quarta-feira, 9 de junho de 2010

O que faço para ser modelo?


Ontem, quando ainda estava em Nova York, coloquei minha bolsa sobre um jornal que alguém esquecera na mesa do restaurante. Vi que era a edição do dia do The New York Times e que trazia, na primeira página, uma matéria sobre as moças que trabalham com a moda em cima de passarelas. A reportagem vinha diretamente de “ Restinga Seca, Brazil” – alguém sabe onde fica? Errou quem apostou no Nordeste. Acho que é perto de Paraíso do Sul, a cidade desta brasileirinha de 15 anos (foto) que está tentando a sorte como modelo. As agências enviam profissionais para o Brasil (os “scouts”) para procurar o que eles chamam de “coquetel perfeito”: garotas que tragam uma mistura genética de ancestrais alemães e italianos, se possível com gotas de sangue russo ou eslavo e quem sabe descobrem uma nova Gisele Bundchen.
Cinderelice total.
Porém – diz a reportagem – o Brasil não é mais o mesmo no que toca à beleza feminina. Agora as mulheres de pele morena estão se destacando e desafiando o modelo. Citam Taís Araújo, Juliana Paes, Camila Pitanga e Marina Silva. Não entendi o que a candidata a presidente da república estava fazendo neste time, mas o que eles queriam apontar é que este fenômeno em parte se explica pela alta na renda das famílias negras que “dobrou mais de 40% em relação às famílias brancas”, diminuindo o abismo da desigualdade social e criando uma camada de consumidores negros mais poderosa. Segundo o jornal, das 1.128 modelos que participaram do São Paulo Fashion Week em 2008, apenas 28 eram negras. Tal fato gerou uma ação judicial por parte da procuradoria pública do estado visando assegurar que pelo menos 10% das modelos sejam descendentes de africanos ou de indígenas. A ação é louvável – mas é tímida.
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Chegamos hoje em São Paulo depois de 10 horas num vôo abarrotado e cheio de vizinhos com crianças chorosas. Foi chegar em casa, por as malas de lado, tomar banho e cair na cama. Pensei que estava em São Paulo, mas devo ter tomado o avião errado e caí no Alasca.
Saudade de Santo André da Bahia.
(fotos: do avião é de Sonia Bonzi, a do jornal, de João Pina, e a do cabeçalho de João Wainer)

domingo, 6 de junho de 2010

A festa do Santanas

Tenho tido a sorte de receber várias histórias de pessoas ligadas -- de uma maneira ou de outra -- a Santo André da Bahia. A de hoje veio de Ana Teresa Tamancoldi e chegou de forma inusitada, como se fosse um filme ou o storyboard de um filme. (Adorei, amiga!) Música ao vivo no nosso povoado é sempre uma festa
principalmente quando a festa tem casamento e alegria
os músicos que animaram a noitada (Roger, Marcelo e a moça, creio que é a namorada australiana do Roger)
Gilton, Vivian e a mãe dela (não a conheço ainda, mas esta senhora sorridente só pode ser a Dona Elza!)
não conheço este casal, mas pelo email que recebi de Regina, estou achando que eram os hóspedes da Guest House do Casapraia
quem pegou o buquê da noiva?
Amadeo, Jimena e Giovani
nossa... me deu uma saudade da nossa vila... é... está na hora de fazer as malas e começar a voltar para casa.
as fotos do post são de Patrick Delaney
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Já estava fechando o computador quando vi uma mensagem de Marcelo Bottini. Resolvi adicionar a este post porque traz mais algumas informações e porque estou adorando participar de um blog que agora está ficando coletivo - eis o recado do Marcelo
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"Prezada Olimpia, sempre acompanho seu blog e acho muito estimulante.
Sobre o show do Santanas queria te esclarecer que a garota da foto é sim a namorada do Roger, seu nome é Jazz McFarlaine, tem uma voz maravilhosa, além de ser uma pessoa preciosa.
O mais importante, e isso quero destacar, grande parte do repertório foi de músicas de autoria própria, tanto da Jazz como do Roger. Me sinto muito honrado por eles me chamarem para participar do seu trabalho autoral. A baixa temporada em Santo André (da Bahia) encontra um grupinho de pessoas criando e preparando suas próprias composições. Além deles, o Mazinho também está escrevendo músicas muito bacanas e o Gustavo Matos, filho do Emanuel, que se bem não mora em Sto Andre, toca todos os meio dias na Toca dos Piratas, e com quem tengo o prazer de tocar tambem.
Assim que ao seu retorno seguramente poderão curtir estes novos trabalhos feitos com muito coração."
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Marcelo, obrigada pela sua contribuição, principalmente no lado musical do nosso povoado.

