sábado, 22 de maio de 2010

Lola e a cidade azul



Lola e Nardo é um casal de italianos residente em Milão que têm casa e história em Santo André da Bahia. Não satisfeitos com isto, eles também têm uma história antiga com a Índia para onde viajam com freqüência devido ao ramo de trabalho que adotaram, o comércio de móveis e artesanato. Em fevereiro deste ano estiveram em Jodphur, uma cidade cuja atividade econômica mais acentuada é a fabricação de móveis e a manufatura de tapetes. Os indianos de lá ainda se dão ao luxo de exibir palácios fabulosos, templos de todos os matizes e mercados agitados.
Está situada em pleno deserto de Thar. Imagino Jodphur como um oásis no coração do estado do Rajastão.
A cidade tem uma curiosa particularidade: as casas e lojas ostentam pelo menos uma fachada pintada de azul. Deve ser encantador!
Adorei a mensagem que a Lola enviou “para contribuir com a galeria de fotos do mundo do redefurada”... Obrigada, viu, Lola?Meu sonho de consumo do momento é que outras pessoas enviem fotos dos lugares que visitou e gostou. Pode ser algo distante e exótico como Jodphur ou uma incursão ao quintal da casa: o que importa é a boa lembrança.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

a estréia do veleirinho



Na véspera da viagem ainda deu tempo para o Cláudio e o Otton colocarem o barquinho nas águas do rio João de Tiba, na enseada que se forma da mistura das águas do rio e do mar.
O redefurada saúda o primeiro veleirinho construído em Santo André!
Valeu, Ronaldo, Cláudio e Otton.
Sem esquecer a ajuda de Carlindo, Juraci, Zélia, Paulo Maciel, AMASA e todos os que deram palpites e contribuições durante a construção (como os dois Stefanos - Arosio e Visigalli, o Rodrigo, o Henri...)
Muuuito legal, gente, foi uma das atividades comunitárias mais bonitas que já vi em Santo André... a idéia é continuar... quem sabe não sai mesmo a escolinha de vela?

o vaivém de Santo André

Pablo, Amadeo e Joyce encontram-se fora do povoado (a foto é de Cláudia ... talvez da Léa)
Léa Penteado voltou a residir na Vila, pelo menos nos próximos 6 meses. Ela e a Cláudia estão cheias de idéias para vitalizar nosso condado, digo, nossa praia (aqui com o Ministro Juca Ferreira, da Cultura, na exposição de Roberto Carlos)
Cristiane e Rodrigo, os novos residentes de Santo André. Gente boa, são muito interessantes. Ele é engenheiro e velejador, ela, veterinária. Ambos, viajantes.
Wally e Hans voltaram para casa, depois de um longo período na Alemanha.
Stefano Arosio e Paloma também voltaram de Milão.
Vânia, filha de Gilma e Vando, está passando uma temporada em Buenos Aires (de onde a Maninha voltou há pouco tempo)
Virginia Mares foi para Rosário ver a família, mas já deve estar voltando
Enfim, nossa comunidade é pequenina, mas corre mundo...
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Edmilson, o antigo gerente do Costa Brasilis está na gerência de um hotel novo em Manaus. Convidou o filho de Célio e Zeti para ir trabalhar lá. Robson (Robinho) está de malas prontas, vai embora de Santo André na segunda-feira.
Por falar no Costa Brasilis, adorei saber da nova ação social do resort: está montando um curso profissionalizante para cerca de 20 jovens de Cabrália e Santo André. Os jovens já foram selecionados através de provas e notas escolares. Receberão remuneração e frequentarão as aulas no hotel durante um ano, quando possivelmente serão aproveitados para trabalharem no resort. Super louvável, esta iniciativa do grupo GJP.

