quarta-feira, 30 de março de 2011

Projeto Amiga Tartaruga (PAT)

Quem frequenta o povoado onde moro provavelmente conhece a Mônica Paoletti, uma moradora itinerante de Santo André da Bahia.  Na última vez em que a vi, ela comentou sobre sua vontade de ajudar a  fortalecer, na Vila de Santo André, uma atitude comunitária mais atenta à preservação do nosso bonitíssimo meio-ambiente.O lugar tem um pouco de tudo: mar, rios, palmeiras, Mata Atlântica, mangue, restinga, peixe fresco, camarão novinho, passarinho, ilhas, tartaruga (cobra e mosquito também). Agora recebi um email dela contando com mais pormenores a idéia do projeto.
A carta da Mônica:

"Tenho boas novas sobre o meio ambiente de nosso Santo André e acho que seria bem legal divulgar no seu blog.
Desde o verão de 2010, após toda aquela polêmica em torno da rave na praia das Tartarugas, resolvi deixar de lado as discussões inconclusivas e tentar entender verdadeiramente se há ou não desovas de tartarugas na praia de Santo André.
Pois bem, me dirigi ao Projeto Amiga Tartaruga (PAT Ecosmar), coordenado pelo biólogo Paolo, com sede em Porto Seguro, e filiada ao Projeto TAMAR, que já há alguns anos vem fazendo este trabalho de monitoramento e preservação de varias espécies de animais marinhos e silvestres e me engajei nesta causa ambiental.
 Como ainda não resido permanentemente em Santo André,  minhas tarefas como voluntária são, basicamente, distribuir material informativo, divulgar o trabalho do Pat Ecosmar, notificar desovas, encalhes ou tartarugas mortas, e ajudar no resgate de tartarugas, o que já ocorreu em julho/2010 quando eu e meu amigo Alexandre (também residente itinerante de Sto Andre) resgatamos uma tartaruga afogada e desnutrida bem na praia das Tartarugas (!!!), tudo feito sob a orientação do Paolo  que na manhã seguinte veio buscá-la para tratamento na base do PAT.
 Enfim, a cada vinda minha a Santo André tenho procurado fazer este trabalho de "formiguinha", buscando fundamentalmente responder a estas indagações: há desova de tartarugas em Sto André? quantas? em quais locais? A partir disto, possamos ter argumentos objetivos para justificar um trabalho de monitoramento e preservação das tartarugas, proteger as áreas de desova e garantir que os ninhos fiquem bem cuidados, para que não ocorram ataques de outras espécies animais ou mesmo da espécie humana. 

A partir deste verão/2011 passei a contar com a ajuda valiosa cooperação do nosso conhecido e estimado Vevé, nativo e pescador, e de seu filho Luciano. Ambos já faziam espontaneamente este trabalho mas, a partir deste verão, estamos procurando nos organizar para mapear as desovas, proteger os ninhos, acompanhar o nascimento dos filhotes, e notificar todos estes acontecimentos para o Paolo (PAT), que centraliza, coordena e orienta toda a operação.
Este trabalho inicial visa levantar informações suficientes para que possamos fundamentar a captação de recursos financeiros para constituir uma base local do PAT, sob a coordenação do biólogo Paolo, capacitar nossos adolescentes e jovens para se tornarem monitores ambientais e, com isso, garantir a preservação das tartarugas e do meio ambiente. Com isso, nossa praia de Santo André poderá também se tornar um atrativo turístico/ecológico, alinhado com os melhores princípios contemporâneos de preservação ambiental e, assim, atrair um turismo de boa qualidade, não poluente, e em harmonia com a característica regional de "sossego com requinte".