sábado, 5 de junho de 2010

a short story by Markus Kunschak


Chegou outra história aqui na rede, desta vez do Markus, um amigo que apesar de morar bem distante (em Melbourne, Austrália), já esteve duas vezes em Santo André da Bahia.
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"Em 2009 passei um verão maravilhoso na casa de um amigo em Berlim. Certa manhã, ao abrir a persiana do quarto me deparo com um cenário um tanto quanto assustador: a rua, os carros, as árvores, tudo coberto de NEVE!
Em pleno verão!
Será o fim do mundo? As previsões de catástrofes climáticas finalmente acontecendo diante dos meus próprios olhos...
Então escuto uma voz forte e assertiva: "Corta!"
Acordo do meu sonho apocaliptico e vejo câmeras, equipe de filmagem, atores...
Era só uma produção milionária para o capítulo de um programa de TV."
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Markus é desenhista gráfico. Seus desenhos podem ser encontrados neste blog.
(Valeu, Markus!)

imagens da cidade

casamento na ponte
o menino e a coroa
Tramp Tower (ooopss! Trump Tower)
America in black and white
Byron (irmão da Vivien, futuro morador de Santo André) e Caio, em Union Square

sexta-feira, 4 de junho de 2010

my favorite place in town

Quanto mais vejo esta casa, mais me dou conta que é meu museu predileto. Era a casa do magnata americano Henry Clay Frick, uma mansão em plena 5ª Avenida, com vista para o Central Park. A galeria de arte que existe lá é bem pequena, se comparada ao vizinho Metropolitan Museum. Mas a qualidade, a variedade e a relevância da Frick Collection são impressionantes. E é muito gostoso andar lá dentro, pesquisar os livros de arte que os Fricks tinham -- que biblioteca! Bem, só olhei as lombadas, acho que não pode folhear... De cara, vi as obras completas de Thoreaux e de Walt Whitman. Além de milionário, o homem era requintado e culto. Ele construiu a casa, inspirada em palacetes europeus, para abrigar sua vasta coleção de arte. O ambiente é acolhedor, pode-se dizer aconchegante: vi uma velhinha cochilando num sofá
a escadaria que leva aos aposentos íntimos no segundo andar (fechado para o público)
a sala de jantar em noite de gala
Algumas das obras mais célebres de Vermeer estão lá -neste quadro da senhora com a criada, a iluminação converge para a carta que a jovem recebe da serviçal - foi a última aquisição dos Fricks, em 1919
Os quadros de William Turner -- o esplendor da luz. A reprodução é uma caricatura...quando adentramos na galeria de arte o olhar fica preso nos quadros deste pintor inglês, um precussor do impressionismo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

a ponte do Brooklyn


Um passeio lindo --
atravessar a ponte do Brooklyn a pé.
O Caio adorou, nós também.