ser mulher no Afeganistão

Desde o ano passado vige uma lei no Afeganistão que obriga as mulheres xiitas a terem relações sexuais com seus maridos a cada quatro dias, no mínimo -- ou seja, a mulher, querendo ou não, precisa manter relações com seu marido; caso não queira o marido tem o direito de violentá-la. Ou de não lhe dar comida.
A emenda ao texto original aprovada pelo governo manteve as partes mais opressoras, incluindo esta, que permite que o marido não dê comida à mulher enquanto esta se recusar a fazer sexo. A lei determina também que a esposa peça ao marido permissão para trabalhar e, ainda, dá a pais e avôs a custódia exclusiva dos filhos.
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Isto acontece num dos países mais pobres e sofridos do mundo... Mas existe compaixão por lá. O escritor Atiq Rahimi, por exemplo, escreveu um belíssimo livro sobre a condição da mulher afegã, trecho abaixo:
"Durante a alvorada, quando a voz ríspida do mulá chama os fiéis para a oração, um ruído de passos arrastados se faz ouvir no corredor da casa, aproxima-se do aposento, distancia-se dele e volta. A porta se abre. Entra a mulher. Ela olha o homem. Seu homem. Ele continua lá, na mesma posição. No entanto, seus olhos a intrigam. Ela dá um passo à frente. Ele está com os olhos fechados. A mulher se aproxima ainda mais dele. Um passo. Sem ruído. Depois, dois passos. Ela o olha. Não distingue coisa alguma. Ela duvida. Recuando, sai do quarto. Em menos de cinco sopros, volta com o candeeiro. Ele, sempre com os olhos fechados. Ela se deixa cair no chão. "Você está dormindo?" Sua mão, trêmula, vai pousar sobre o peito do homem. Ele está respirando. "Sim... Você está dormindo!" grita ela. Seu olhar busca por alguém no aposento a fim de repetir: "Ele está dormindo!"
O vazio. Ela sente medo.
Ela pega o tapetinho, desdobra-o e o abre no chão. Uma vez terminada a prece matinal, ela permanece sentada, pega o Corão, abre-o na página marcada com uma pena de pavão, que ela retira e guarda com a mão direita. Com a esquerda, debulha as contas do terço. "

você conhece a mulher de Modigliani?

O nome dela é Jeanne Hébuterne, era a mulher de Modigliani quando ele morreu. Este retrato dela encontrava-se no Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris até o começo desta semana, quando foi roubado, juntamente com outras obras de arte. Onde estará agora? Adornando o banheiro de algum milionário desonesto e louco por arte? Nas mãos de uma das máfias do planeta? o autor desta foto de Modigliani tirada em Florença em 1909 nunca foi identificado, apesar de a fotografia original estar assinada
na noite seguinte a morte de Modigliani, Jeanne Hébuterne suicidou-se lançando-se do quinto andar do apartamento de seus pais, em Paris

terça-feira, 18 de maio de 2010

eu já estou com o pé na estrada...




Vou viajar depois de amanhã e até agora não fiz mala nenhuma – só separei o passaporte – vamos ter gente para jantar em casa hoje, amanhã haverá sessão de Cine Cajueiro e tenho uma pilha de tarefas para cumprir antes de deixar Santo André por um mês. Ah bom, isto é só para avisar aos companheiros que por aqui passam que os posts ficarão intermitentes...

Pilão Arcado, a Velha e a Nova

Tem um programa na internet, o Feedjit, que dá uma idéia dos posts mais visitados pelos leitores dos blogs. Sabe-se lá porque cargas d’água, aqui no redefurada um dos favoritos é um post que coloquei em 2008 após percorrer um trecho do rio São Francisco numa canoa motorizada, acompanhando meu marido que fez o percurso desde a nascente do rio em Minas Gerais (Serra da Canastra) até a barragem de Sobradinho, na Bahia.
Como é de praxe durante a construção de usinas hidreléticas, para que Sobradinho surgisse foi preciso submergir uma cidade chamada Pilão Arcado; neste caso o afogamento não foi completo porque sobraram algumas ruínas sobre uma pequena ilha de terra escura no meio da imensidão do lago da barragem.
A primeira parte deste post era assim:
Submersa pelos bilhões de litros d´água da barragem de Sobradinho, repousa a antiga Pilão Arcado. Restaram raras ruínas, amparadas por um sítio mais alto. Uma igreja, duas casas, três muros.
Uma sensação de grande estranheza tomou conta de mim enquanto perambulava no parco espaço de terra firme restante. Acho que a maioria de nós sente essa espécie de fascínio ao caminhar em lugares subitamente abandonados ou destruídos, como em Pompéia, na Itália, ou na ilha grega de Santorini.
Quem teria vivido aqui? Como a cidade desapareceu do mapa, lentamente ou de repente? Como foi feita a transferência da população e de seus pertences? Onde foi parar o cartório com as certidões de nascimento? Múltiplas perguntas, mínimas respostas.
Ainda moram naquele ermo um homem jovem, sua mulher e seu filho.
Totalmente sem vizinhos.
A segunda parte foi escrita um ou dois dias depois:
Pilão Arcado, a Nova
Para entrar nas águas da barragem de Sobradinho partimos cedo em dois barquinhos. Nós no bote do Cláudio, no outro o Dagoberto, um amigo de Brasília. A água é clara, translúcida, em forte contraste com a cor barrenta do rio São Francisco. O vento norte entrava forte levantando “maretas” -- é assim que os pescadores locais chamam as ondas do rio. Por precaução (e medo), foi preciso parar algumas vezes nas margens do Velho Chico – o barco balançava muito, entrava água – e só conseguimos chegar ao vilarejo de Passagem na hora do pôr-do-sol.
Quando as maretas ficaram pra trás, seguimos apreciando a beleza do rio, observando o pessoal ribeirinho, a vegetação de dentro e de fora da água, os peixes saltadores. Horas e horas transcorridas em estado zen, beirando à irrealidade.
Passamos depressa por Passagem, apenas uma noite. Vimos o local onde antes existira uma ponte, não deixou nem vestígio, as águas da represa cobriram. Ficou só uma estradinha para Pilão Arcado – a Nova Pilão Arcado, porque a velha Pilão foi inundada.
Pilão Arcado Nova tem 4 prédios de porte: a casa do prefeito, a casa do tesoureiro da cidade (por sinal, irmão do prefeito), um monstruoso templo de religião evangélica e uma boa pousada – do irmão do prefeito, é claro. Ah! Tem ainda uma praça grande e bonita, novinha – bem em frente à casa do prefeito. Pilão já nasceu velha e arcada no campo da política.
Na fachada do “Supermercado Melo” vi uma série de furos enormes desenhados na parede, feitos de rajadas de metralhadora. Contam que o tiroteio durou quase uma hora durante um assalto à agência do Banco do Brasil, que fica ao lado do supermercado. O gerente do banco morreu, assim como os assaltantes. Pilão ficou ainda mais arcado.
Notei que os moradores se empenham numa medonha atividade esportiva: competem ferozmente para ver quem consegue ter a parafernália musical que mais azucrine. São imbatíveis na modalidade “carro com som alto”, ou desfilam incansavelmente pelas ruas ou param na praça com aquela zoeira alucinante.
É diferente ver o Brasil de fora das metrópoles, mas não tenho saudades de Pilão Arcado nem passo mais em Passagem.
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bati o primeiro instantâneo nas ruínas de Pilão Arcado
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esta segunda foto é da região de Belo Monte, onde surgirá uma nova hidrelética brasileira

