas e são foco de vários meios de comunicação, local e internacional, ao mesmo tempo em que registram em filme, fotografia e escrita cada etapa desta aventura que pretende se transformar em filmes para a TV, em livro e em participações nos festivais de cinema independentes. O projeto ganhou o reconhecimento da Secretaria de Cultura da Argentina e de outras instituições culturais.
Quem primeiro me deu notícias deste projeto foi uma amiga argentina, a Alicia. No momento Alicia vive em Rosario, mas como tem casa e coração em Santo André da Bahia, esperamos que logo ela venha passar uma temporada por aqui (amiga, que saudades de nossas caminhadas até a praia das tartarugas!). Alicia falou do nosso povoado para as moças e talvez elas possam trazer o projeto para cá, no final deste mês. Pablo e Amadeo também estão ajudando a divulgar o projeto, o site oficial é www.cinealaintemperie.com.ar
Tomara que o Cine de La Intempérie passe por Santo André da Bahia!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

fazer o quê em Nova York?

andar nas ruas para sentir a vibração local
visitar os museus e galerias de arte (a foto desta mulher incrivelmente bonita está no MoMa, o museu de arte moderna)
descansar as pernas nas escadarias do Metropolitan Museum e olhar as gentes que passam - a faixa anuncia uma megaexposição do Picasso, fomos atraídas por ela... nós e + uma multidão, ficou difícil de apreciar com calma as obras do artista
estar com as pessoas da família que não temos chance de ver com a frequência com que gostaríamos - Pedro e Yumi nos levaram para inúmeros restaurantes, a maioria oriental, adorei esta parte
passear com o Byron -- ele nos contou diversas curiosidades sobre a reconstrução do local onde se localizavam as torres gêmeas do World Trade Center (rebatizado como Marco Zero)
passear na parte sul de Manhattan, apreciando o mar e as embarcações ao longo do cais, no bairro conhecido como Battery Park City
ver o alinhamento dos edifícios ao longo da linha do horizonte na clássica travessia de balsa para Staten Island, um passeio lindo, compartilhado com o Byron, o Cláudio e o Caio
Ao passar pelas águas de Lady Freedom lembrei da peça que empolgou a juventude de minha geração "Liberdade, Liberdade" de Millor Fernandes. Nunca esqueci o momento que Paulo Autran entrava no palco para dizer a frase Nasci pra te conhecer e pra te amar, Liberdade!
Naquela época havia uma ditadura militar neste País. Isto foi no século passado. Hoje -- quem iria supor -- Luís Inácio Lula da Silva é o presidente da Terra Brasilis.

domingo, 13 de junho de 2010

Sharbat Gula: a menina dos olhos d'água

A foto desta menina afegã de 12 anos impressionou o mundo quando apareceu na capa da revista National Geographic em 1985 nos fixando diretamente. De autoria do americano Steve McCurry a foto faz parte da mostra O desassossego da cor , na Galeria de Babel, em São Paulo.
Nas palavras do fotógrafo:
“A imagem desta menina foi reconhecida no mundo inteiro. Recebi várias cartas e e-mails até que decidi tentar encontrá-la. Muitos queriam conhecer sua história. Quando a achamos foram feitos vários testes científicos que comprovassem que era realmente ela. Mas nós não tínhamos dúvidas. O documentário que fizemos para encontrá-la teve um impacto muito forte em minha vida. Mas o melhor da história foi o fato de sermos capazes de reencontrá-la, ajudá-la e fazer sua vida melhor.”
Steve é um dos mais famosos documentaristas mundiais. Andou pelo Oriente fotografando momentos históricos e cotidianos de vários países como Afeganistão, Índia, Camboja, Líbano.
suas fotos têm cores febris e são de imensa beleza estética como esta, de mulheres indianas do Rajastão.