Nova Veneza, Goiás

Desta vez o relato de viagem fica por conta de minha irmã, Themis. Quem é de Santo André sabe que ela tem uma casa lá, na mesma rua que nós, a rua da Linha do Telégrafo. Como ela não mandou foto, e eu não trouxe meu computador, coloquei a foto da neta dela, a Janaína. Achei no Orkut.
Gostei tanto do relato de minha irmã, ela sempre tem esse olhar -- original, sensível e com um toque de humor.
Thanks, sis.
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"Falar de viagens é complicado. As imagens se misturam e as sensações ficam perdidas na memória, como sonhos. Só posso falar de viagem recente, onde os fatores ainda estão vivos.
Neste último fim de semana fui a uma cidade goiana - Nova Veneza - a começar pelo título, a marca de redutos de imigrantes como: Montevidio, Noviyork, etc.
No caminho conversava com meu companheiro sobre a imigração no caso de Nova Veneza: italianos pobres a fundaram após a segunda guerra. De fato, nada lá ostenta riqueza. Uma cidade como outra qualquer do interior goiano com suas casas simples e coladas umas nas outras refletindo o sol escaldante do Goiás. Bom, no fim de semana em que estive lá havia uma festa tradicional para marcar a origem do seu povo. Quando lemos no jornal achamos convidativo: culinária, danças típicas, vinhos. Arrumamos a trouxa rumo à Nova Veneza.
Logo de entrada achei interessante ver moradores sentados nas calçadas ostentando uma cervejinha enquanto apreciavam o cortejo dos carros dos visitantes, ou, por outro lado, se exibindo para nós. Compreensível para cidade tão pacata, que vê raros automóveis.
Estava muito quente e as fontes, com água bem fresca, eram um convite. Ostentavam imitações de esculturas renascentistas.
Bom, com a multidão não conseguimos sentar nas mesas, melhor assim, achamos uma graminha embaixo de uma árvore O vinho seco já havia acabado, restava somente o suave. Mas o suco da uva produzida na região estava fresco e gostoso. Os molhos das massas utilizavam o queijo goiano, tipo mineiro forte e salgado, em pratos descartáveis que pendiam de nossas mãos sem mesa. Enquanto isso, de um imenso palco um locutor nos incomodava propagando a cada instante a presença das autoridades políticas presentes. As danças de crianças e adolescentes, com roupas de cores verde e vermelha, simplórias, mas com encanto especia,l dos participantes. A cada instante o lucotor propagava o projeto da primeira dama do município -- o ensino obrigatório de italiano nas escolas.
Finalmente vi o título de um dos stands - caffetira d'Itália. Aficionada como sou por café, corri para lá para constatar que era café de garrafa, sem contar que um esbarrão na multidão veio para estragar meu short novo.
De volta a Goiânia, assistimos a um ótimo suspense 'Os homens que não amavam as mulheres' sueco e desenvolvido, mas sombrio.
Portanto esta não é uma narrativa distanciada, eu sou parte desse Brasil da improvisação em meio à carência. Se não somos autênticos, temos o encanto da imitação sem constragimento."

segunda-feira, 31 de maio de 2010

fazer o quê em Nova York?

Caro viajante:
Se você vai passar um período mais longo em Nova York, não se restrinja à Manhattan nem se deixe levar pelos comentários chauvinistas dos moradores elitizados e yuppies. Atravesse o East River e vá conhecer o Queens, o bairro que saiu da Bíblia para personificar a Babel do século XXI. Imagine a etnia mais exótica - ela vai aparecer por lá. Os tons de pele se misturam numa rica e diversificada paleta, os olhos se arredondam, afinam e se espicham e as roupas estampam estilos variados e coloridos. Chegamos no mercado persa, ou para usar uma expressão local, no melting pot. Os moradores sabem que a Nova York dinâmica e real está aqui e não estão nem aí para os executivos de Manhattan. Inclusive, um número cada vez maior de novaiorquinos tem preferido deixar os estratosféricos aluguéis da ilha central e se mudar para Queens. A foto acima ilustra a revitalização que ocorre no bairro, mas não está claro se os moradores apreciam este tipo de mudança, pois de certa forma, desfigura o que é típico de lá.
É uma experiência urbana vibrante e autêntica. Você se verá rodeado de muita cultura. Vários centros culturais brotaram em fábricas e espaços na margem do rio. Olhem o que diz o TimeOut, um guia turístico respeitado:
"O Queens é um lugar acessível, interessante e até avant-garde para se viver. Os artistas e profissionais liberais recém-chegados são apenas duas camadas demográficas no mil-folhas do Queens, que se intitula a área urbana mais etnicamente diversa do planeta. Mais de um terço de seus 2,3 milhões de moradores é estrangeiro, e mais de cem idiomas são falados aqui. Graças a esta incrível diversidade, o Queens tem um intenso clima de bairro e uma gama internacional de acessíveis lojas e restaurantes. Para começar seu tour pelo Queens, pegue o metrô 7, a linha apelidada de International Express, pela impressionante variedade de bairros étnicos que atravessa."
Aqui a gente toma café da manhã na Colômbia, almoça na Índia ou na Itália e janta no Afeganistão... ou na Grécia. You name it.
Adorei o brunch chinês que degustamos neste restaurante, chamado Jade Asian Restaurant, em Flushing. Chegamos cedo para garantir uma mesa; mais perto da hora do almoço o local fica lotado, faz fila. Não vi ninguém parecido com turista -- aliás, Cláudio, Pedro e eu éramos os únicos sem traços físicos orientais. A Yumi, mulher de Pedro (camiseta verde) é japonesa. A comida, em geral fumegante, passava continuamente pela nossa mesa em cima de carrinhos conduzidos por garçonetes que falavam mandarim (suponho). O método de escolha mais fácil era apontar os pratos que a gente desejava comer -- ninguém sabia mesmo o que continham os bolinhos apetitosos ou os cestinhos de bambu com bocados enrolados em folhas de... de quê mesmo?
Ai, ai, ai, estou ficando com o formato de uma bola, mas não consigo (e nem quero) resistir aos petiscos, adoro experimentar comida diferente.