Você já ouviu falar de Inhotim?







E Brumadinho? Pois esta cidadezinha, localizada a 60 kms de Belo Horizonte, abriga hoje um Instituto Cultural portador de uma das maiores coleções de arte contemporânea do Brasil, com obras de Cildo Meirelles, Adriana Varejão, Vik Muniz, Paul McCarthy, Zhang Huan... E tudo isto num parque ambiental de 97 hectares de jardins projetados por Burle Marx que podem ser percorridos a pé, pelas trilhas, ou em carrinhos de golfe. São dois passeios – Brumadinho merece o dia inteiro – um para ver os pavilhões e as obras externas que ficam no parque e outro para ver as galerias dos artistas.

É o mais novo Jardim Botânico deste país.

Aqui jazz Hank Jones



Um gigante da música americana morreu no último domingo, em Manhattan. Dotado de enorme versatilidade artística, Hank Jones foi pianista de Ella Fitzgerald durante 6 anos, tocou com Benny Goodman nos anos 70 e foi campeão de gravações. Tinha dois irmãos igualmente talentosos: Thad, trompetista de Count Basie e Elvin, percussionista que tocou com John Coltrane.
Jazz até o pescoço. Adoraria ter sido vizinha deles. Imaginem os ensaios...!
Foi ele que acompanhou Marilyn Monroe quando ela cantou o legendário Parabéns pra Você no aniversário de JFKennedy em 18 de maio de 1962 (48 anos atrás)



cumpleanos




Alícia, Amadeo e Pablo, três estimados Rosarinos, comemorando o aniversário da Alícia com churrasco e espumante, na Argentina.
Mas o próximo cumpleanos você vem comemorar aqui, não é, Alícia?

especial para as sobrinhas de Brasília

Sarah
Janaína

domingo, 16 de maio de 2010

o humor do morador

o mapa mostra como os paulistas vêem o resto do Brasil... que tal?
e essa senhora é uma Dona Maria, curtindo sua quinta, lá em Portugal
a fisionomia me é vagamente familiar
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contribuição de um paulista que mora aqui há anos, mas é pouquíssimo visto
ontem apareceu no Sant'Anas e me prometeu estas imagens engraçadas

domingo de Tatiana


Mas quando eu lhe vi assim tão linda no mar do Rio de Janeiro nem tentei resistir à vontade de tirar você do Facebook e trazer para a minha praia, lembrando do dia que lhe conheci, naquela chácara estrelada, onde vocês moram até hoje em Brasília, perto de minha antiga casa.
Você estava dentro de um cestinho de vime, como se fosse uma pequenina moisés no rio nilo, tão miudinha e séria, não lembro quantos dias tinha. Naquela época a luz pública nem chegara na nossa rua, só nas casas, sua mãe e eu levávamos nossas meninas para tomar banho numa cachoeira que depois foi apagada pelo asfalto.
Tudo de bom para você, Tati. Venha me visitar, quando quiser.

