quarta-feira, 25 de agosto de 2010

travessia de Belmonte a Canavieiras

(Rodrigo, camiseta branca)
Olhando a foto de Rodrigo desembarcando em Canavieiras lembrei de um ditado baiano que diz "você pode sair da Bahia, mas a Bahia nao sai de você". É mesmo. Se olho pela janela que está na minha frente, vejo o prédio do Congresso Nacional, a ponte JK sobre o Lago Paranoá, o Banco Central onde passei grande parte da minha vida, os prédios das superquadras....Mas ao abrir a caixa de entrada de emails, achei estas fotos e relato da travessia de Belmonte para Canavieiras, um passeio clássico para quem mora em Santo André. Rodrigo e Cristiane sao um casal que foram morar lá este ano e estao bem integrados no povoado. 
Adorei o relato e as fotos, obrigada Rodrigo!
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"Neste último fim de semana eu e a Cris tínhamos combinado de ir a Canavieiras às bodas de ouro de um casal de amigos dos tempos do Bracuhy, em Angra dos Reis, Cristina e Aurélio, argentinos de Rosário, 50 anos de casamento e com invejável admiração e respeito um pelo outro.Ir pela estrada, seria uma volta enorme e chata então porque não ir de forma mais prazerosa, fazendo a travessia Belmonte- Canavieiras pelos rios e mangues.Por indicação dos amigos telefonamos ao Bigode (73-99958170), barqueiro experiente que não nos deixaria na mão nem debaixo de tempestade e, sem esquecer da variação da maré, nos esperava na hora combinada na foz do Rio Jequitinhonha na Av. Beira-Rio em Belmonte.Pedi para deixar o carro num galpão na beira do rio e ficamos torcendo junto com nosso camarada Bigode para aparecerem mais candidatos à travessia pois, o preço é de 20 reais por pessoa e só nós dois mal pagaríamos a despesa de combustível pois ele já tinha vindo de Canavieiras vazio.
Ninguém apareceu e embarcamos os três, na maré cheia.

o barqueiro do rio Jequitinhonha
Atravessamos o Jequitinhonha e logo entramos em canais estreitos, mangues dos dois lados, pura natureza, fotos e mais fotos...De vez em quando cruzávamos com algum barquinho de moradores locais que segundo o Bigode são muitos e sobrevivem da pesca que por ali é farta.
Bigode é guia de pesca e dos bons, acostumado a receber turistas de várias partes do mundo que vem pra região pescar nos rios.Para pescar no mar há uma empresa de Canavieiras, que leva o pessoal atrás dos grandes peixes de bico (marlins e outros) no internacionalmente famoso (pra quem é do ramo) Royal Charlotte Bank distante algumas milhas mar adentro partindo de Canavieiras.
Continuando a travessia ora por canais estreitos,ora por lugares mais largos e Bigode vai mostrando daqui e dali : -Lá a direita é uma ilha enorme, de um lado o rio e do outro o mar, agora a proprietária Marisa Orth nunca aparece pra admirar toda essa beleza. E continua: -Lá a esquerda é outra ilha, onde por sinal eu e outras cem famílias moramos na vila de Campinho.
Nós vamos observando de um lado e do outro e só vemos mangue, ora alto ora baixo, mas sempre mangue...
chegada em Canavieiras
A certa altura quase no final, depois de vários atalhos pelos braços de rio que cortam o mangue, a Cris vira pro Bigode e pergunta: -Com todas essas entradinhas e desvios, voce não se perde nunca por aqui ? Ele diminui a velocidade, olha para mim, nós dois damos um risinho, daqueles que percebem a ingenuidade da pergunta e ele diz:- Eu? Nem em noite sem lua !!! E seguimos os três felizes da vida. Já se passaram uma hora e meia e está na hora de desembarcarmos em Canavieiras. No final, na larga faixa da Barra de Canavieiras a água se agita um pouco e apesar dos cuidados do nosso amigo, os respingos são inevitáveis.
Na volta lá estava o Bigode,na maré enchendo, como combinado, só que agora fomos acompanhados por um casal de BH e sua moto , que segundo eles estão dando umas voltas por aí. Dava gosto de ver a cara dos dois surpresos com a beleza dos mangues e tirando mil fotos.
E eu comento :- Bigode você leva até moto no seu barquinho hem ? E ele :- Voce não viu nada essa aí é fácil, já levei até aquelas de 1000 e tantas cilindradas...
Quando chegamos em Belmonte fui atrás do rapaz pra abrir o portão onde tinha ficado o carro, guardado por um pitbull daqueles que gostam de mostrar os dentes.
Perguntei:- E aí,amigo quanto lhe devo ? E ele meio surpreendido pela pergunta:-Ora, claro que nada, vá e volte quando quiser.
Fomos e como era hora do almoço ainda demos uma paradinha, com os novos amigos de BH , pra comer aquele pastelzinho de aratu e tomar uma água de coco na beira da estrada em Mogiquiçaba."

Um comentário:

m.Jo. disse...

Êh, vida dura!