terça-feira, 17 de novembro de 2009

terça-feira

Andava a pé em Porto Seguro no ritmo dividido entre a pressão dos afazeres e a vontade de tomar sorvete de frutas e entrar na nova loja de eletrônicos que abriu na Getúlio Vargas (“a rua dos bancos”). Tornou que me aproximei da banca nova de filmes DVD’s procurando lançamentos para o Cine Cajueiro; é a segunda da rua, abriu praticamente ao lado do único concorrente, ainda por cima no mesmo lado da calçada apenas a distância de um poste separa os dois. A cara de pau do sujeito, mas creio que neste ramo a ética é tão questionável como minha atitude em adquirir dois arrasa-quarteirões para a meninada assistir.
Na volta para casa olho o mar enquanto rodo de Porto para Cabrália. Quem conhece a região vai lembrar que a estrada é paralela à praia, rola ali encostadinha, é difícil despregar os olhos do verde-esmeralda da água clara – na curva mais acintosa da rodovia dá vontade de seguir em frente e mergulhar no mar, de carro, compras, e tudo. Temos uma amiga carioca que mora aqui há 20 anos, o lugar certo para encontrá-la de manhã é na praia, é adicta confessa. Mesmo assim, é capaz de chegar por último nos encontros porque “na volta de Porto não resisti e caí na água”. Chega atrasada e salgada.
O que estraga o bucolismo da paisagem é a profusão de bares e restaurantes em forma de barracas, algumas agigantadas pelo espraiamento indecoroso em áreas de outrem. O Ministério Público está em cima: mês passado derrubaram 8 delas, estavam inativas, vi os escombros. O trecho maior do trajeto, felizmente, ainda é vazio de edifícios e barracões na orla, parece que a ocupação passou a ter mais controle e fiscalização.

Por falar em escombros, só ontem vi a derrubada generalizada das casas que brotaram como cogumelos nos terrenos vazios durante a chamada invasão do Guaiú. Não sobrou pedra sobre pedra, quem já estava com geladeira cama e fogão debaixo de telhado achou as coisas na rua ou guardadas por amigos. Agiram os legítimos donos, em conjunto com o poder público. Foram 10 policiais, alguns oficiais de justiça e uma máquina própria para demolições que precisou vir de Belmonte, embora exista uma dessas arrasa-quarteirões no próprio Guaiú, só que o dono não quis fazer negócio com receio da revanche dos invasores, pessoas ali do vilarejo mesmo, a maioria já com casa própria, segundo a tônica dos depoimentos dos locais.

Na balsa para Santo André demos carona para esta menina (abaixo) e a mãe dela. Completa dez anos (a primeira década!) esta semana, veio convidar para o bolo e perguntar se poderíamos bater as fotos para as lembranças da festa. Sorte dela que a mãe é quituteira de salgados e docinhos (aceita encomendas, a Nininha), os petiscos vêm no capricho. Nos últimos meses vejo-a passar em frente de casa todos os dias na hora do lanche dos trabalhadores que estão reformando uma das casas da antiga serraria. É a melhor clientela, um bando de gente que gasta calorias como quem respira. Ás vezes, a menina vem com a irmã para ajudarem a mãe; trazem o isopor dos pastéis, dos croquetes, das coxinhas, e não se incomodam de repetir com paciência e gravidade qual é o recheio de carne e qual é o de galinha.

Olha quem veio visitar, nosso ex-vizinho e sempre amigo, Savino Rosucci. Depois que saiu daqui foi morar no Vale do Capão, na Chapada Diamantina e está bem demais por lá. Só veio para fechar o negócio do arrendamento do Aphrodesia (qual será o nome agora?) com a Carol. Foi uma noite ótima, lá no Morango e Ana Tereza, os moradores flutuantes chegando para seus verões de três, quatro, às vezes 6 meses, o homem de Castela e a mulher do Equador recém-chegados -- alugaram a parte de cima da casa de Alicia argentina, a casa de baixo já estava ocupada -- o bêbado que a gente precisou driblar (estamos ficando craques no esporte), as risadas, os planos para a semana
Bem que gosto de morar aqui.

3 comentários:

Patricia disse...

Poxa eu adorei esse bar, estou curiosa pra saber oque aconteceu com ele rs.

Patricia disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
olimpia disse...

Patrícia veja o post chamado "A estrada para Memphis, Tennessee" do dia 6 de fevereiro de 2011.
Para ter notícias do bar...