sábado à noite em Santo André

Ontem à noite, depois do aniversário fomos para o Sant'Anas, o lugar ideal pra gente ver alguém conhecido (desconhecido também serve) na noite escura e parca de gente de Santo André na baixa. A festinha do Ian estivera animada, o que não falta no povoado é menino, bolo e brigadeiro; a gurizada fazia uma algazarra que ia ficando fraquinha à medida que a gente atravessava a pequenina ponte sobre o riacho que separa a casa de Gilvan da Rua da Linha. Dalquele ponto em diante, a gente prossegue no tato e no costume, dependendo da boa-vontade da iluminação, tem luz de poste que só acende quando lhe dá na telha. Como de hábito, entramos na Avenida pelo beco da igreja, àquela hora cheia de gente em prece. Notei que o Maré reabriu com visual repaginado: a iluminação está mais aconchegante, há cadeiras de metal prateado com encostos entrelaçados em frente ao balcão do bar, uma motocicleta amarela encostada num canto, (dá um toque de lanchonete retrô), vi quadros bonitinhos espalhados pelas paredes e, naturalmente, os quitutes da Carol. A gente estava de prosa com os amigos, instalados na nossa mesa predileta em frente ao rio, quando a primeira notícia chegou: havia um homem com arma de fogo no povoado. Entrou no Nelmo. Saiu. Nelmo cerrou portas e as janelas basculantes. Passaram umas mulheres em ritmo acelerado, puxando crianças pelo braço, os rostos apreensivos. Ficou tudo parado, menos o vento sul que continuava a pentear os cabelos do arvoredo miúdo.
A última versão dizia que o homem -- a arma agora mudara para um mero pedaço de pau -- batera na casa de uma moradora que fica perto da entrada da Vila. É um local meio isolado, mas a sorte é que ela também estava de aniversário, a casa cheia de amigos. O homem fugiu. Chamaram a polícia que até agora não apareceu. O desconhecido também não.

escola de vela em Santo André

Cláudio e Otton continuam trabalhando diariamente na construção do veleirinho -- olha como ele está agora, com as bordas prontas. Chegou a fase de passar massa para dar início à pintura.
Além disso, chegou a hora de pensar na vela -- os bons ventos trouxeram auxílio: Carlindo doou o pano e a Zélia, a dona da lojinha de roupas perto do Almescla, se prontificou a costurar de graça, como contribuição para o projeto.

uma visita para o redefurada: Mirtes e Jairo


Um casal que mora em Porto Seguro -- ela paulista, ele mineiro -- vieram visitar o povoado e aproveitaram para conhecer a "sede" do redefurada. Este é o local exato de meu "escritório", o único lugar da casa onde o Vivo Zap se digna a funcionar e assim mesmo com as indefectíveis quedas de conexão. Mirtes e Jairo fazem parte dos emigrantes que fugiram dos grandes centros para viver nas cidades litorâneas.
Principalmente aposentados, emprego aqui é escasso.
A Bahia é a Miami tupiniquim.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

o centro está mais comunitário

Há quase 2 meses o Centro de Cultura e Convivência de Santo André está oferecendo duas sessões semanais de aulas de alongamento da professora Jimena para os pais das crianças e adolescentes que participam das atividades do CCC. A idéia é promover mais integração entre o Centro e o povoado, principalmente agora que se vislumbra a construção da sede própria do Centro naquele terreno da Associação dos Moradores que fica atrás da escola municipal – uma parte foi cedida em comodato.
A experiência é inédita. No início não havia nenhuma aluna, a não ser a Minha, uma moradora que é funcionária do Centro. Logo em seguida, duas mães aderiram e de lá para cá a frequência só tem aumentado: agora já são 16 alunos, incluindo 3 homens. A Jimena está contente com a experiência e as alunas também: algumas jogam futebol e precisam alongar para praticar o esporte sem risco de lesionar os músculos. Outras pessoas se queixam de dores musculares ou simplesmente sabem que precisam fazer algum tipo de exercício físico.
O gostoso é que além do benefício para a saúde, as aulas proporcionam um novo ponto de encontro e de convivência.

casa de Gaudi (Barcelona)