cenas de aeroportos

platéia do jogo Argentina e Nigéria ontem, no aeroporto de Guarulhos

descoberta de uma mãe desavisada ao levantar a manga da camiseta do filho que não avistava há 6 meses, na hora da despedida no JFK... e agora? ele vai ser engenheiro ou trabalhador das docas?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

viagem à Tailândia

Quem mora em Santo André da Bahia já sabe -- há muito tempo -- que temos um novo casal in town. Não existem desconhecidos por lá - a população é tão pequena que, ao avistarmos um rosto diferente, antecipamos que é turista ou morador recente. Antes de chegar na Bahia, Rodrigo e Cristiane rodopiaram por este mundo de meudeus. Na voz de Cristiane e nas fotos que o casal fez, entra um cheiro e um gosto de Tailândia pelos buracos da rede. Agradeço a contribuição, reafirmando o meu desejo (e o dos visitantes) de tornar o blog mais participativo e viajante.
"Estivemos na Tailândia em 2007, e poucos dias depois de chegar, já lamentávamos não poder estender nossa estadia em mais alguns meses....Começamos pela capital Bangkok, que em Tai é chamada de Krunp Thep, ou cidade dos anjos. Krunp Thep é a versão curta para o nome completo, que é um pouco mais longo .... Krunpthep Mahanakhon Amonratanakosin Mahintara Ayuthaya Mahadilok Popnopparhat Ratchatani Burirom Udomratchaniwet Mahasatham Amonpinam Avathamsathit Sakkatathiya Witsanukamprasit. Em Bangkok está a Khao San Road, a Meca dos mochileiros, um bairro repleto de bares, restaurantes, lojas, barracas e carrinhos de comida, gente do mundo todo numa deliciosa e caótica integração.
Como toda metrópole, lá também há congestionamento, mas existe a opção do transporte fluvial para diferentes bairros da cidade.
O Wat Phra Kaew é o principal templo de Tailândia e está localizado dentro do complexo do Grande Palácio de Bangkok. Lá está o Buda de Esmeralda (que na verdade é de jade) e uma das melhores escolas de massagem da Tailândia. A massagem é um hábito diário do povo tailandês e existem casas de massagem em todos os lugares, inclusive nas praias e ruas.
95% da população é budista, e todas as casas e edifícios comerciais possuem a casa dos espíritos, uma minituara de casa onde todos os dias são feitas oferendas de comida, velas, flores, incenso.
O transporte aéreo dentro do país é bem barato, então dá pra conhecer vários pontos diferentes sem gastar muito, aliás, gastar pouco é um dos prazeres de uma viagem por lá.
Aqui é Railay, na província de Krabi, praias paradisíacas e paraíso para escaladores

Daqui é fácil pegar uma lancha para Ko PhiPhi, arquipélago onde foi filmado “A Ilha” estrelado por Leonardo di Caprio, e que foi devastado pelo tsunami, mas já se encontra totalmente reconstruído. Aliás, quando estivemos lá estava se espalhando uma noticia de um terremoto na Indonésia. Várias famílias tailandesas foram dormir nas partes mais altas da ilha com medo de um novo tsunami. Uma italiana que conhecemos e mora lá, disse que desde o desastre, ela tem uma mala pronta para ela e os filhos fugirem ao mínimo sinal de tsunami .Ao falar na Tailândia não podemos nos esquecer da comida. Maravilhosa. Curso de culinária também faz parte de uma viagem ao país, assim como a roupa feita sob medida. Eles fazem pacotes fechados como por exemplo: duas blusas de seda, um vestido longo, um vestido longuete, um tailler, um terninho, uma saia, por tantos euros. E lá você encontra os catálogos das grifes internacionais mais famosas (tipo Armani, Dolce e Gabanna, Prada), escolhe o modelo e eles fazem a roupa igualzinha!!! E em que outro lugar você poderia encontrar um elefante andando calmamente pela rua?"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O que faço para ser modelo?