alguns rapazes da família

Caio em Black´s Beach, San Diego - neste momento voando para NYC. Hoje à noite, jantaremos juntos, filhão.
Cláudio esperando o metrô
genro e neto, em Roma (Ciao, Tomaso, Ciao, Matteo!)

boas notícias vindas de Santo André

Recebemos um email de Léa Penteado, com os detalhes do curso profissionalizante que o Costa Brasilis está oferecendo para os jovens de Santa Cruz Cabrália e seus distritos


"Olimpia e Claudio
Hoje assistimos uma cerimonia que voces iriam adorar. Vcs ouviram falar do projeto que o Costa Brasilis está desenvolvendo um projeto de formação técnica de hotelaria para jovens ? Eles convidaram estudantes do 3o. Ano de 2o grau em Cabralia a fazerem uma prova. Foram mais de 100 inscritos. Selecionaram não sei bem quantos, conheceram as familias, entrevistaram e escolheram 20 para este curso de 1 ano. Todos tem menos de 18 anos, terão que continuar estudando na escola e este curso tera a duraçao de 1 ano, 5hs por dia de 2a a 6a, ganharão uniforme, vale transporte, alimentaçao, atendimento medico e dentario, e um salario de 300,00 reais. O primeiro mes será de aulas teoricas, a partir de julho estagio em todos os setores do hotel.
Formação mesmo !!
O projeto é conduzido por uma empresa chamada Formare que tem vasta experiencia, mas é a primeira vez que realizam em hotel. Será uma escola dentro do hotel. Hoje foi a apresentaçao dos jovens que sao de Cabralia, Sto Andre, Sto Antonio e Guaiu. Não é o maximo ?
As familias super orgulhosas, afinal eles estao tendo a chance de ter a primeira oportunidade de se prepararem para o futuro.
Segue a foto que fiz com o celular, sao 16 meninas e 4 meninos. Como sempre as mulheres mais interessadas. A Claudia fez fotos profissionais, é claro..
Bjs e boa viagem "
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Amei o seu email, Léa.

sábado, 29 de maio de 2010

on the road



Um dos passeios que mais gostei até agora foi passear de carro com Cláudio, Pedro e Yumi pelo estado de Nova York. Passamos um dia inteiro vendo as pequenas cidades do interior no countryside próximo à metrópole. Bateu uma nostalgia, porque morei nesta região (Nova Inglaterra) quando tinha 17, 18 anos -- foi uma experiência muito boa, mudou minha vida. Acho as árvores das florestas brasileiras lindas -- Mata Atlântica, Amazônia -- mas é inegável que as florestas do hemisfério norte também são belíssimas. Ficamos contemplando-as por algum tempo no mirante de um lodge bastante amigável - entramos na base da ousadia e ninguém reclamou, nem sequer fez cara feia. Em compensação, na volta paramos num restaurante-bar para irmos ao banheiro e embora tivéssemos comprado água e café fomos tratados com muita má vontade, quase rudeza. Também, o que se pode esperar de um lugar que proíbe os clientes de entrarem de camiseta regata, mesmo no verão? Qual o problema em mostrar os ombros? Não era um lugar sofisticado, ao contrário, era mais para o tosco, escuro e com uns tipos mal encarados, pareciam saídos daqueles filmes policiais classe B, passados no Bronx. Que por sinal mudou - apesar de continuar sendo o bairro mais pobre da cidade não é mais tido como perigoso. Tem mais áreas verdes do que os outros bairros e está sendo remodelado, ou melhor, estava, porque com a crise do capitalismo vimos muitas construções paradas por falta de verba.