Velimir Khlébnikov

"Basta-me um mínimo:
lasca de pão,
gota de leite
e, céu acima,
nuvens alvíssimas."
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O poeta é russo,
o poema é de 1922,
a foto eu trouxe daqui
É de uma das casas de Gaudi, em Barcelona.
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hora da despedida


Na noite do velório de Dona Inácia a rua ficou tão diferente. Abri o portão de casa para a surpresa de ver tanta gente passar, parente ou morador do povoado. Colocaram cadeiras nos dois lados da rua: o povo sentou e esperou a noite virar dia. Uma fogueira brilhava em frente ao antigo Diagonal, a conversa em surdina, respeitosa da hora. Houve choro, houve dor, mas desespero não carecia: era esperado e a velhinha estava sofrendo. Discretas, as crianças brincavam um pouco afastadas. Há muitos anos não via este tipo de solidariedade: suave e comovente.

terça-feira, 11 de maio de 2010

a Prefeitura de Cabrália avisa



"Os idosos que não se vacinaram contra a gripe comum têm até o dia 21 de maio para tomar a vacina nos postos de saúde.
Vacine-se! "
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"A inclusão digital chegou ao povoado de Santo Antônio, em Santa Cruz Cabrália. Foi inaugurado na última sexta-feira, dia 7 de maio, o Telecentro Comunitário, um espaço onde a população poderá usar computadores e acessar a Internet gratuitamente.

O telecentro do Santo Antônio está funcionando ao lado da Escola Municipal, sendo equipado com 11 computadores disponíveis para os moradores em uma sala climatizada, com instrutor para auxiliar o uso das máquinas."
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Parabéns ao pessoal do povoado de Santo Antônio: inclusão digital é tudo de bom.
(enquanto isso, a tecnologia daqui de Santo André continua um tanto defasada...)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

o resgate do Polo Aquático

Sexta-feira passada Elielton saiu para pescar no João de Tiba profundo, na companhia de alguns parceiros. Pretendiam ficar 5 dias na pescaria, mas deu água nos planos: o barco dele quebrou, duas horas de rio pra cima. Depois de muito procurar, ele achou sinal de celular e ligou pedindo socorro para o Cláudio. Aquela hora da noite não poderíamos ir até lá, fomos resgatá-los no dia seguinte
Paulo, irmão de Elielton, foi conosco
o Tiago também
No caminho, ainda na enseada, passamos em frente à Ilha Paraíso
de propriedade da família Abud, de Salvador
também passamos em frente à pousada da Mikie (Pousada Corsário)
depois de um passeio lindíssimo, voltamos rebocando o Polo Aquático
o senhor ao lado do Renilson, Seu Edson, aproveitou para pegar uma carona. Olhem o Rildo aí sentado... eles já haviam comido boa parte dos peixes que pegaram... no momento da nossa chegada, o sorriso de alívio do pessoal
eu nunca havia subido tanto no João de Tiba; voltei apaixonada pelo passeio, pelas formas dos troncos ao longo das margens
uma vegetação exuberante
e uma andorinha só nos fazendo companhia
o dia resplandencente caindo placidamente por cima do rio
a volta do Polo Aquático para Santo André

duas mães, duas luas

Por acaso ou por destino ontem me deparei pela primeira vez com a poesia de Georg Trakl. Fiquei sabendo que foi um grande poeta expressionista., que nasceu em Salzburgo e teve uma vida curta e conturbada. Consta que desde sua adolescência consumia doses nada moderadas de cocaína, ópio e veronal, o que acabaria por o matar em 1914, ao 27 anos.
Hoje de manhã quando soube que Dona Inácia havia falecido durante a madrugada, procurei pelo poeta, a quem peço emprestado dois versos para despedir-me desta vizinha que até ontem era a mulher mais velhinha de Santo André.
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"Duas luas
iluminam os olhos da anciã pétrea"
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Estive com Dona Inácia pela última vez no dia das mães de 2010. Passei para lhe tirar a pressão, a pedido de seu neto, Renilson. Já era noite, a casa dela estava cheia de pessoas da família e amigos. Ainda pude lhe passar a mão nos cabelos úmidos. Mais tarde, foi levada para o hospital que tanto temia. Agora está em casa, a pétrea anciã, e descansa.
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O dia das mães e a morte de Dona Inácia me fez recordar que não tive muita oportunidade de passar este dia com Maria, minha mãe. Saí cedo da casa dela; e ela, cedo da vida.
Suspendo por um momento minha incredulidade para mostrar a Maria a imagem de Klimt que recebi da neta dela, minha filha, e aproveito para avisá-la que ela agora tem vários bisnetos.
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"Pastores enterram o sol na floresta nua.
Um pescador puxou a lua
Do lago gelado em áspera rede."