Ontem, quando ainda estava em Nova York, coloquei minha bolsa sobre um jornal que alguém esquecera na mesa do restaurante. Vi que era a edição do dia do The New York Times e que trazia, na primeira página, uma matéria sobre as moças que trabalham com a moda em cima de passarelas. A reportagem vinha diretamente de “ Restinga Seca, Brazil” – alguém sabe onde fica? Errou quem apostou no Nordeste. Acho que é perto de Paraíso do Sul, a cidade desta brasileirinha de 15 anos (foto) que está tentando a sorte como modelo. As agências enviam profissionais para o Brasil (os “scouts”) para procurar o que eles chamam de “coquetel perfeito”: garotas que tragam uma mistura genética de ancestrais alemães e italianos, se possível com gotas de sangue russo ou eslavo e quem sabe descobrem uma nova Gisele Bundchen.
Cinderelice total.
Porém – diz a reportagem – o Brasil não é mais o mesmo no que toca à beleza feminina. Agora as mulheres de pele morena estão se destacando e desafiando o modelo. Citam Taís Araújo, Juliana Paes, Camila Pitanga e Marina Silva. Não entendi o que a candidata a presidente da república estava fazendo neste time, mas o que eles queriam apontar é que este fenômeno em parte se explica pela alta na renda das famílias negras que “dobrou mais de 40% em relação às famílias brancas”, diminuindo o abismo da desigualdade social e criando uma camada de consumidores negros mais poderosa. Segundo o jornal, das 1.128 modelos que participaram do São Paulo Fashion Week em 2008, apenas 28 eram negras. Tal fato gerou uma ação judicial por parte da procuradoria pública do estado visando assegurar que pelo menos 10% das modelos sejam descendentes de africanos ou de indígenas. A ação é louvável – mas é tímida.
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Chegamos hoje em São Paulo depois de 10 horas num vôo abarrotado e cheio de vizinhos com crianças chorosas. Foi chegar em casa, por as malas de lado, tomar banho e cair na cama. Pensei que estava em São Paulo, mas devo ter tomado o avião errado e caí no Alasca.
Saudade de Santo André da Bahia.
(fotos: do avião é de Sonia Bonzi, a do jornal, de João Pina, e a do cabeçalho de João Wainer)

domingo, 6 de junho de 2010

A festa do Santanas

Tenho tido a sorte de receber várias histórias de pessoas ligadas -- de uma maneira ou de outra -- a Santo André da Bahia. A de hoje veio de Ana Teresa Tamancoldi e chegou de forma inusitada, como se fosse um filme ou o storyboard de um filme. (Adorei, amiga!) Música ao vivo no nosso povoado é sempre uma festa
principalmente quando a festa tem casamento e alegria
os músicos que animaram a noitada (Roger, Marcelo e a moça, creio que é a namorada australiana do Roger)
Gilton, Vivian e a mãe dela (não a conheço ainda, mas esta senhora sorridente só pode ser a Dona Elza!)
não conheço este casal, mas pelo email que recebi de Regina, estou achando que eram os hóspedes da Guest House do Casapraia
quem pegou o buquê da noiva?
Amadeo, Jimena e Giovani
nossa... me deu uma saudade da nossa vila... é... está na hora de fazer as malas e começar a voltar para casa.
as fotos do post são de Patrick Delaney
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Já estava fechando o computador quando vi uma mensagem de Marcelo Bottini. Resolvi adicionar a este post porque traz mais algumas informações e porque estou adorando participar de um blog que agora está ficando coletivo - eis o recado do Marcelo
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"Prezada Olimpia, sempre acompanho seu blog e acho muito estimulante.
Sobre o show do Santanas queria te esclarecer que a garota da foto é sim a namorada do Roger, seu nome é Jazz McFarlaine, tem uma voz maravilhosa, além de ser uma pessoa preciosa.
O mais importante, e isso quero destacar, grande parte do repertório foi de músicas de autoria própria, tanto da Jazz como do Roger. Me sinto muito honrado por eles me chamarem para participar do seu trabalho autoral. A baixa temporada em Santo André (da Bahia) encontra um grupinho de pessoas criando e preparando suas próprias composições. Além deles, o Mazinho também está escrevendo músicas muito bacanas e o Gustavo Matos, filho do Emanuel, que se bem não mora em Sto Andre, toca todos os meio dias na Toca dos Piratas, e com quem tengo o prazer de tocar tambem.
Assim que ao seu retorno seguramente poderão curtir estes novos trabalhos feitos com muito coração."
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Marcelo, obrigada pela sua contribuição, principalmente no lado musical do nosso povoado.

sábado, 5 de junho de 2010

a short story by Markus Kunschak


Chegou outra história aqui na rede, desta vez do Markus, um amigo que apesar de morar bem distante (em Melbourne, Austrália), já esteve duas vezes em Santo André da Bahia.
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"Em 2009 passei um verão maravilhoso na casa de um amigo em Berlim. Certa manhã, ao abrir a persiana do quarto me deparo com um cenário um tanto quanto assustador: a rua, os carros, as árvores, tudo coberto de NEVE!
Em pleno verão!
Será o fim do mundo? As previsões de catástrofes climáticas finalmente acontecendo diante dos meus próprios olhos...
Então escuto uma voz forte e assertiva: "Corta!"
Acordo do meu sonho apocaliptico e vejo câmeras, equipe de filmagem, atores...
Era só uma produção milionária para o capítulo de um programa de TV."
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Markus é desenhista gráfico. Seus desenhos podem ser encontrados neste blog.
(Valeu, Markus!)