PS1 New York

arredores de New York, com minha câmera
Ontem à tarde, vi duas pessoas tirando fotos de obras dentro do PS1, em Queens. É uma escola (Public School) antiga que foi transformada em museu de arte contemporânea, um braço do MoMA. Achei a idéia ótima e comecei a clicar até o segurança me interpelar para avisar que era proibido. Como assim, perguntei, e aquele rapaz de óculos na outra sala? Ah, ele era da imprensa especializada em arte. Preciso arranjar credenciais para o redefurada, urgente. Mas ainda deu tempo de registrar as cores da floresta.

os convites dos amigos


Encontrei 3 convites na minha caixa postal - para ouvir música, participar de um seminário e comparecer ao lançamento de um livro. Ôpa! O povo está produzindo... Infelizmente para quem mora em BH, o evento do blueseiro Lucas "Hippie" Fainblat já passou. Quem não o ouviu cantar nos verões de Santo André nem sequer sonhou... Lucas, então tá combinado, no próximo Festival de Verão vamos Pirar a Merendeira lá no povoado, viu?
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Para a produção literária dá tempo de se organizar - olha aí, pessoal de Brasília, o e-mail do Prof. Piero Eyben (UnB) pra quem gosta de linguagem e quer incrementar o pensamento -
"Estou organizando o I Seminário Escritura: linguagem e pensamento, que ocorrerá na Universidade de Brasília, nos dias 23 e 24 de junho de 2010, com atividades (conferência e mesas-redondas) em todos os períodos. O Seminário, organizado pelo Grupo de Pesquisa "Escritura: linguagem e pensamento", por mim coordenado, terá como ponto fundamental de discussão a relação literatura e pensamento da diferença e os problemas teóricos da experiência literária.
Gostaria muito da presença de todos - seria uma boa oportunidade de nos rever e ainda estarmos rodeados de literatura - e, se possível, que divulguem entre seus pares."
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Apesar da distância, vou me esforçar para chegar lá. Sei que vale a pena (demais!), por experiência própria.
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O último evento também será em BH, dia 31 de maio, no Museu de Artes e Ofícios. Não conheço Paulo Lage, mas a Lola de Milão conhece e garante a qualidade do trabalho do ceramista mineiro.

o relato de Guiomar

O redefurada continua dando a volta ao mundo pela Friends Railways. A parada do trem, desta vez, é em Ouagadougou, capital de Burkina Fasso, África, para assistir ao FESPACO, maior festival de cinema da África que acontece em todos os anos ímpares, naquela cidade. A própria Guiomar -- uma mulher que tem uma casa lindinha em Santo André e um emprego de juíza em São Paulo -- relata sua experiência:
"No aeroporto, depois de muita negociação, conseguimos um táxi. A mala, que carregava um certo dinheiro para a construção de um poço, seguia amarrada com cordas ao porta malas.
Caos, pó e centenas de mobiletes.
Como um lugar tão pobre pode sediar um festival de cinema? Quem assistiria aos filmes?
Pois nada menos que um estádio de futebol lotado, onde os filmes eram projetados ao ar livre.
Parte da platéia:
Terminado o Festival, eu e meus dois companheiros de viagem resolvemos ir a Gorom-Gorom, aldeia ao norte de Burkina Fasso onde periodicamente as tribos nômades da região se reencontram para colocar as novidades em dia e trocar mercadorias. Essa é uma das casas de Gorom-Gorom, pintada com pigmentos naturais."
Guiomar conta que sua passagem por esta aldeia lhe trouxe o sentimento concreto de fazer parte da humanidade. E que esta foi sua primeira viagem ao exterior. Achei legal e diferente, porque quase todo mundo que conheço quando resolveu sair do Brasil pela primeira vez para ver outras culturas optou pelo "primeiro mundo".

sexta-feira, 28 de maio de 2010

The High Line Park - antes e depois da reforma




Fui visitar um parque que não conhecia -- talvez o parque mais estreito de NYC. Surgiu após a reforma de uma linha férrea aérea construída nos anos 30 para remover o perigoso trânsito de trens de carga das ruas do Meatpacking District. Caramba, devia ser bem arriscado caminhar por lá tendo que se desviar dos carros e dos trens. Em 1999, quando a prefeitura queria demolir a histórica estrutura, um grupo de cidadãos fundou uma associação para preservar o gigantesco viaduto transformando-o numa área de lazer. É mais ou menos como um parque construído em cima do Minhocão de SP.
Por ser limitado em espaço (largura), o parque tem uma série de proibições: bicicletas, skates, patins e animais não são permitidos. Bebidas também não, mas não sei se isto tem a ver com espaço...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