 Bem, o período de desova das tartarugas vai de setembro a abril. Apenas neste período de janeiro a março/2011 Vevé e Luciano contabilizaram 7 desovas (contando aquela que acompanhei), no grande trecho que vai da Ponta de Santo André até  a Praia das Tartarugas.
Infelizmente, o ninho situado na Praia das Tartarugas foi atacado e os ovos retirados - não há ainda certeza se por ataque animal ou humano. Triste é observar esta ocorrência na faixa de praia que deveria ser a mais bem preservada e sabemos que não é: apesar de  denominada e comercialmente divulgada como Praia das Tartarugas, ironicamente foi exatamente lá que a rave se deu...e se repetiu....
E, qual o problema de se fazer uma rave numa praia de desova? As tartarugas costumam desovar sempre na mesma região. Já sabemos que há desovas naquela área (e não apenas desovas...aquela é também uma área de alimentação das tartarugas).
Luz forte espanta, som alto afasta, e a desova pode não ocorrer. Se a tartaruga desce novamente para o mar pode se cansar na busca de outra área, vindo a perecer.
Caso ocorra a desova, se o ninho estiver numa área de muita passagem de pedestres a areia pode ficar muito compactada e, dessa maneira, as tartaruguinhas não conseguirão atravessar as camadas de areia e ver a luz. Se vierem a nascer, como são instintivamente atraídas pela luminosidade, as tartaruguinhas, ao invés de ir para o mar, podem ficar desorientadas e errar o caminho, podendo morrer por ação de predadores, desidratadas ou atropeladas.
 Com estas informações, fornecidas pelo PAT, fica claro também a necessidade de cuidarmos da iluminação em toda a faixa de praia, para que não venha também a prejudicar as desovas. A preservação da restinga também é importantíssima,  pois defende a costa da erosão, preserva a área de desova e ajuda a proteger as tartarugas da fotopoluição. Por isso insistimos que não pode haver retirada da restinga para instalação de barracas de sombra para frequentadores e/ou turistas.
É importante notificar que contamos também com a ajuda de diversos outros nativos que, quando começaram a ser informados deste trabalho, passaram a espontaneamente informar a existência de redes colocadas propositalmente para pegar tartarugas (que é um crime ambiental inafiançável, tanto quanto estocar ou comer carne de tartaruga), bem como nos chegaram relatos de maus tratos a tartarugas em situação de desova e até mesmo um relato de captura de tartaruga ainda na areia pós desova. Com exceção da existência das redes, as demais informações não foram confirmadas.
 Estes acontecimentos da Natureza foram tão exuberantes neste verão que sensibilizaram alguns novos frequentadores de Sto André e que já se ofereceram para colaborar com esta causa, e isso nos deixa bem animados para prosseguir!
Felizmente, as tartaruguinhas nascidas em frente a pousada Victor Hugo vieram à luz e tiveram um início de vida bem feliz...Pode parecer pouco mas acreditamos que o fato de conseguirmos acompanhar a desova e localizar o ninho, do Vevé e Luciano acompanharem dia e noite a proteção do ninho e do Luciano acompanhar as tartaruguinhas ao mar, enfim, acreditamos que todo este monitoramento e cuidado resultou numa gotinha de preservação do meio ambiente do nosso querido Santo Andre.
A direção do trabalho segue sendo feita pelo biólogo Paolo. Eu sou o contato local do PAT em Santo André e em contato direto com Vevé que é o agente local, para organizarmos as ações já descritas acima.
 Contato PAT- Ecosmar Paolo (73) 3679 1224/22 34
                                      Monica (73) 3671 4051 / (11) 9999 9376
                                      Vevé  (73) 3671 4115

7 comentários:

Antenakus disse...

Muito legal o trabalho dela. Gosto de gente que faz. Walk the walk, instead of Talk the talk!

Monica Paoletti disse...

Legal, Antenakus! Muito bom sentir que estamos na mesma rede...e que as tartarugas vão ficando fora delas...um abraço

Monica Paoletti disse...

Olimpia querida, obrigada pela carinhosa atençao. O cuidado da sua edição deixou tudo ainda melhor! Vamos em frente...Abraço grande

Blog da Regbit disse...

Muito bom , bom demais, as tarturas estaram ai para contar a histórias para o planeta, Olimpia sucesso no seu blog só acresceta. Excelente projeto.

Blog da Regbit disse...

PS tartarugas

olimpia disse...

Olha aí, Mônica, o seu projeto já está recebendo apoio...

Monica Paoletti disse...

Muito legal! Muito estimulante essa rede que vai se formando...Abraço para todos