imagens da cidade

casamento na ponte
o menino e a coroa
Tramp Tower (ooopss! Trump Tower)
America in black and white
Byron (irmão da Vivien, futuro morador de Santo André) e Caio, em Union Square

sexta-feira, 4 de junho de 2010

my favorite place in town

Quanto mais vejo esta casa, mais me dou conta que é meu museu predileto. Era a casa do magnata americano Henry Clay Frick, uma mansão em plena 5ª Avenida, com vista para o Central Park. A galeria de arte que existe lá é bem pequena, se comparada ao vizinho Metropolitan Museum. Mas a qualidade, a variedade e a relevância da Frick Collection são impressionantes. E é muito gostoso andar lá dentro, pesquisar os livros de arte que os Fricks tinham -- que biblioteca! Bem, só olhei as lombadas, acho que não pode folhear... De cara, vi as obras completas de Thoreaux e de Walt Whitman. Além de milionário, o homem era requintado e culto. Ele construiu a casa, inspirada em palacetes europeus, para abrigar sua vasta coleção de arte. O ambiente é acolhedor, pode-se dizer aconchegante: vi uma velhinha cochilando num sofá
a escadaria que leva aos aposentos íntimos no segundo andar (fechado para o público)
a sala de jantar em noite de gala
Algumas das obras mais célebres de Vermeer estão lá -neste quadro da senhora com a criada, a iluminação converge para a carta que a jovem recebe da serviçal - foi a última aquisição dos Fricks, em 1919
Os quadros de William Turner -- o esplendor da luz. A reprodução é uma caricatura...quando adentramos na galeria de arte o olhar fica preso nos quadros deste pintor inglês, um precussor do impressionismo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

a ponte do Brooklyn


Um passeio lindo --
atravessar a ponte do Brooklyn a pé.
O Caio adorou, nós também.

Nova Veneza, Goiás

Desta vez o relato de viagem fica por conta de minha irmã, Themis. Quem é de Santo André sabe que ela tem uma casa lá, na mesma rua que nós, a rua da Linha do Telégrafo. Como ela não mandou foto, e eu não trouxe meu computador, coloquei a foto da neta dela, a Janaína. Achei no Orkut.
Gostei tanto do relato de minha irmã, ela sempre tem esse olhar -- original, sensível e com um toque de humor.
Thanks, sis.
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"Falar de viagens é complicado. As imagens se misturam e as sensações ficam perdidas na memória, como sonhos. Só posso falar de viagem recente, onde os fatores ainda estão vivos.
Neste último fim de semana fui a uma cidade goiana - Nova Veneza - a começar pelo título, a marca de redutos de imigrantes como: Montevidio, Noviyork, etc.
No caminho conversava com meu companheiro sobre a imigração no caso de Nova Veneza: italianos pobres a fundaram após a segunda guerra. De fato, nada lá ostenta riqueza. Uma cidade como outra qualquer do interior goiano com suas casas simples e coladas umas nas outras refletindo o sol escaldante do Goiás. Bom, no fim de semana em que estive lá havia uma festa tradicional para marcar a origem do seu povo. Quando lemos no jornal achamos convidativo: culinária, danças típicas, vinhos. Arrumamos a trouxa rumo à Nova Veneza.
Logo de entrada achei interessante ver moradores sentados nas calçadas ostentando uma cervejinha enquanto apreciavam o cortejo dos carros dos visitantes, ou, por outro lado, se exibindo para nós. Compreensível para cidade tão pacata, que vê raros automóveis.
Estava muito quente e as fontes, com água bem fresca, eram um convite. Ostentavam imitações de esculturas renascentistas.
Bom, com a multidão não conseguimos sentar nas mesas, melhor assim, achamos uma graminha embaixo de uma árvore O vinho seco já havia acabado, restava somente o suave. Mas o suco da uva produzida na região estava fresco e gostoso. Os molhos das massas utilizavam o queijo goiano, tipo mineiro forte e salgado, em pratos descartáveis que pendiam de nossas mãos sem mesa. Enquanto isso, de um imenso palco um locutor nos incomodava propagando a cada instante a presença das autoridades políticas presentes. As danças de crianças e adolescentes, com roupas de cores verde e vermelha, simplórias, mas com encanto especia,l dos participantes. A cada instante o lucotor propagava o projeto da primeira dama do município -- o ensino obrigatório de italiano nas escolas.
Finalmente vi o título de um dos stands - caffetira d'Itália. Aficionada como sou por café, corri para lá para constatar que era café de garrafa, sem contar que um esbarrão na multidão veio para estragar meu short novo.
De volta a Goiânia, assistimos a um ótimo suspense 'Os homens que não amavam as mulheres' sueco e desenvolvido, mas sombrio.
Portanto esta não é uma narrativa distanciada, eu sou parte desse Brasil da improvisação em meio à carência. Se não somos autênticos, temos o encanto da imitação sem constragimento."