New York, New York


Dois dias em Nova York, numa viagem bem diferente das vezes anteriores que estive nesta cidade (mais de 20, metade delas para trabalhar). Ficar na casa de um local faz toda a diferença - aqui somos hospedes de Pedro, o filho mais velho de Claudio, e de sua jovem mulher, Yumi. Ele trabalha no Google e visitar o escritorio da empresa foi das coisas mais divertidas e interessantes que fiz ate agora. Eh outra concepção de trabalho -- as pessoas vão trabalhar de bermuda, sandalias, camiseta... Tem jogos de lego, cores vibrantes, videogames, mesas de ping-pong, tres restaurantes e varias lanchonetes. Parece um enorme playground para adultos. A comida eh por conta da empresa e o mais incrivel eh que a produtividade dos funcionarios eh altissima. Nada de horarios fixos, nem hierarquia rigida. Grafites, coisas engraçadas espalhadas pelas paredes -- vi uma citaçao da Divina Comedia num trocadilho esperto, cartoons...Dificil pensar em emprego mais legal. A foto em cores foi tirada do terraço de um dos restaurantes da empresa (a Google estah instalada no prédio antigo da Port Authority, um dos maiores edificios de Nova York ) dah uma boa visão daquele arranha-ceu que todo mundo conhece...
Hoje passamos o dia passeando fora da metropole. Alugamos um carro da forma mais descomplicada que ja vi -- reserva pela internet, apanha o carro no estacionamento indicado (o mais proximo de seu endereço), paga-se apenas 7 dolares por hora, o tanque vem cheio e os pedagios estao incluidos. A chave estava dentro do automovel, um Honda.
Muito barato, mas eh preciso pagar uma anuidade - o serviço se chama zip.car
Estou achando a cidade um pouquinho diferente da minha vila... rsrsrs

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Josie Lins no Butão

O redefurada continua a rodar o mundo com os pés e os olhos dos amigos. Desta vez quem me ajudou foi a m.Jo. a dona deste blog. Nós morávamos na mesma rua em Brasília, durante algum tempo. Lembro sempre que nossas filhas praticavam equitação naquela época e ela não se incomodava de levar as duas. Sorte minha e de Camila.
m. Jo é uma viajante e tanto, conhece 34 países e 224 cidades entre as quais – advinhem – Santo André da Bahia, que mesmo sendo apenas um povoado é um lugar especialíssimo. O post da minha amiga é sobre o Butão, mas poderia ser sobre Sikkim ou Darjeeling, lugares que parecem saídos diretamente das histórias de Sherazade...
"O Butão é um país curioso, que começou a receber turistas há pouco tempo. A primeira coisa que me chamou a atenção é haver um portão de entrada, na fronteira com a Índia. Quase um arco do triunfo, todo trabalhado em madeira, cuidadosamente pintado. Eu estava dentro do ônibus, não consegui uma boa foto. Existem apenas três pontos de fronteira terrestre, todos com a Índia. Este é o de Phuntsoling.
Depois... vêm as roupas masculinas. Uma espécie de roupão. As dobras das mangas são usadas como bolsos e quase todos os homens usam.
A cidade da foto é Thimphu, a capital. Fica em um vale, como todas as demais cidades que visitei. É só o que se vê: vales e picos altíssimos. Existem algumas hidroelétricas, e a economia baseia-se na venda de energia para a Índia.
As construções obedecem ao padrão tradicional, são cheias de bordadinhos e trabalhos em madeira. O código de obras é rigoroso, nada de modernices exageradas. Pinturas nas casas e muros são freqüentes, com muitos falos pendurados nos telhados, balançando ao vento... O animal é o Takim, só existe por lá. Na verdade, é o único animal do Jardim Zoológico de Thimpu. Em 1991, atendendo a uma reivindicação popular, o rei mandou abrir as portas das jaulas e libertar todos os bichos. Manter animais em cativeiro envergonhava os budistas butaneses. Só ficou o Takim, porque precisava de proteção contra seus muitos predadores.
A outra foto é do Punaka Dzong Dzong, um edifício lindo, de 1673, onde funcionam um mosteiro budista e a administração regional. Fica na junção de dois rios, um rio macho, mais rápido (à esquerda) e um rio fêmea, tranquilo (à direita). Coisas do Himalaia."
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Obrigadíssima, m. Jo! Acabei de fazer minha malinha para viajar amanhã cedo -- agendei um táxi para nos levar ao aeroporto às 5 horas da manhã. É um vôo diurno para Nova York. Depois dos depoimentos de Lola (Jhadpur), da Soninha (Teerã) e do seu (Butão) estou achando minha viagem muito sem imaginação... Bem, acho que não vou conseguir colocar posts por lá... nem computador vou levar. Conto com a ajuda de vocês... quem mais poderia ajudar o blog a viajar ?
Foto de Santo Antônio e Guaiú também vale...

domingo, 23 de maio de 2010

Hojé é o dia das Anas




Aniversário das gêmeas mais famosas de Santo André.
Duas Anas, duas amigas.
Parabéns, queridas!

Sonia Bonzi em Teerã


De vez em quando eu trago uma foto de Sonia Bonzi para o blog ou comento sobre as incontáveis viagens que já realizou. Acho que não conheço ninguém mais viajada do que ela, ou sua família. Isso se explica em parte pela profissão do marido, um diplomata que alcançou o posto de embaixador quando trabalhava no Irã. Na condição de embaixatriz, fotógrafa e pessoa extraordinária que é -- uma exímia construtora de redes humanas -- Soninha pode dar uma opinião abalizada sobre aquele país, muito oportuna, agora que o acordo sobre o uso de armas nucleares para fins pacíficos permeia a teia de comunicação mundial. O depoimento dela -- interessantíssimo -- está numa revista eletrônica (o link está lá embaixo).
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"O Irã que eu conheci"
por Sonia Bonzi
Depois de ter morado no Irã, minha maneira de ver o mundo mudou bastante. Não acredito em mais nada do que diz a grande mídia.
Quando soube que ia morar em Teerã senti um certo medo, mas aceitei o desafio. Comecei uma busca voraz por informações sobre o país, a cidade, a história, o povo. Depois de tudo que li, decidi que viveria em casa, reclusa, lendo, escrevendo, fazendo crochet, inventando moda...
Parti de Londres pronta para o sacrifício. Teria que conviver com os xiitas radicais, terroristas cruéis, apedrejadores de mulheres, exterminadores de homossexuais, homens-bomba, mulheres oprimidas, cobertas com véus...
Eu estava submetida às leis locais e me seria vedado mostrar cabelos, pernas e braços. Ficar em casa era o que mais me atraia. Vestir um chador para sair me parecia um pouco demais. A caminho de Teerã eu depositava o sucesso da minha estadia nos jardins da casa onde fui morar. Ter aquele espaço me bastaria.
Logo ao sair do aeroporto comecei a ter uma imagem diferente de tudo aquilo que eu tinha lido. Tudo tão bonito, belas estradas, muita luz, viadutos com mosaicos, jardins bem cuidados, gente vendendo flores nos sinais, um engarrafamento sem buzinas, pedestres poderosos cruzando entre os carros, rapaziada de cabelo espetado, mocinhos com camisetas apertadinhas, moças lindas, super produzidas e também muitas mulheres de chador. Parques cheios de gente. Muita criança. Muito pic nic.
Dizem que a primeira impressão é a que vale. Gostei da chegada. Não tive medo. Não vi tanques, cadafalsos, escoltas armadas... Gostei das caras, das montanhas, das casas, das árvores, dos muros, do alfabeto que me tornava analfabeta.
Logo no segundo dia eu já tinha entendido que minha leitura sobre o cotidianonão tinha nada de realidade. Eu não precisava usar chador. Podia sair vestida com uma calça comprida, um camisão de mangas compridas e um lenço na cabeça. Senti-me nos anos 70, quando eu não dispensava um lencinho.
Deixei o jardim de casa e fui conhecer Teerã..."
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Não deixem de ler o restante aqui
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Soninha é uma amiga de décadas. Até hoje me arrependo de não ter ido visitá-la e ao Fachini quando moravam em Teerã. Foram tantos os convites. Não fui de besta, Soninha, mas para a Tunísia a gente vai, pode esperar.