segunda-feira, 31 de maio de 2010

fazer o quê em Nova York?

Caro viajante:
Se você vai passar um período mais longo em Nova York, não se restrinja à Manhattan nem se deixe levar pelos comentários chauvinistas dos moradores elitizados e yuppies. Atravesse o East River e vá conhecer o Queens, o bairro que saiu da Bíblia para personificar a Babel do século XXI. Imagine a etnia mais exótica - ela vai aparecer por lá. Os tons de pele se misturam numa rica e diversificada paleta, os olhos se arredondam, afinam e se espicham e as roupas estampam estilos variados e coloridos. Chegamos no mercado persa, ou para usar uma expressão local, no melting pot. Os moradores sabem que a Nova York dinâmica e real está aqui e não estão nem aí para os executivos de Manhattan. Inclusive, um número cada vez maior de novaiorquinos tem preferido deixar os estratosféricos aluguéis da ilha central e se mudar para Queens. A foto acima ilustra a revitalização que ocorre no bairro, mas não está claro se os moradores apreciam este tipo de mudança, pois de certa forma, desfigura o que é típico de lá.
É uma experiência urbana vibrante e autêntica. Você se verá rodeado de muita cultura. Vários centros culturais brotaram em fábricas e espaços na margem do rio. Olhem o que diz o TimeOut, um guia turístico respeitado:
"O Queens é um lugar acessível, interessante e até avant-garde para se viver. Os artistas e profissionais liberais recém-chegados são apenas duas camadas demográficas no mil-folhas do Queens, que se intitula a área urbana mais etnicamente diversa do planeta. Mais de um terço de seus 2,3 milhões de moradores é estrangeiro, e mais de cem idiomas são falados aqui. Graças a esta incrível diversidade, o Queens tem um intenso clima de bairro e uma gama internacional de acessíveis lojas e restaurantes. Para começar seu tour pelo Queens, pegue o metrô 7, a linha apelidada de International Express, pela impressionante variedade de bairros étnicos que atravessa."
Aqui a gente toma café da manhã na Colômbia, almoça na Índia ou na Itália e janta no Afeganistão... ou na Grécia. You name it.
Adorei o brunch chinês que degustamos neste restaurante, chamado Jade Asian Restaurant, em Flushing. Chegamos cedo para garantir uma mesa; mais perto da hora do almoço o local fica lotado, faz fila. Não vi ninguém parecido com turista -- aliás, Cláudio, Pedro e eu éramos os únicos sem traços físicos orientais. A Yumi, mulher de Pedro (camiseta verde) é japonesa. A comida, em geral fumegante, passava continuamente pela nossa mesa em cima de carrinhos conduzidos por garçonetes que falavam mandarim (suponho). O método de escolha mais fácil era apontar os pratos que a gente desejava comer -- ninguém sabia mesmo o que continham os bolinhos apetitosos ou os cestinhos de bambu com bocados enrolados em folhas de... de quê mesmo?
Ai, ai, ai, estou ficando com o formato de uma bola, mas não consigo (e nem quero) resistir aos petiscos, adoro experimentar comida diferente.

alguns rapazes da família

Caio em Black´s Beach, San Diego - neste momento voando para NYC. Hoje à noite, jantaremos juntos, filhão.
Cláudio esperando o metrô
genro e neto, em Roma (Ciao, Tomaso, Ciao, Matteo!)